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A automedicação corporativa

A automedicação corporativa

Uma vez estava eu centrado em meu trabalho, quando uma dor de cabeça repentina me acometeu. Perguntei então aos colegas do trabalho se alguém haveria de ter um analgésico, destes que ficam no fundo das gavetas. E eis que uma aspirina milagrosamente apareceu.

A dor de cabeça passou. Mas isto não me livrou de correr para um hospital em função de uma terrível reação alérgica ao “ácido acetilsalicílico”. Princípio ativo presente em vários analgésicos por aí. Aquela dor de cabeça, inocente por sinal, me roubou um dia de trabalho.

Como consultor tenho utilizado minhas experiências vividas e praticadas, tanto no ambiente corporativo como na vida, para ilustrar algumas situações que tenho observado em algumas pequenas e médias empresas: a automedicação corporativa.

Uma empresa é um organismo vivo, assim como o corpo humano. Tem um cérebro, coração, braços, pernas, boca e até um pulmão. É só pensar analogicamente na liderança, nos recursos humanos, em sua área comercial, na logística, compras e no departamento financeiro, representado pelo pulmão.

Hábitos saudáveis como boa alimentação e atividades físicas são fundamentais para todos nós, e também importantes para as empresas. Se pensarmos que planejamento é por exemplo uma boa forma de prevenir riscos.

A área financeira por exemplo é responsável normalmente pelas dores de cabeça. E esta dor pode ser um alerta de que algo pode estar indo mal.

É normal as empresas buscarem se automedicar sem antes conhecer um diagnóstico elaborado através de exames corretos.

Com um analgésico, a dor desaparece, vem uma sensação de alívio, mas na verdade não se agiu na causa, e sim no efeito. Logo uma outra reação pode aparecer, e talvez até mais intensa.

Esta situação muitas vezes ocorre e, fazendo-se uso de ações paliativas, como a automedicação por exemplo, diagnósticos imprecisos contribuem para a gradativa degeneração da empresa.

Às vezes os mesmos sintomas podem indicar causas diferentes. Numa empresa isto pode significar que a dor de cabeça do financeiro seja reflexo de problemas em outros setores por exemplo, e é justamente neles que deve ser iniciado o tratamento correto, com a indicação da medicação mais apropriada.

No Brasil, os empreendedores em geral, tem como uma de suas características partir logo para a ação e falar em planejamento é algo que está distante da sua realidade. Geralmente quando o negócio toma fôlego, ou seja, está crescendo, a necessidade de planejamento se torna mais evidente, no entanto, partir para a ação somente depois que o movimento da empresa foi previamente planejado, dá a sensação de que o negócio está engessado.

Neste caso, o planejamento é uma típica atitude saudável, onde os riscos do negócio podem ser minimizados e seu crescimento ser orientado e sustentado. Assim, a probabilidade da empresa ter “dores de cabeça” tende a ser menor.

A automedicação corporativa pode também ser atitude de quem está sempre em luta contra o tempo, como se analisar as origens do problema resultasse em conclusões que parecem óbvias (o que sugere a perda de tempo), e que o certo mesmo é partir imediatamente para a ação, ou seja, tomar logo um analgésico.

Beber bastante água, tomar vitaminas e chás, fazem parte de atitudes de prevenção e que visam manter a vitalidade das pessoas, mas a automedicação é um problema que vem sendo combatido há algum tempo, porque pode, principalmente, fazer com que alguns medicamentos simplesmente reduzam ou percam sua eficácia pelo uso indevido.

Nas empresas a situação não é diferente. Algumas ações podem estar com seu resultado abaixo do esperado pelo uso indevido de medicamentos, porque ninguém fez um exame com propriedade, não houve a prescrição ou porque ninguém se atentou ao menos em ler a bula.

Para evitar problemas como o que ocorreu comigo, e ir parar no hospital pelo uso indevido de um medicamento, aparentemente normal, sugiro sempre aos empreendedores que converso, analisar as causas e não os efeitos de suas “dores de cabeça” para assim, evitarmos um risco indevido, e principalmente, através de uma análise, executar o tratamento mais eficiente.

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Silvio Soledade
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Ajudando as empresas e seus executivos a alavancarem seus negócios, com produtividade e pessoas mais engajadas.

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