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A internet de tudo.

A internet de tudo.

Dias atrás, passeando por uma livraria me deparei com o título “A Terceira Onda da Internet”, escrito por Steve Case, co-fundador da AOL, presidente e CEO da Revolução LLC, uma empresa de investimento com sede em Washington, DC.

Como eu já estava com dois livros na mão, pesadinhos, e minha mãe querendo ir embora, confesso que li apenas a conclusão rapidamente, o que já me deixou muito intrigada e com a cabeça a mil (como de costume), já que trabalho diretamente com empreendedorismo e internet (tenho uma empresa de Inbound Marketing, junto com meu sócio Lukas Godoy).

Em resumo, o livro fala sobre o futuro da web, o renascimento do empreendedorismo, além de passar alguns ensinamentos e conselhos para sobrevivermos a essa nova era dos negócios, a chamada internet de tudo, ou IoE, na sigla em inglês.

Porém, antes da internet de tudo, temos a internet das coisas, que começou a ser discutida nos anos 80 e tem o conceito de que todos os objetos poderão ser conectados entre si (todas as máquinas farão conexões com outras máquinas, como é o exemplo da nike com aplicação de chips em tênis de corrida para monitorar os exercícios físicos com um celular da apple).

Essa era dará lugar a Internet de Tudo: uma mistura de dados, pessoas, coisas e processos que geram conexões e interações entre si. A rede estará integrada em tudo o que se refere a nossa vida - como comemos, como aprendemos, como nos locomovemos, como administramos nossas finanças, etc. Steve também fala que, indústrias líderes em cada setor econômico poderão sofrer rupturas. Se pensarmos um pouco mais na profundidade disso tudo, torna-se um pouco (ou muito) assustador, não?

Um artigo publicado pelo Olhar Digital, em 2013, diz que “a IoE tem potencial para alavancar os lucros globais das corporações em 21% até 2022”.

Bom, essa era, segundo Steve Case já está acontecendo, e podemos observar ao nosso redor, vem chegando quietinha até não conseguirmos mais viver sem, assim como eletricidade, o telefone celular e, a própria internet.

Ensinamentos para sobrevivência!

Segundo Steve Case, precisamos estar preparados para essa terceira onda. Muitos ignoraram a primeira e a segunda e acabaram sofrendo consequências graves, como é o caso da Kodak e outras empresas que se fecharam para o novo e não observaram o suficiente. Abaixo, listo as 5 estratégias para sobreviver a terceira onda, tiradas do próprio livro:

“1. Seja curioso, ser paranóico

Como muitos têm apontado: a maior editora da atualidade não produz conteúdo (Facebook), mais de um milhão de pessoas se hospedaram com a maior empresa de hospitalidade do mundo (Airbnb) no Ano Novo de 2016, mesmo que essa empresa não possua nenhum quarto de hotel e a maior serviço de táxi não é dono de nenhum carro (Uber). Esta é a ponta do iceberg. Se você está apenas começando, ou sua empresa tem sobrevivido por décadas, não tenho nenhuma dúvida: os objetos no espelho retrovisor estão mais próximos do que parecem.

Os CEOs, empresários e funcionários precisam abraçar uma visão de mundo de que uma mudança está chegando – e então precisa articular essa visão de mundo, interna e externamente. Cada membro de sua equipe terão de ser curiosos sobre hoje e que está vindo amanhã com a atenção focada para o que está acontecendo nas bordas de sua indústria com um olho para o que pode acontecer a seguir.

2. Conheça o seu lugar

Nunca foi tão fácil de se abrir e ganhar escala da cidade que chama de lar – não é mais necessário mudar suas operações para Londres ou São Francisco. Estamos descobrindo que a autenticidade local é fundamental. As empresas que utilizam o DNA local de uma cidade estão melhor posicionadas do que nunca para terem sucesso. Descubra o que sua cidade local faz bem e use isso. E alavanque utilizando novas ferramentas como crowdfunding para levantar o capital que você precisa para iniciar ou escalar.

3. Seja um atacante, não um defensor

Como CEO da Amazon, Jeff Bezos observou recentemente, não é uma questão de SE a Amazon será substituída, mas quando será. No mundo dos negócios, há atacantes e defensores. Start-ups estão no ataque e jogam na ofensiva porque eles não têm uma escolha. A mentalidade corporativa, por outro lado, é muitas vezes para proteger o status quo.

