A Vez da Criatividade
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A Vez da Criatividade

     Informação em tempo real, necessidade por organizações transaparentes e conectadas, economia colaborativa e o convívio entre diferentes gerações exigem resiliência, adaptabilidade e inovações constantes por parte das empresas que desejam prosperar nesse contexto.

     Portanto, projetar o novo deve ser uma constante no ambiente organizacional. Todavia, projetar um novo serviço ou produto sentado em uma cadeira dentro de um escritório sem envolver os colaboradores e os clientes nesse processo é um erro comum do pequeno empreendedor brasileiro.

 

“Get out of the building!” com a sua equipe e criem junto com o cliente

  

     O mercado exige soluções cada vez mais rápidas, econômicas e assertivas. Steve Blank e Eric Ries contribuíram enormemente ao conhecimento sobre gestão de startups e empresas em geral com suas ideias. O método Lean Startup, criado por Eric baseado nas ideias de Steve, resume-se em build – measure – learn (construir – medir – aprender), ou seja, construir rapidamente protótipos que testem hipóteses, medir dos resultados atingidos com esses testes o mais rápido possível e aprender o máximo nesse processo. Certo, o método sugerido pode gerar soluções de forma muito rápida... Mas seriam essas as soluções mais econômicas e assertivas?

    Imagine-se comprando um presente para uma pessoa que você conhece pouco. Eric diria para você criar hipóteses de presentes viáveis para você e que podem ser interessantes para essa pessoa, em seguida, diria para você comprar o presente que você julga mais viável e interessante, por fim, diria para você aprender com isso, ou seja, analisar se a pessoa gostou ou não do presente. Já o design de serviço – mote principal deste post – diria para você: “Antes de tudo, vamos conhecer melhor quem é essa pessoa? Que idade ela tem? Qual é o seu estilo de vida? Quais são seus hobbies?”. Caro leitor, agora pergunto para você: Qual presente iria ser mais econômico e assertivo?

    Certamente, você respondeu que o segundo presente será o mais adequado!

 

Ideia boa é ideia co-criada!

    Na minha atuação como Agente Local de Inovação, tive a oportunidade de vivenciar esses conceitos na prática. Assim que iniciei o meu trabalho, em 2015, passava horas sentada no meu home office pesquisando e criando ideias inovadoras para as empresas que atendo. Nesse esforço, tive muitas ideias geniais! Ideias que me deixavam muito orgulhosa! Entretanto, esses planos de ação eram geniais apenas no meu home office... A maioria dessas ideias foram enterradas no túmulo das gavetas dos meus empresários. Com o passar do tempo, percebi que ideia boa é ideia co-criada. Foi aí que surgiu o meu interesse por design de serviço.

    Design de serviço é um campo do design que propõe o pensamento estratégico e operacional dos serviços com a visão de quem os utiliza e os provê. É sobre entender as necessidades e desejos das pessoas e projetar, junto com elas, soluções de serviços que sejam tanto encantadoras para quem os utiliza quanto eficientes para as empresas. Os cinco princípios do design de serviço são:

O foco no usuário;

A co-criação;

O sequenciamento;

A evidenciação;

A visão holística.

A Vita Essência

    A Vita Essência, farmácia de manipulação e homeopatia localizada em Florianópolis, foi vencedora da etapa estadual do MPE Brasil na sua categoria em 2014 e do Prêmio Catarinense de Excelência em 2015. Ou seja, a empresária Alessandra Ghisi conduz a gestão da empresa com maestria, equilibrando todas as suas áreas.

    Em 2015, quando iniciamos o ciclo do Programa ALI, encontrei um grande desafio na Vita Essência: trabalhar exclusivamente inovação, haja vista o amadurecimento da gestão da empresa. Portanto, criamos o Grupo de Inovação Vita Essência com colaboradores de diferentes setores e a própria Alessandra.

