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Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?

Qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?

Quais são os fatores que te impedem de desenvolver seu negócio? Quais são os pontos que necessitam de melhoria? O que te separa do sucesso? E o que VOCÊ pode fazer para melhorar tudo isso?

Sim, você mesmo! Você, empreendedor, idealizou a sua empresa, estruturou seus processos a sua melhor maneira, organizou, divulgou, investiu, planejou o futuro. E o que aconteceu nesse caminho? Podemos apostar que diversas situações não foram previstas: a crise política, a economia local, a concorrência desleal, o produto defasado, a equipe dispersa. E agora?

Durante a minha atuação em Santa Catarina no projeto como Agente Local de Inovação, algo bem interessante me chamou atenção. Uma quantidade significativa de empresários que atendo coloca uma série de justificativas plausíveis para sua empresa não estar como o planejado. Em especial, quero falar sobre uma situação - a sua equipe. E eu encontrei algumas respostas na psicologia: Freud nos tira da zona do conforto quando diz “qual a sua responsabilidade na desordem da qual você se queixa?”.

A culpa é de quem?

Você já ouviu falar sobre locus de controle? O psicólogo Philip Zimbardo em seu livro “A Psicologia e a Vida” nos explica: “Um locus de controle é uma crença sobre se os resultados de nossas ações são contingentes sobre o que fazemos (locus de controle interno) ou que a contingência está em eventos fora do nosso controle pessoal (locus de controle externo)”.

Quando algo acontece na sua vida, você sente que tem controle sobre isso? Você acredita que pode moldar o seu destino conforme seus esforços e ações? Isto é o locus interno. Você puxa para si toda a responsabilidade, e tem certo de que para qualquer situação, você pode fazer algo sobre.  Mas, se você sente que o seu sucesso está ao aproveitar chances, os bons ventos do seu horóscopo ou contar com a sorte – isso é locus externo. Sempre há uma desculpa que está além do seu alcance para tudo que acontece ao seu redor.

O seu negócio foi idealizado, estruturado, adaptado conforme a sua percepção e também, obviamente, a demanda de mercado. E então, de alguma maneira, os seus colaboradores não se entregaram à sua ideia. Em alguns casos, o ambiente profissional não é nada agradável e motivador. Bonificações já não são mais suficientes, processos começam a ser ignorados, conflitos surgem com maior frequência do que o normal, e por mais que você busque melhores alternativas para a empresa, estas não são colocadas em práticas de maneira efetiva. Nada adianta.

E aí?

E aí que uma das dimensões do Radar da Inovação é a Ambiência Inovadora. Esta dimensão avalia o ambiente profissional e os incentivos dados à equipe de colaboradores para o envolvimento com a empresa, busca de soluções e a implantação da cultura da inovação. E eu vou te contar um segredo: se você quer dar um novo ânimo para a sua empresa hoje, investindo recursos relativamente baixos, acredite: esta é a dimensão que merece o seu foco. Afinal, você não cobra proatividade dos seus funcionários? Mas o que VOCÊ faz para que eles vistam a camisa da sua empresa?

Foi então que buscamos a solução para cinco empresas das quais eu atendo no projeto ALI – os workshops. Defini junto com esses empresários quais eram os três temas que eles gostariam de abordar com a sua equipe, como proatividade, empatia e trabalho em grupo por exemplo.

Cada empresa definiu seus temas e então desenvolvemos um modelo de workshop no qual toda a equipe de colaboradores deveria participar; sem exceções, do funcionário da limpeza ao sócio proprietário.

Em meio a questionamentos de comportamento e mensagens motivacionais, provoquei essas equipes a colocarem a mão na massa. Este é um momento no qual todos estão reunidos com o mesmo papel – o colaborador se sente valorizado e motivado a cuidar da empresa como se fosse sua. Exercícios de análise SWOT coletiva, dinâmicas de grupo, brainstorming e planos de ação despertaram uma nova perspectiva.

O empresário, ao oferecer uma abertura para que a equipe ajude a construir o futuro da sua empresa, passa inconscientemente a seguinte mensagem: “ei equipe, preciso que vocês venham comigo”. E então, num passe de mágica, percebi times se unindo, vestindo a camisa juntos, buscando melhorar a realidade que antes apenas reclamavam.

Plim!

Eis a mágica que a psicologia nos provoca a testar: se eu posso reclamar sobre uma questão, eu posso também agir de alguma maneira para modificá-la. E assim, cada um assumindo a sua responsabilidade, o seu locus interno, para desenvolver a empresa em conjunto, como uma equipe.

Para muitos empresários, a inovação é algo para grandes corporações, com investimentos altíssimos, tecnologia, recursos sofisticados e pesquisas aprofundadas. Mas a inovação pode se encontrar nos detalhes, nas ações criativas, no pensamento flexível, nas pequenas mudanças de hábitos e pode estar ao seu alcance! E aí, o que você pode fazer sobre o que você se queixa? Vamos lá!

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Geovana Vello
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Agente de Inovação - SEBRAE/SC

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