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As empresas do futuro preparam-se no presente

As empresas do futuro preparam-se no presente

Para inovar e fazer diferença, é necessário mirar adiante... e também enxergar o agora.

Como pudemos ver nos dois primeiros artigos da série de macrotendências de 2018 para pequenos negócios, o mundo está em um período de grandes transformações e diversas novas exigências. Seja pelos avanços tecnológicos ou mesmo pela saturação dos já velhos moldes da indústria, o fato é que o mercado tem sofrido muitas mudanças devido às novas demandas sociais.

Nesta terceira macrotendência, o que está em jogo não é exatamente o público consumidor ou quaisquer outros fatores externos às empresas, mas sim o que acontece dentro delas. Esta tendência trata de como as empresas valorizam e cultivam a si mesmas, e como se planejam para lidar com o que ainda está por vir — isto é, como vão encarar o novo e o desconhecido. Nesta macrotendência falamos sobre pensar em uma Gestão para o Futuro.

Analisar a si, saber de seus potenciais e de suas fraquezas, e investir na própria sustentabilidade alinhada à atualidade é o cerne de toda empresa preparada para as novas oportunidades (e exigências) de mercado e também para os próximos anos da sociedade. Temas como desenvolvimento humano, adaptabilidade, simplicidade, consciência da finitude de recursos e liderança empática são alguns dos novos pontos essenciais para manter-se em sintonia com o mercado do presente e do futuro.

No Paraná, a SetaDigital dá um exemplo de inovação nesses aspectos. A empresa, dirigida pelo CEO Vanderlei Kichel, é uma desenvolvedora e fornecedora de softwares e serviços para o varejo calçadista, que em 2016 e 2017 esteve entre as Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil (segundo o ranking do Instituto Great Place to Work® - GPTW). Seus principais destaques se dão pela criação de uma loja-laboratório (a Sapati — Sapataria Inteligente) e pelo tratamento dado aos colaboradores e clientes.

 

 

 

O conceito de loja-laboratório ainda é muito recente no Brasil e, segundo Vanderlei, a Sapati é a primeira em território nacional a possuir este perfil. Isto porque, embora seja uma loja ativa — que possui inclusive endereço físico — a Sapati é de fato um laboratório. Vizinha de porta da SetaDigital – ambas estão localizadas num edifício no centro da cidade de Cascavel – as duas empresas são capazes de testar juntas e em tempo real as versões dos sistemas que a empresa-mãe desenvolve. Isso permite sentir como os lojistas e consumidores se relacionam com os serviços e assim identificar novas necessidades e criar novas tecnologias para otimizar as experiências de compra a todos os envolvidos.

 

Além disso, a SetaDigital também é referência de gestão e cultura internas. Na parte de planejamento estratégico, Vanderlei conta que a empresa se mantém sempre preocupada em acompanhar as evoluções tecnológicas, as necessidades dos clientes, os movimentos dos concorrentes, e os novos passos da sociedade em geral. Eles revisam o planejamento estratégico anualmente e corrigem o que for necessário para que os rumos da empresa continuem acompanhando o mercado. Já na parte de gestão de pessoas, Vanderlei afirma que há anos vêm dedicando recursos à qualidade de vida e cuidado dos funcionários: "investimos muito na formação do crescimento profissional dos colaboradores e em criar um bom ambiente de trabalho, assim como em criar uma cultura organizacional que esteja alinhada com a equipe". Alguns desses cuidados podem ser percebidos em ações como as frutas que são disponibilizadas diariamente nos intervalos, possibilidade de ginástica laboral, implementação de uma biblioteca, sala de jogos, confraternizações mensais, e programas de saúde (como check-ups anuais e palestras feitas por médicos que visitam a empresa).

Investir em inovação e no bem-estar dos colaboradores também é especialidade da Mirum. Há quatro anos consecutivos a agência digital tem sido reconhecida pelo GPTW como uma das melhores empresas para se trabalhar no Paraná. Na classificação mais recente, ficou entre as 10 melhores empresas do Brasil, na categoria "Multinacionais Médio Porte". No total, a empresa conta com mais de 280 colaboradores no país, com sede em São Paulo e Curitiba – e pelo mundo, estão presentes em 47 escritórios espalhados por 24 países.

            A sede paranaense da empresa explora algumas alternativas voltadas para o ambiente físico do trabalho, como estrutura ampla sem salas ou divisórias, academia, quadra de futebol, sala de jogos e espaços para confraternizações. Porém mais do que soluções físicas, a companhia recorre também a um modelo de gestão focado no desenvolvimento e satisfação profissional dos seus colaboradores. Atuando horizontalmente, a Mirum abre espaço para que todos possam expor suas ideias e propor soluções às adversidades cotidianas da agência, confiando aos colaboradores os mesmos sentimentos de responsabilidade e orgulho que seriam os de um dono de uma empresa. Há inclusive muito incentivo para os estudos, como um programa de idioma que subsidia 70% do curso, viagens para participar de eventos internacionais e ainda um grupo interno da empresa, formado por técnicos e especialistas que desenvolvem treinamentos para manter todos os colaboradores atualizados e sintonizados com as novidades do mercado. Segundo a Gerente de Conteúdo da companhia, Vanessa Vieira, o clima de colaboração e todos os incentivos que a agência proporciona contribuem para que a atmosfera no local seja motivo de orgulho.

