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As 4 perguntas que vão determinar o futuro da indústria de automóveis — e suas respostas!

As 4 perguntas que vão determinar o futuro da indústria de automóveis — e suas respostas!

A indústria de automóveis é, sem dúvida, uma das que mais vai sofrer mudanças nos próximos anos, em especial por conta do surgimento de novas tecnologias disruptivas para os veículos. Já falei aqui sobre algumas tendências apresentadas no estudo Think Act - Automotive 4.0, desenvolvido pela Roland Berger Strategy Consultants, e entre os mais determinantes na opinião deles estão a conectividade, a mobilidade compartilhada e os carros autônomos.

Estamos vivendo ainda a indústria 3.0 mas já em transição, caminhando em direção ao momento 4.0 deste segmento tão determinante para a economia mundial. Prever o que vai acontecer é impossível, mas o planejamento diante das possibilidades ajuda os envolvidos neste negócio a visualizarem os cenários possíveis para o mercado. Isso porque são mudanças que não vão simplesmente acontecer da noite para o dia, mas sim aos poucos se tornar realidade de acordo com a maturidade do mercado e dos consumidores.

Neste contexto, reunimos abaixo 5 perguntas — e suas possíveis respostas — que o estudo apresenta, tendo como base o mercado norte-americano, como as questões determinantes para os executivos desta indústria. Veja só!

1. Como as principais métricas do mercado serão afetadas: número de motoristas, vendas, veículos em uso e proprietários de veículos?

O primeiro número apresentado pelo estudo revela que com esta evolução da indústria automotiva, cerca de 32 milhões de pessoas teriam a oportunidade de se tornarem motoristas. Isto porque este novo mercado atrairia usuários de todos os outros meios de transporte que agora também poderiam escolher utilizar a mobilidade sob demanda, por exemplo. Além disso, adolescentes e pessoas sem possibilidade de ter habilitação também poderiam utilizar estas novas oportunidades de mobilidade.

O número de veículos em uso naturalmente tende a diminuir, no entanto, as vendas anuais de automóveis podem crescer, já que o número de quilômetros percorridos vai aumentar ao invés de diminuir. Atrelado a isso, mesmo com um novo entendimento do que é possuir um veículo, o número de indivíduos proprietários de automóveis continuará sendo dominante. A explicação para este fato se deve ao baixo impacto que a mobilidade sob demanda deve ter em cidades pequenas, subúrbios e áreas rurais, onde a baixa densidade populacional não justifica o crescimento deste novo modelo.

2. O que vai acontecer com o atual portfólio de veículos?

A previsão do estudo mostra que a mobilidade sob demanda e os veículos compartilhados vão criar uma nova categoria na indústria. No entanto, os automóveis pequenos presentes nos mercados em desenvolvimento vão continuar servindo como a primeira opção para seus donos. A diferença crucial é que, como estas novas tecnologias vão reduzir os gastos com mobilidade, os consumidores vão poder então direcionar este dinheiro para modernizar e melhorar aqueles veículos que eles já possuem.

Esse movimento vai resultar em mercado um poucos mais, digamos, "gourmetizado", pois muitas famílias vão reduzir o número de carros de 2 ou 3 para apenas 1, complementando suas necessidades com a mobilidade sob demanda. Ou seja, todo o recurso que antes era investido em 3 veículos vai poder ser direcionado para apenas 1. Além do mais, a conectividade e os veículos autônomos vão proporcionar uma nova experiência de locomoção, onde os consumidores poderão se dedicar a qualquer outra atividade enquanto utilizam seus carros.

3. Quais são os riscos e oportunidades para a cadeia produtiva?

Definitivamente o maior risco enfrentado será no mercado dos fabricantes e montadoras que terão uma redução estimada em US$33 bilhões. Apesar do volume de vendas crescer — como falamos acima — o preço médio dos veículos vai reduzir, e este é o principal ponto vai influenciar essa redução geral do mercado. A distribuição dos veículos também deve diminuir em cerca de US$2 bi, por conta da capacidade de negociação que os compradores para mobilidade sob demanda terão, já que devem adquirir os veículos em quantidades maiores.

Mesmo com a redução dos mercados ao longo de boa parte da cadeia produtiva, esta mudança na indústria de automóveis vai criar oportunidades para players em todas as áreas. As maiores estarão presentes no segmento das peças e componentes, que deve crescer em pouco mais de US$15 bi, e na participação nos serviços sob demanda, que deve ser uma oportunidade de US$113 bi.

4. Quem pode vencer no mercado da mobilidade sob demanda?

Esta é a pergunta que não calar, e para respondê-la o estudo apresenta dois cenários futuros possíveis. No primeiro a vitória é das fabricantes de automóveis, e no segundo a conquista é dos terceiros, mais ligados com a oferta de serviços de mobilidade.

No primeiro caso o contexto apresentado mostra os fabricantes se adaptando à nova realidade e aumentando sua participação em novos modelos de negócio e tecnologias disruptivas — como o compartilhamento de veículos, soluções conectadas, carros autônomos, e etc. Com isso aumentariam as chances de eles pegarem uma boa fatia deste novo mercado de mobilidade. Junte-se a isso a forte associação que os consumidores já fazem à estas marcas e o seu bom posicionamento, e assim teremos um contexto de vitória para os fabricantes.

Na segunda opção seriam os provedores de serviços e novos modelos de mobilidade que sairiam na frente nesta disputa de mercado. Como as expectativas dos consumidores tendem a mudar neste novo contexto, a tendência é que as pessoas se preocupem mais com a conveniência e a experiência de uso de um serviço de mobilidade, do que com a marca do automóvel que oferece o serviço. Pesquisa inclusive já mostram que os usuários acreditam que empresas de tecnologia entendem melhor os consumidores e estão mais aptas que as fabricantes de carros a oferecer um serviço deste tipo.

O contexto de transição no mercado da indústria de automóveis nos enche de perguntas sobre o futuro que nos aguarda. Para uns, motivo de preocupação, para outros, motivação para um novo mundo de novidade.

E para você? Qual o sentimento para este mundo novo de possibilidades que pode existir no futuro? Comente abaixo!

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