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Cliente acolhido é marketing de engajamento?

Cliente acolhido é marketing de engajamento?

Sim. Cliente acolhido é marketing de engajamento. Pronto.

Eu poderia parar por aqui porque a resposta está dada. No entanto, como você é um leitor qualificado, ou seja, uma pessoa que precisa de argumentos sólidos e verdadeiros para formular sua opinião, devo discorrer contando a história de Pedro.

Segundo a bíblia católica, Pedro negou Cristo por três vezes. Há também a crença no meio empreendedor que o ciclo sucesso se dá antes por três fracassos ou três infortúnios investimentos. Pedro teve três negócios antes de prosperar vertiginosamente.

FRACASSO 1

Pedro abre um restaurante em 2010 com foco no público mais qualificado financeiramente. Só pratos a la carte, ótima atmosfera gastronômica. Há o propósito de difundir a cultura gaúcha num local diferenciado. E apesar de ter ótima qualidade em sua culinária, os sócios de Pedro transformam aquele restaurante em sua extensão de casa.

Ora tratam bem o cliente, ora tratam com desrespeito, afinal de contas, em casa não temos tanto compromisso com os relacionamentos como temos em outros ambientes.

Pedro percebe isso e sofre, mas não tem forças pra mudar este cenário e quebra por falta de clientes depois de um ano sofrendo com o fluxo de caixa.

FRACASSO 2

Pedro abre uma padaria em 2012 num bairro sofisticado de Curitiba. Ótimo investimento com ambiente decorado. Produtos super requintados e de ótima qualidade. Localização "elitizada" e tudo para dar certo. Pedro quebra novamente depois de 2 ano sem clientes e sofrendo de novo com o fluxo de caixa.

Ele de novo sofreu com o engajamento. Não há clientes defensores, fãs, pessoas que sempre estão em sua padaria. O rodízio de pessoas entrando na padaria é grande. Ele não conquista como ambiente.

"O que pode estar errado", ele pensa?

Detalhe para o cenário mais caótico. Desta vez, Pedro tem a dívida do primeiro investimento ainda ativo. Agora existe, portanto, o prejuízo de um segundo negócio. Pedro não aguenta mais este ambiente, porque ele também sofre com a quebra generalizada de 2014.

A bolha econômica o atinge violentamente, porque os investimentos somem, os empregos ficam extremamente escassos e a necessidade de sobrevivência baseada na Pirâmide de Maslow vira uma realidade latente. Só um prato acalenta Pedro agora: socorro!

FRACASSO 3

Pedro sente o fracasso em seu DNA empreendedor porque não consegue visualizar mais nada. Nem emprego está ajudando. Ele vende tudo o que tem para pagar as dívidas e tentar limpar seu CPF.

Pedro está falido.

A única coisa que sobra é o maquinário básico para fazer pão e bolos. Além claro de seu conhecimento para produzir alguns produtos de padaria. Ele começa a morar na periferia de Curitiba. Abre na casa que aluga uma mini micro pequena padaria de balcão. Uma porta aberta, dentro da sala de casa é o novo negócio de Pedro.

Pedro precisa de dinheiro rapidamente. Precisa vender seus pães de forma urgente. Ele está com dívidas para pagar contas básicas. Ele precisa pagar o aluguel daquela casinha que ele mora e trabalha ao mesmo tempo com sua esposa. Pedro começa a distribuir bolos caseiros para as pessoas que entram em sua portinha.

As pessoas compram pães. Elas elogiam e voltam para comprar mais. Pedro começa a vender melhor do que vendia quando tinha a padaria grande. Ele percebe que seu bolo está engajando pessoas. Elas se sentem acolhidas naquele ambiente super pequeno.

PEDRO E O ENGAJAMENTO

Pedro começa a chamar os clientes pelo nome. Eles sempre estão voltando com feedbacks humildes. Pedro ouve muito eles. Os bolos continuam sendo oferecidos. Estes mesmos bolos começam a ser encomendados. Ele vende agora pães e bolos. Pedro também disponibiliza torradas de alho assadas e ensacadas. Pedro começa a vender as torradas também. Pedro sempre ouve dos clientes como fazer aquele café tão saboroso que ele oferece com os bolos agora.

Pedro marca uma tarde par ensinar as pessoas a fazer café coado com sabores. Tudo sem cobrar. As pessoas aparecem para aprender e saem com grandes encomendas de bolos e torradas.

Pedro precisa sair da casa onde ele mora porque a demanda de padaria precisa ser atendida. Muitas pessoas estão querendo cada vez mais.

Pedro cresce no negócio e depois de 2 anos, em plena crise econômica brasileira, Pedro prospera com três padarias na mesma região. Todas elas vendendo muito.

Pedro entendeu que acolhimento gera engajamento. Era isso que faltava para ele fidelizar os clientes. Ele entende agora a equação do empreendedor. O resultado está no marketing de engajamento. Opa. Ele nunca ouviu esse termo. O resultado está no boca a boca. Agora sim!

Marketing de engajamento e boca a boca são mecanismos que almejam o mesmo resultado. São equações bastante similares que encontram no acolhimento uma forma bem específica de conquistar fãs, ou como você queira chamar, clientes defensores.

A sua história é parecida com a de Pedro? Você entende qual foi a jornada do empreendedor para conquistar o amadurecimento?

O ponto que defendo neste artigo é a importância que devemos dar ao acolhimento de clientes como um dos dogmas mais fortes no empreendedorismo. Como o texto está extenso, vou continuar numa próxima ocasião sobre este mecanismo fundamental. Não perca o próximo texto porque será fundamental para você aplicar o acolhimento na prática em seu negócio. Deixe seus comentários aqui que eu trarei as respostas para lhe ajudar.

Até mais.

 

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Rafael Cardoso
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Um cidadão que deixou de ser passivo para trazer luz e ambiente à discussão social e político.

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