            Recentemente a Mirum iniciou um projeto de aceleração de talentos — o MOX — que se propõe a capacitar novos ingressantes no mercado através da cultura da agência, tanto pelo modo de pensar como pela competência técnica. "Acreditamos que investir em pessoas é investir em um futuro sustentável para a própria agência. Estamos abertos para a inovação e nos mantemos em constante aprendizado. Para continuarmos na vanguarda do mercado, cabeças abertas e vontade de fazer acontecer são fundamentais", conclui Vanessa.

            Outra empresa que também ganhou os holofotes do mercado graças ao seu modelo de gestão é a Conta Azul, de Joinville. A startup oferece uma plataforma de gerenciamento financeiro para micro e pequenos empreendedores, onde através da automatização de processos possibilita salvar até 20 horas laborais por semana. No entanto, ao contrário do que pode parecer, a Conta Azul não visa substituir a função dos contadores: a plataforma apenas facilita o processo operacional de trabalho de ambos os lados. A startup na verdade ainda cria parcerias e conecta contadores às empresas clientes, de modo a capacitá-los para que formalmente possam se tornar empresários de contabilidade. E assim como na SetaDigital e na Mirum, o ambiente de trabalho na ContaAzul também não deixa a desejar: as instalações possuem salas de usabilidade, yoga, bar, e a decoração do espaço é devidamente explorada. Nesse quesito, seu maior diferencial talvez se dê no setor de Recursos Humanos, que preza por um ambiente de diversidade entre seus colaboradores e faz com que atualmente mais da metade deles não sejam naturais de Joinville. Há também uma preocupação em equiparar as quantidades em gênero, etnia etc. A startup possui ainda um blog online onde frequentemente publica informações sobre a empresa e textos de discussão sobre temas voltados a cultura, design e engenharia.

No quesito de comunicação, a ContaAzul é semelhante à Thoughtworks que, como mencionamos recentemente no artigo sobre Os Novos Comportamentos de Consumo, também conta com um blog e publica diversos insights semanalmente. Mas indo além dos meios digitais, a comunidade de desenvolvedores também publica livros e organiza eventos a fim de fomentar discussões na área. A esse mindset das empresas, que foca em dividir seus conhecimentos e fortalecer a sua comunidade, chamamos de Cultura do Compartilhamento.

Falando em mindsets, outro "novo olhar" que está trazendo resultados bastante interessantes para o mercado é o da co-criação. A Visa, por exemplo, inaugurou em 2016 o Visa Brasil Co-Creation Center, um espaço totalmente dedicado a trabalhar a co-criação com importantes players do mercado brasileiro, a fim de explorar o futuro das soluções de pagamento e aproximar a empresa dos clientes. Já na Alemanha, o Deutschebank está utilizando um recurso chamado crowdstorming para convidar o público a sugerir ideias de uso de inteligência artificial no atendimento. E a Lego, há alguns anos mantém uma comunidade online que coleta e propõe novas ideias, submetendo-as à votação dos participantes. Quando um projeto atinge 10 mil votos, a empresa considera a ideia e viabiliza o projeto (sempre sob aprovação do criador).

Co-criar acaba por vezes sendo também uma maneira de gerar um storytelling genuíno para as marcas. Uma vez que o público envolve-se com os processos e sente ter contribuído para um projeto, a participação torna-se motivo de orgulho e a relação entre marca e consumidor transforma-se num vínculo afetivo.

Mas a co-criação não é a única forma de construir histórias positivas e reais, e o Nubank é um ótimo exemplo para este caso. A empresa, que começou como uma start-up de cartões de crédito sem taxas de anuidade, entregou diversas inovações para os clientes do setor bancário, como a facilidade de administrar tudo a partir de um aplicativo (que aliás, apresenta ótima interface e experiência do usuário) e o atendimento descomplicado, eficiente e atencioso. O Nubank é conhecido por ter conseguido transformar seus clientes em fãs, e estes agora compartilham diversas declarações de amor à empresa nas redes sociais. Hoje, a companhia conta com milhões de solicitações de seu cartão e uma lista de espera de mais de 500 mil cadastros.

Em todos os casos apresentados neste artigo, podemos perceber que a grande razão em comum é o cuidado em mínimos detalhes com cada um dos envolvidos das empresas. Sejam colaboradores, audiência, ou quaisquer outros stakeholders, é necessário compreender que saúde (física e emocional), bem como qualidade de vida, são fundamentais para a satisfação e confiança dessas pessoas. No mundo de hoje e adiante, as empresas que não considerarem zelo e empatia como pilares de gestão, podem enfrentar grandes dificuldades com a motivação e a lealdade daqueles que, no fim, são seus grandes motores.

Por outro ângulo, além das questões voltadas à relação empresa-stakeholders, nota-se que as empresas mencionadas neste artigo ainda dão um tratamento especial para a inovação, concedendo-lhe o espaço de uma parte estrutural em seus negócios. Seja através de ambientes dedicados ou mesmo através da inclusão de etapas como prototipação e teste durante a execução dos projetos, o importante é que a inovação ocupe sempre um posto de relevância na empresa.

Quer saber como aplicar estas inovações em seu negócio? Baixe aqui nosso Caderno de Tendências 2018/2019 e ferramenta exclusiva para gestão de tendências.

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CEO - UNA Smart

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