Força nos Likes
[editar artigo]

Força nos Likes

Lembro bem de uma aula de ciências que tive há uns 15 anos atrás. Naquele dia, minha professora falou sobre tempo histórico e tempo geológico; e compreendi que o primeiro abrange mudanças muitíssimo mais velozes do que o último. Se o geológico se atém à formação do universo e seus seres, o histórico se debruça sobre as mudanças sociais, antropológicas e por aí vai. A mudança mais estrondosa que tivemos no tempo histórico nos últimos anos foi a comercialização da internet – avançamos séculos em duas décadas.

Conhecer lugares e pessoas, desenvolver tecnologias, comprar e vender nunca foi tão rápido. Paulatinamente a rede mundial penetrou nosso cotidiano e se tornou ainda mais necessária depois que as redes sociais foram criadas. Nesse momento você já deve estar lembrando do Facebook ou mesmo enquanto lia o texto recebeu alguma notificação. >>> Esse post <<< (que é de 2015 e já está velho, veja você), comenta sobre as mudanças que o Facebook trouxe às nossas vidas. Uma dessas grandes mudanças é a forma como compramos e vendemos; nossa relação com produtos e marcas. Todos nós estamos mais do que convencidos que uma empresa precisa estar no Facebook para aumentar (e muitas vezes garantir) sua visibilidade, certo?

Errado! Em minha atividade como Agente Local de Inovação (ALI – programa de acompanhamento e incentivo à inovação para micro e pequenas empresas desenvolvido pelo Sebrae em parceria com o CNPq)) , percebi que o consumo dessa ferramenta varia muito de região para região. Atendo pequenas empresas do oeste catarinense e ouço uma frase recorrente: “meu público não está no Facebook” – afirmação que me fez refletir sobre:

1. Por que enxergam o Facebook como supérfluo?

2. O quanto as empresas conhecem sobre o público de seus produtos/serviços?

3. Quantos segmentos de cliente estão perdendo?

Diante desses questionamentos, trago o exemplo da Farmácia Brasil. A empresa atua em Concórdia, município com cerca de 75 mil habitantes no oeste de Santa Catarina. Entre os produtos que oferece, estão os medicamentos, cosméticos, artigos de higiene, aromatizantes e manipulados. Em setembro de 2016 resolvemos criar a página da Farmácia. Durante a criação, fui explicando passo a passo, de forma que meu primeiro questionamento obteve resposta. Fenômeno muito frequente entre pequenas empresas do interior é criar um perfil pessoal ao invés da fanpage. Dessa forma, perdem uma infinidade de informações valiosas sobre o perfil de seus clientes, consumo da marca e interesse por produtos e serviços – dando a impressão de que a ferramenta serve apenas para receber likes.

Analisando os dados com os proprietários da Farmácia Brasil, identificamos que desde a sua criação, a Farmácia Brasil obteve 500 curtidas (sendo a maioria orgânica) e uma média de 400 visualizações por post. Alguns desses posts foram impulsionados (pagos, portanto). Os produtos promovidos nos posts impulsionados tiveram maior procura após a ação, segundo os proprietários. Além disso, criou-se um novo canal de comunicação oficial com os clientes – fato que eclode meu segundo questionamento.

A Farmácia Brasil é uma empresa bastante familiar de Concórdia, por ter como proprietário uma figura popular na cidade. Reconhecem que parte majoritária de seus clientes é fidelizado por esse motivo; sendo, muitos deles, idosos. E aí aparecem as dúvidas sobre as características destes grupos – o consumo, o perfil... Por exemplo: a crença é de que os idosos não estão no Facebook, sendo que ele é a rede social mais usada por idosos e este é o público que mais cresce dentro da plataforma. Uma queixa explicitada por essa empresa, mas que é frequente na região, é a relação custo x benefício dos investimentos nas rádios e jornais impressos (que são mais caros, e já não trazem tanto retorno) e das mídias digitais (mais baratas e que atingem um grande número de pessoas, permitindo o acompanhamento dessa audiência). Essa indagação deixa claro que é preciso entender melhor o perfil de consumo de informações dos clientes atendidos. A questão é apenas como abordá-los: entender qual é o seu perfil.

Nessa linha de pensamento, refleti sobre minha terceira questão: existem crenças limitantes sobre os grupos que ainda não são atendidos pela Farmácia. É claro que a abordagem é diferente para cada empresa, mas se o Facebook (também outras redes sociais e ferramentas digitais) não é utilizado pelo seu perfil principal de clientes, então há uma porção de consumidores em potencial que ainda não foi explorada lá dentro. Afinal, os consumidores estão online não só para comprar diretamente de e-commerces – mas também para comparar preços. Prova disso foram os contatos realizados pela página da Farmácia Brasil – pessoas que até então não tinham comprado ou estabelecido contato com a empresa.

Em resumo, a utilização do Facebook como ferramenta de marketing trouxe os seguintes benefícios à Farmácia Brasil:

• Maior visibilidade aos produtos que ela comercializa;

• Fortalecimento da marca;

• Exploração de novos públicos;

• Aumento da procura nos produtos promovidos por impulsionamento.;

Em resumo: é preciso adaptar as empresas a essa mudança de paradigma do comércio, advinda do boom da internet. Quer dizer: muito mais do que inserir a empresa numa rede social ou qualquer outra mídia digital, é preciso entender o consumidor, acompanhá-lo em suas necessidades e desejos. E tudo isso muda cada vez mais rapidamente. Embora os resultados de comercialização não sejam quantificados em números por meio do Facebook (a se considerar que a Farmácia ainda não trabalha com e-commerce), é possível identificá-los na rotina de comercialização – e também na satisfação do proprietário. Afinal... quem é que não curte uma curtida, né? :)

Clube Sebrae
Briana Klaus
Briana Klaus Seguir

Jornalista pela Universidade Federal de Santa Maria. Atualmente exerce atividades voltadas a processos de inovação. Profissional sensível ao seu entorno e com capacidade de, junto a outras pessoas, se divertir buscando soluções criativas.

Continue lendo
Indicados para você