Os atacantes são apaixonados sobre maximizar oportunidades.

Com demasiada frequência, os defensores estão focados em minimizar os riscos. Mas em uma economia que está mudando rapidamente, a inação ou incrementalismo é muitas vezes o maior risco de todos. A Kodak sabia que a revolução da câmera digital estava chegando em 1975, quando um de seus engenheiros a inventou. Eles sabiam que a fotografia digital poderia interromper o seu negócio principal de filmes, a longo prazo, mas os executivos estavam mais preocupados com a curto prazo e não fizeram os investimentos certos em R & D. A Kodak declarou falência em 2012.

É fundamental que as organizações inclinem-se para o futuro, e tenham um viés para a ação e inovação. Fazer mais experimentos – sabendo que muitos falharão – permitirá que as empresas estabelecidas se tornem mais ágeis, mais inovadoras e mais empreendedoras.

4. Envolva-se com o governo

Os governos vão ser mais centrais na Terceira Onda do que foram na Segunda Onda. Você pode não gostar mas é verdade. Se você não consegue descobrir como trabalhar com o governo – e como conseguir que governo trabalhe com você – você não será capaz de sobreviver, ou transformar setores como saúde, educação, energia, serviços financeiros, ou alimentação. Eles têm regimes regulatórios complicados e políticas complexas. Não fuja deles, corra em direção a eles, e você estará bem posicionado para a Terceira Onda.

5. “Se você quiser ir longe, vá junto”

Há um provérbio africano que eu vim a apreciar: “Se você quiser ir rápido, vá sozinho. Se você quiser ir longe, vá junto.” Nos últimos anos, se você teve uma grande ideia para um aplicativo, você pode ir sozinho – era tudo sobre como obter o produto certo e impulsioná-lo via adoção viral. Mas na Terceira Onda, as parcerias serão fundamentais. Start-ups precisam fazer parcerias com empresas para escalar. E corporações precisam fazer parceria com start-ups para que eles possam se beneficiar de inovações na periferia, e estarem bem posicionadas para terem um pedaço do futuro.”’

Steve Case - co-fundador da AOL, é o presidente e CEO da Revolução LLC, uma empresa de investimento com sede em Washington, DC Seu novo livro, “The Third Wave: Visão de um empreendedor do Futuro”, foi lançado essa semana pela Simon & Schuster.

Marketing e Comunicação

Levando esse contexto para o marketing, podemos observar que a terceira onda da internet é uma ótima notícia para quem investe em serviços de comunicação e marketing digital (especificamente o Inbound Marketing), porém, péssima notícia para aqueles que ainda acreditam que o offline pode andar sozinho. A hora de mudar é agora, aliás, já deveria estar acontecendo.

Vida

Indo um pouco mais além, e levando o contexto da Terceira Onda da Internet para nossa vida, podemos nos preparar também. No livro, Steve Case fala, especificamente para empreendedores, para que façamos as coisas com propósito, não apenas para melhorar uma parte de nossas vidas, mas as vidas como um todo. Sustentabilidade (ambiental e humana), amor ao próximo, questões sociais e culturais, são valores mais do que apreciados pelo consumidor, são essenciais para a vida de uma empresa.

Tendências para reflexão

Primeiro é importante saber que essa é uma visão minha das coisas que tenho observado e que me fizeram pensar enquanto estava lendo a conclusão do livro, na livraria, no comecinho deste artigo.

Ao mesmo tempo em que a internet está “tomando conta” da nossa vida, há uma tendência de “desligamento”: as pessoas estão buscando paz em suas vidas, praticando meditação (movimento que vem crescendo bastante nos últimos anos), a busca pela verdade, maior contato com a natureza, alimentação mais saudável (tendência para o vegetarianismo/veganismo), relacionamentos verdadeiros, mais próximos e duradouros. Também um caminho sem volta.

Acredito que, para vivermos (bem) no mundo de hoje e do futuro, precisamos saber equilibrar, para não deixarmos que a internet tome conta, inclusive, das nossas almas.

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