    Inicialmente, a Alessandra ficou responsável por agendar e conduzir os encontros do Grupo. Entretanto, houve muita dificuldade por parte da gestora tendo em vista o turbilhão de demandas que surgem todos os dias na sua mesa. Parar absolutamente tudo para deixar a criatividade fluir é um obstáculo enorme para a inovação em pequenas empresas. Sendo assim, passamos a utilizar os acompanhamentos mensais previstos no Programa ALI para os encontros do Grupo de Inovação.

    No primeiro encontro, realizamos um brainstorm com o desafio criativo: “Como a Vita Essência pode se diferenciar no mercado de Florianópolis?”. Diversas boas ideiais surgiram. Nos encontros seguintes, estudamos a jornada do cliente e fizemos o mapa emocional da jornada. Ao analisar os pontos de contato críticos entre os clientes e a Vita Essência, diversas ideias simples e geniais surgiram para melhorar a experiência do cliente na farmácia. O coração da ALI bateu forte! O planejamento para os próximos encontros é aproximar o Grupo dos clientes para gerar ideias ainda mais assertivas e empáticas que otimizem os esforços e recursos da empresa.

    Entretanto, para inovar, não basta ter boas ideias! É preciso implementá-las e obter resultados. Atualmente, estamos implementando ideia a ideia através da metodologia SCRUM para a gestão ágil de projetos - resumidamente, esse método preconiza a criação de uma lista com todas as tarefas necessárias para a implementação de uma ideia, a gestão visual do status de conclusão de cada tarefa através de um quadro e do acompanhamento da velocidade de implementação da equipe.

    Estamos em fase de implementação, portanto, ainda não tenho números para apresentar como resultado neste post. Contudo, é notório que ações voltadas para o estímulo da inovação nas empresas – como reuniões para brainstorms, cocriação, estudo de personas, estudo da jornada do cliente, dentre outros métodos de design de serviço – impactam na motivação dos colaboradores envolvidos e, consequentemente, nos resultados das empresas. Quanto mais colaboradores envolvidos nesse processo, mais adequadas serão as soluções criadas e maior é a probabilidade de essas soluções serem implementadas corretamente. Nesse âmbito, há otimização do tempo dos gestores ao aliar ações que, ao mesmo tempo, criam valor para a empresa e motivam os colaboradores em busca dos resultados.

 

Criatividade X Oportunidade

    De acordo com uma grande pesquisa realizada pela IBM em 2010 (NYSE: IBM) com mais de 1.500 diretores executivos de 60 países e 33 indústrias em todo o mundo, criatividade será a habilidade mais exigida para navegar com sucesso em um mundo cada vez mais complexo. Criatividade sobrepuja o rigor, a disciplina de gestão, a integridade ou mesmo a visão. Então, eu te pergunto, caro leitor, o que estimula a sua criatividade? Estar tranquilo admirando uma paisagem inspiradora? Estar sentado tranquilamente no sofá da sua casa? E, na sua empresa, o que estimula a sua criatividade?

    O clima organizacional propício à inovação é pré-requisito importante para uma empresa inovadora. A dimensão ambiência inovadora avalia a importância que a empresa dá à inovação, portanto, mede o relacionamento com fontes de conhecimento externas à organização, o valor dado ao conhecimento adquirido ou desenvolvido internamente, o grau de aceitação de erros, o conhecimento sobre fontes de financiamento para a inovação e as oportunidades para compartilhamento de ideias.

    Dar segurança, autonomia e momentos propícios aos colaboradores, bem como, sair da bolha da empresa e frequentar encontros com públicos variados para circular por esferas de conhecimentos variados é fundamental para se ter uma empresa de fato inovadora.

    Por isso, com muita propriedade, afirmo que mais do que criatividade é preciso ter oportunidade para inovar dentro das pequenas empresas brasileiras.

Maria Fernanda da Silva
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ALI - SEBRAE/CNPq - SEBRAE

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