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Marcas e Sustentabilidade

Marcas e Sustentabilidade

A necessidade da responsabilidade social e de novas práticas sustentáveis na indústria da moda nunca foi tão aparente. Atualmente, diversas empresas têm mudado suas práticas de produção e estão surgindo novas marcas com o intuito de serem sustentáveis. 

Este estudo apresenta uma revisão de literatura verificando como as marcas do setor da moda tem lidado com a sustentabilidade, levando em consideração as dimensões ambiental, social e econômica.

 

INTRODUÇÃO

O desenvolvimento sustentável é uma tendência sócio comportamental no universo da moda. Isso significa que os consumidores incorporam cada vez mais o pensamento de consumo consciente e se engajam em ações que buscam um futuro melhor para o planeta.

Por consequência, o mercado tem cedido cada vez mais espaço às novas empresas voltadas à pegada do consumo responsável. Além das pequenas empresas, as grandes redes de fast fashion também têm estudado alterações em seu método de produção.

As mudanças para se encaixar neste novo padrão de consumo exigem, não só a máxima reutilização e reparação de produtos, mas também, a economia de energia e água, melhoria na gestão de resíduos, mudança de cultura organizacional e a conscientização de pessoas (ANJOS, 2019).

Algumas empresas já demonstram preocupação nos processos utilizados na produção têxtil, optam por atitudes como por exemplo, reutilizar fibras já existentes, sendo ou não renováveis.

Outra alternativa, é usar produtos de baixo impacto ambiental, como o liocel, umal, uma fibra de celulose proveniente da madeira, considerado puro ainda no seu estado bruto e as técnicas utilizadas para o seu consumo utilizam poucas substâncias químicas, água e energia. 

Outra forma de diminuir os impactos gerados pelos resíduos provenientes das sobras ou descartes provocados pela indústria têxtil, é optar pela utilização de produtos biodegradáveis, minimizando a contaminação e a obstrução do solo nos aterros sanitários.

Porém, muitas empresas ainda fazem o uso de fibras mistas na composição de seus produtos. Um exemplo são os tecidos que misturam fibras sintéticas (como as derivadas do carbono) com fibras naturais (vindas da natureza, através de plantas ou animais). O processo da mesclagem das fibras dificulta a decomposição dos tecidos, devido a diferença dos materiais utilizados em sua composição (ANJOS, 2019).

Neste contexto surge a Economia Criativa, que não se atém somente ao desenvolvimento do objeto, mas também aos estudos das atividades da empresa como um conjunto integrado de produção, serviços e comunicação.

É uma nova visão de negócio que age de maneira a considerar o sistema e não apenas as partes dos processos.

O método utilizado foi a revisão integrativa de literatura realizada com base em artigos apresentando informações existentes sobre o assunto abordado. 

 

METODOLOGIA

Para realização deste trabalho a revisão integrativa de literatura foi escolhida como metodologia. Os trabalhos de revisão são pesquisas que utilizam fontes de informações bibliográficas ou eletrônicas para obtenção de resultados de pesquisas de outros autores, com o objetivo de fundamentar teórica e cientificamente um determinado objetivo (ERCOLE et al, 2014).

A revisão de literatura permite a busca, a avaliação crítica e a síntese das evidências disponíveis do tema investigado, de maneira sistemática, ordenada e abrangente, sendo o seu produto final o estado atual do conhecimento do tema investigado (MENDES et al, 2008).  

É denominada integrativa porque fornece informações mais amplas sobre um assunto ou problema, constituindo, assim, um corpo de conhecimento.

Ademais, a partir deste método é possível implementar intervenções efetivas nos processos a redução de custos, bem como a identificação de lacunas que direcionam para o desenvolvimento de futuras pesquisas.

Para a elaboração desta revisão foram seguidas as seguintes etapas:

↪ Estabelecimento da hipótese e objetivos da revisão integrativa;

↪ Estabelecimento de critérios de inclusão e exclusão de artigos (seleção da amostra);

↪ Definição das informações a serem extraídas dos artigos selecionados;

↪ Análise dos resultados;

↪ Discussão e apresentação dos resultados e;

↪ Consistência na apresentação da revisão.

📌 Para a seleção dos artigos foi utilizada a base de dados Google Acadêmico. 

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A empresa sueca de moda H&M acaba de inaugurar um sistema de reciclagem de roupas em sua loja. O sistema, batizado de loop, fica visível a todos que a visitam. De forma, que mesmo quem não queira utilizá-lo poderá acompanhar como é feita a reciclagem de roupas. Além de um grande chamariz para a causa, mata a curiosidade sobre o funcionamento do processo.

O sistema de reciclagem usa uma técnica que desmonta roupas velhas e as transforma em roupas novas. As roupas são limpas, desfiadas e fiadas em novos fios que são então tricotados para virar uma peça novinha em folha. 

