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6 dicas de reposicionamento de negócios de alimentação a partir da visão do cliente

6 dicas de reposicionamento de negócios de alimentação a partir da visão do cliente

O que dizem as pesquisas com consumidores? Veja as dicas para o seu negócio se reposicionar, com base na percepção dos consumidores de alimentação.

Está no ar a pesquisa com consumidores da Galunion e Qualibest (3ª onda), realizada no início de julho com 1108 brasileiros. Ainda, há dados interessantes do Datassential apresentados em uma live no dia 23/07 com o cenário americano.

A partir dos dados, trago seis dicas de reposicionamento para os negócios de alimentação. Vamos conferir?

 1)     Invista em promoções e produtos acessíveis

A pesquisa da Galunion demonstrou que a renda caiu para uma parcela expressiva dos consumidores (38%). Por isso, eles estão realmente valorizando refeições mais baratas. Dentre os critérios de escolha de um restaurante, logo após “higiene e limpeza” e “ter uma comida gostosa”, o fator “ter preço justo” é importante para 65% dos consumidores.

Ainda, ao pedirem delivery, ter promoções e descontos é relevante para 73% das pessoas. E se pudessem fazer um pedido aos donos de restaurantes, o terceiro ponto que os consumidores mais querem é que sejam inventados pratos mais baratos e gostosos!

 2)     Siga atento ao delivery

Aproximadamente metade dos consumidos brasileiros seguirão em trabalho remoto até o final do ano, segundo a Galunion, e 86% deles pedirão delivery durante o home office! Não é fácil conciliar trabalho remoto com o preparo de alimentos no lar, por isso a entrega se torna uma opção conveniente. Ainda, 47% vão adotar o delivery/take-away para comer em casa com visitas. É uma nova tendência, que influencia o tipo e a quantidade de alimento do pedido!

Quanto aos cuidados com o delivery, é necessário ter atenção a um aspecto muito importante: tempo de entrega. Nada menos do que 81% dos consumidores entrevistados pela Galunion declararam que o tempo de entrega foi maior do que o prometido! Aí, a chance de pedirem de novo naquele restaurante cai bastante... Afinal, para 57% dos clientes, ter tido uma boa experiência anterior é um fator de escolha fundamental na modalidade.

 3)     Avalie o que os consumidores querem comer

No Brasil, 75% dos consumidores comprariam uma comida gostosa, fresca e saudável fora de casa, e esse percentual é ainda maior entre pessoas da Geração X, que têm entre 35 e 49 anos. Em seguida, os consumidores querem comprar receitas tradicionais dos seus restaurantes favoritos (71%), especialmente a classe C.

Nos Estados Unidos, a Datassential chama a atenção para os tipos de produtos: o que as pessoas desejam comer é diferente se considerar o consumo de forma geral e fora de casa. Veja só: as pessoas querem comer, no geral, cheeseburger e carne. Porém, fora de casa, elas querem comida japonesa, chinesa e outras opções étnicas.

Destaca-se, também, que a 4ª comida mais desejada pelo consumidor americano é o sorvete soft! Sim, aquele típico de casquinha das redes de fast food, que tão bem tem sido trabalhado por pequenas redes e marcas independentes, especializadas em sorvetes. Será que aqui também não tem essa oportunidade na retomada? Apostamos que sim.

Outra questão interessante é que, apesar de os americanos estarem desejando tomar café de forma geral, não se trata de um item que as pessoas querem consumir fora de casa. Porém, os preparos do tipo latte e o iced latte apareceram! Um café gelado ou um preparo especial vão cair bem. Ou seja, invista em produtos que o consumidor não pode pedir no delivery (porque não viajam bem), não compra no mercado e, também, não consegue fazer em casa!

4)     Atenção na retomada: segurança em primeiro lugar

Pelo cenário dos Estados Unidos, vemos um aumento do medo. Os consumidores vinham a cada semana, demonstrando estar menos preocupados com o novo coronavírus, mas a taxa de preocupação explodiu na última pesquisa da Datassential. O percentual de pessoas com medo passou de 40% em meados de junho para 51% em julho. Destaca-se que o perfil mais preocupado é o de mulheres (58%, contra 44% dos homens) e de pessoas da Geração Baby Boomers, que têm acima de 50 anos (58%, contra 45% da Geração Z, que tem de 10 a 25 anos).

No Brasil, os critérios de escolha de restaurantes seguem focados em higiene e limpeza (85%), segundo a Galunion. Ao imaginarem “um pedido ao dono do restaurante”, o segundo ponto que os clientes mais querem é o investimento em hospitalidade e segurança. Por isso, a atenção com os protocolos de retomada é tão importante!

5)     Veja as oportunidades de saúde e bem-estar

A doença preocupa, mas gera oportunidades. Segundo a Galunion, as tendências mais votadas pelos consumidores são as relacionadas a saúde, bem-estar, sustentabilidade, produtos de origem, clean label e embalagens ambientalmente corretas (ex. sem plásticos descartáveis). Ainda, quando os respondentes fizeram um pedido ao dono do restaurante o que eles mais pedem é para não sacrificar a qualidade.

Em qualidade, podemos entender o sabor, o padrão dos ingredientes e a qualidade nutricional também! Será que suas embalagens estão adequadas à preocupação ambiental? Você já tem uma linha de produtos mais saudáveis?

6)     Avalie formas de servir que vão além de salão e delivery

Sim, temos consumidores com receio. No Brasil, 53% dos consumidores não vão frequentar restaurantes e cinemas, se liberados, com medo da covid-19. Nos Estados Unidos, a taxa de consumidores que definitivamente evitam comer fora de casa aumentou: de 40% em meados de junho para 51% em meados de julho.

Porém, 42% vão frequentar espaços abertos e drive-in, segundo a Galunion! E, entre os americanos, 77% dos consumidores se sentem seguros em confortáveis com drive-through.

Sobre retirada, há duas modalidades: uma em que um funcionário leva a comida ao carro (curbside pick-up) e outra em que a pessoa entra no restaurante para pegar a comida (take-out). Veja só: nos Estados Unidos, 76% se sentem seguros com o primeiro modelo, e um percentual bem menor (60%) fica confortável com o take-out dentro da loja. Por isso, conhecer essas diferentes formas de servir é uma dica de ouro. Além das citadas aqui, destacam-se, também, o grab-and-go e a venda de alimentos congelados!

 

Essas dicas e reflexões são com base no comportamento dos consumidores de uma forma geral, no Brasil e nos Estados.

O recado é claro: inovar é preciso.

Que tal avaliar como o seu cliente percebe a sua operação, para identificar a melhor forma de atendê-lo no novo normal?

Bares e Restaurantes

Comunidade Sebrae
Mayra Viana
Mayra Viana Seguir

Analista técnica do núcleo de Alimentos e Bebidas da Unidade de Competitividade do Sebrae Nacional. Doutoranda em Administração pelo PPGA/UNB, com ênfase em comportamento do consumidor. Pesquisadora do grupo de pesquisa Conscient da UNB.

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