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A neurociência aplicada à gestão de pessoas

A neurociência aplicada à gestão de pessoas

Segundo James Heckman, ganhador do prêmio Nobel de Economia de 2000, a personalidade de um adulto é como um prédio. A estrutura é estável, mas o acabamento pode mudar de acordo com a vontade do morador. Ou seja, você não pode trocar o prédio de lugar, mas pode modificar a pintura, o piso, a decoração, os encanamentos, o isolamento acústico, os eletrodomésticos e até transformar um quarto em uma sala.

Ocorre algo semelhante com a personalidade. A introversão é estrutural, pois faz parte da estrutura genética/ambiente desenvolvida até o fim da adolescência, e mudará pouco. Portanto, é muito improvável que um adulto tímido se transforme em extrovertido, pois essa essência faz parte da estrutura de seu prédio/personalidade.

Não obstante, essa pessoa pode mudar o acabamento de sua personalidade/prédio ao aprender a falar em público, expressar-se com mais clareza e até participar de alguns eventos sociais, sem deixar de ser, na essência, uma pessoa introvertida e reservada na maior parte do tempo.

Para efeitos práticos, entre 70% e 80% de sua personalidade é estrutural (o prédio não mudará de lugar), mas 20% a 30% têm a ver com o acabamento e pode ser melhorado quantas vezes você quiser.

Os neurocientistas chamam de neuroplasticidade a capacidade do cérebro humano de modificar sua estrutura neural (criar novas ligações entre os neurônios) para aprender atividades inéditas e até ajustar comportamentos. Nosso grande desafio é identificar o que é estrutural e deveria ser aceito, e o que é acabamento e poderia ser ajustado.

A principal dica para identificar as diferenças entre estrutura e acabamento é prestar atenção àqueles comportamentos, aptidões e até dificuldades que apresentamos desde a infância. Veja um quadro com alguns exemplos de comportamentos estruturais e sugestões para melhorar o acabamento:

Outras habilidades que costumam ser estruturais:

- Ter facilidade para improvisar.

- Ser muito bom para fazer cálculos matemáticos complexos.

- Ter facilidade para gravar novas informações.

- Ser engraçado ou bem-humorado.

- Ser muito dedicado ou comprometido com suas tarefas.

- Ter facilidade para falar em público.

- Entender rapidamente de que as pessoas precisam.

- Ter dons artísticos.

- Ter habilidades esportivas.

- Ter aptidão para liderar.

Resumindo, para definir melhor suas prioridades com relação à gestão de pessoas, você precisa conhecer suas (e de seus subordinados) características estruturais mais marcantes e usá-las ao máximo; precisa também ajustar o que está faltando através do acabamento (neuroplasticidade cerebral) e dar tempo para que os resultados apareçam.

Entretanto, cuidado! Não vale como desculpa se acomodar porque a estrutura muda pouco. Pelo contrário, é absolutamente possível e necessário melhorar o acabamento de forma contínua.

A estrutura pode ser comparada a um cavalo, e o acabamento, ao cavaleiro. O cavalo é muito maior, mais forte e mais pesado. No entanto, o poder está com quem? Um cavaleiro bem treinado domina seu cavalo. O acabamento deve dominar a estrutura.

Clube Sebrae
Eduardo Ferraz
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Consultor e palestrante. Tem mais de 25 anos de experiência e cerca de 30 mil horas de prática com consultoria em empresas e em treinamentos na área de gestão de pessoas. É comentarista em vídeos na EXAME.com e colunista na rádio BandNews.

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