A C&A, já em 2006, começou a monitorar sua rede de fornecedores e, em 2015, lançou sua estratégia global de sustentabilidade com metas definidas para cinco anos (2015-2020), estruturada em três pilares que são:

◆ Produtos Sustentáveis, dividido em duas grandes frentes, matérias-primas mais sustentáveis e economia circular;

◆ Rede de Fornecimento Sustentável, que se preocupa com o meio ambiente, a saúde e segurança dos fornecedores, garantindo condições de trabalho seguras e justas e

◆ Vidas Sustentáveis, tendo um olhar para o engajamento dos colaboradores e dos clientes, de maneira transparente (CONJUNTURA ECONÔMICA, 2018).

Na ocasião, a Textile Exchange estimou que, por meio da compra de algodão orgânico, a C&A economizou 133,8 bilhões de litros de água e evitou que 123 toneladas de pesticidas fossem usados para melhoramento da qualidade do solo em mais de 136.000 hectares de terra. (RABELLO, 2018).

As Lojas Renner estão inserindo os fundamentos da Economia Circular em sua cadeia produtiva e na forma de desenvolver seus produtos, recuperando perdas do processo de corte dos tecidos, que antes eram destinados ao aterro ou vendidos como produto de baixo valor agregado (CNI, 2018).

O projeto em escala piloto foi realizado em parceria com fornecedores, consultores e a Universidade de São Paulo. Foi necessário identificar e engajar parceiros para o desenvolvimento de protótipos de tecidos de malha e jeans produzidos com fios reciclados, bem como estruturar e viabilizar econômica e, tecnicamente, toda a cadeia reversa.

Outro exemplo interessante é a Rede Asta, que apresenta um modelo de negócio multi setorial unindo circularidade, inclusão social e de gênero e colaboração.

Com uma rede de 63 grupos de mulheres artesãs espalhadas por 10 estados do Brasil, transforma resíduos pós-industriais em arte. Operando por projetos, já produziu estojos para computador e bolsas a partir de sacos de cimento, além de peças de mochilas e ecobags a partir de banners, capas de poltronas e uniformes (CNI, 2018).

A empresa carioca, Rede Asta, também opera uma plataforma virtual acessível às artesãs do Brasil, oferecendo treinamentos tanto de empreendedorismo como de reaproveitamento de materiais e instigando a atividade econômica positiva nas comunidades brasileiras de baixa renda.

Dessa forma fomenta a inclusão social ao oferecer novas oportunidades para trabalhadores que atuavam no mercado informal com pouca visibilidade e contribui para transformar artesãs em empreendedoras, com incremento médio de renda de 24%.

Além disso, esses projetos possibilitam enxergar o valor dos materiais e usar a criatividade para transformá-los em novos produtos (mais de 80% dos produtos são feitos de material reaproveitado) e prega relações econômicas justas e transparentes para toda a cadeia (CNI, 2018).

Neste sentido, são diversas as contribuições trazidas por este setor para a construção de alternativas que possibilitem a promoção do desenvolvimento econômico, por meio de iniciativas conectadas com um modelo mais justo e responsável em relação ao meio ambiente.

 

CONCLUSÃO

Apesar de gerar lucro para as empresas, muitas marcas ainda geram consequências nocivas para o meio ambiente e para a população em geral.

Isto acontece porque a indústria ainda possui uma consciência muito baixa do seu impacto e na atual sociedade que busca cada vez mais práticas sustentáveis, esse tipo de negócio será cada vez menos aceito.

 


REFERENCIAS

ANJOS, Suellen Saraiva dos. A comunicação das marcas sustentáveis no universo têxtil. Análise da comunicação da marca Insecta Shoes. 2019. Tese de Doutorado.

CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA, CNI. Economia Circular: OPORTUNIDADES E DESAFIOS PARA A INDÚSTRIA BRASILEIRA. Brasília: CNI, 2018. 64 p.

CONJUNTURA ECONÔMCA, Insper Conhecimento. Economia circular é uma alternativa para a reversão da crise econômica: Evento no Insper discute experiências positivas neste novo modelo de produção. 2018. Disponível em: <https://www.insper.edu.br>. Acesso em: 30 maio 2018.

ERCOLE, Flávia Falci; MELO, Laís Samara de; ALCOFORADO, Carla Lúcia Goulart Constant. Revisão integrativa versus revisão sistemática. Revista Mineira de Enfermagem, v. 18, n. 1, p. 9-12, 2014.

MENDES, Karina Dal Sasso; SILVEIRA, Renata Cristina de Campos Pereira; GALVÃO, Cristina Maria. Revisão integrativa: método de pesquisa para a incorporação de evidências na saúde e na enfermagem. Texto & contexto enfermagem, v. 17, n. 4, p. 758-764, 2008.

RABELLO, Tânia. Algodão Orgânico: C&A Brasil quer usar algodão 100% orgânico e sustentável até 2020. 2016. Disponível em: <http://emais.estadao.com.br>. Acesso em: 30 maio 2018.



 

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