Gestão Financeira: Usando a matemática a seu favor
[editar artigo]

Gestão Financeira: Usando a matemática a seu favor

Já não é de hoje que o ser humano se debate com a matemática. São as notas do colégio, a utilização constante da calculadora, o professor mal-humorado da faculdade que insiste em usar letras ao invés de números. O pior é quando isso impacta na saúde financeira, seja na da pessoa física, como na do empreendimento. Devido a essa resistência criada desde cedo com a ciência exata, muitos pequenos empreendedores esbarram numa barreira perigosa na gestão do seu negócio. São dúvidas constantes: Quanto tenho em caixa? Qual meu ponto de equilíbrio? Posso realizar determinado investimento ou é melhor aguardar um outro momento?

Fica a dúvida: Se a gestão financeira é essencial para o empreendimento, por que as micro e pequenas empresas relutam tanto em adotá-la? Entre as principais razões estão a dificuldade com os números e a falta de conhecimento da importância do processo. Mas o fator predominante é o fato de que, adotando-a, a empresa necessariamente passa por uma etapa de mudança e inovação organizacional. Mais estruturada e com dados consistentes sobre o negócio, outras partes da empresa são alteradas e passam a ser mais controladas, gerando um potencial para novas melhorias. É o começo de uma nova cultura organizacional.

Anotar é necessário.

Como realizar uma gestão financeira saudável, com informações precisas e tomando as melhores decisões possíveis? A solução é bem simples, na verdade, mas exige dedicação e, principalmente, disciplina do empresário. Para tratar da gestão de custos, comecemos do processo mais básico, já conhecido pela “conta no papel de pão”. Um calendário simples com as entradas e saídas do dia resolve uma situação bem comum: a de não saber qual foi o fluxo de dinheiro que passou pelo estabelecimento durante aquelas horas de funcionamento.

Entender a importância da informação escrita e planilhada (cada um a seu modo, seja no excel, através de software ou no caderninho) é o primeiro grande passo. Os números estão no papel. E agora, o que fazer com eles? Sem susto, tudo que o empresário pode tirar de informação será decorrente das quatro operações básicas: adição, subtração, multiplicação, e divisão. Logo, assim como na época do colégio, não há motivo para pânico. Então, começamos a extrair informação daqueles dados brutos que possuíamos. Identificar quais são os indicadores vitais é essencial nessa fase: faturamento, ticket médio (a grosso modo, o quanto é gasto por um cliente quando efetua uma compra), custos fixos, custos variáveis, margem de lucro, entre outros.

E na prática, como fica?

Na minha experiência como Agente Local de Inovação - projeto do Sebrae em parceria com o CNPq, focado no desenvolvimento da cultura de inovação em pequenas empresas - ressalto sempre para os meus clientes a importância de uma gestão financeira estruturada e que serve como base para tomada de decisões estratégicas futuras. Uma pergunta recorrente é: Como posso dizer que quero reduzir meu custo em 10%, se não sei qual o valor dos 100%?

Foi com essa mentalidade que, atuando em um restaurante de alta qualidade no centro da cidade, implantamos a ação de criação de indicadores financeiros, levando a uma posterior análise dos custos e a um resultado extremamente satisfatório. Veja bem, nessa situação, os empresários já estavam conscientes da importância de munirem-se de dados e possuíam planilhas alimentadas com os custos dos seus insumos, mas ainda não estavam otimizando as informações que possuíam.

Assim, chegamos a fase do conhecimento. Utilizamos dados brutos para transformá-los em informação útil, que nada mais é do que os dados tratados. O conhecimento é quando trabalhamos essa informação e podemos aplicá-la, gerando um resultado palpável, tangível ou quantificável. O conhecimento levou à execução da ação, mudando o fornecedor do setor de horti-fruti e gerando uma economia de aproximadamente 50% com os insumos (como eles sabiam desse número? Bem, voltamos ao primeiro passo, mapeamento e alimentação da informação!).

Serve para todas as áreas!

Depois disso tudo, já imaginou o que poderia acontecer se esse modelo de gestão, economia e mudança fosse aplicado nos mais diversos setores da empresa? Que tipos de inovação em processos, produtos e relacionamento com o consumidor poderiam surgir, diferenciando-se ainda mais do mercado? Por isso, independentemente do setor em que a sua empresa atua, seja comércio, serviço, ou indústria, repense sua relação com a matemática e em como utilizá-la. Ou você quer que ela seja sua inimiga (como talvez tenha sido na época da escola) por quanto tempo ainda?

Clube Sebrae
Pedro Araujo Seguir

ALI - SEBRAE

Continue lendo
Indicados para você