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Gestão de comunidade: o que aprendi com os administradores dos maiores grupos do Facebook

Gestão de comunidade: o que aprendi com os administradores dos maiores grupos do Facebook

Eu realmente acredito em comunidades. Acho que elas têm o poder e a capacidade de unir as pessoas para criarem um impacto genuíno no mundo. Não fosse assim, a minha crença no Clube Sebrae como agente de transformação do mercado do empreendedorismo não faria o menor sentido.

Nesse longo tempo à frente do Clube Sebrae percebi que existem alguns conceitos básicos de construção e gestão de comunidades online, que independem do tipo de comunidade. 

Reúna pessoas com interesses em comum, crie conteúdo que os mantenha engajados e os inspire a participar de forma ativa. Parece simples, não é? Acontece que a realidade não é bem assim. Existem dezenas de outros fatores que podem influenciar a gestão de uma comunidade, e que obviamente não fazem parte de fórmula nenhuma. É justamente sobre estes outros pontos que vou falar hoje neste post.

Quem afirma isso não sou eu. É a Linda Xiong, gerente de produto no Facebook com foco exclusivo para a ferramenta de grupos da rede social. Sua paixão pelas comunidades online surgiu após o nascimento da sua filha, a partir da experiência pessoal em gerenciar grupos no Facebook. Hoje ela trabalha com sua equipe para melhorar esta ferramenta e proporcionar ainda mais crescimento para quem cria grupos na plataforma.

Todo o aprendizado que ela obteve nessa jornada, gerenciando comunidades e ajudando outros gestores a gerenciarem as suas, ela compartilhou na edição 2017 do CMX Summit, o maior evento do planeta voltado aos gerentes de comunidade. Aqui abaixo você confere um apanhado com as principais ideias que ela trouxe e que podem ser úteis para o seu dia-a-dia.

Por que comunidades?

Para quem conhece a história do Facebook fica fácil entender porque a empresa de Mark Zuckerberg acredita em comunidades. Lembra do filme? 

A rede social nasceu como um espaço para reunir estudantes de universidades americanas. Conforme foram expandindo, amigos e familiares também começaram a fazer parte deste movimento de conexão online com pessoas conhecidas na vida offline. Incrível, não é?

Você deve estar pensando, mas isso não tem a ver com comunidades, mas sim com conexões pessoais e individuais. Verdade, mas a magia do Facebook para as comunidades surgiu no momento seguinte: quando pessoas que não se conheciam começaram a se reunir em grupos altamente relevantes.

Seja por conta de um hobby em comum, uma paixão, ou até mesmo um problema. A motivação não é tão importante, mas sim o movimento de união dos usuários em grupos. Veja dois exemplos que separei, dentre os que ela trouxe para exemplificar esse ponto.

Affected By Addiction

Este é um grupo sem fins lucrativos que salta aos olhos por ser o maior entre os grupos deste segmento. O objetivo deste grupo, como o próprio nome já diz, é reunir pessoas com vícios, ou familiares de pessoas afetados pelos vícios. O que chama atenção no caso deles é que em meio aos mais de 50.000 membros existem terapeutas e conselheiros profissionais ajudando os participantes diariamente.

Moms in Tech

O outro exemplo que ela trouxe foi de um grupo criado por ela mesma para reunir um pessoas com muito em comum: mães que trabalham com tecnologia. Segundo ela, a criação foi por conta da solidão que encontrava no seu dia-a-dia, já que boa parte do setor é ocupado por homens. Ou seja, é mais difícil que as mães possam trocar informações com colegas de trabalho que entendam o que ela está sentindo.

Clube da Alice

Um bom exemplo que eu trago de uma comunidade online que nasceu como grupo do Facebook, e hoje já expandiu para outros horizontes, é o Clube da Alice. Criado como grupo secreto em 2014, ele nasceu com a missão de apoiar o empreendedorismo feminino. Hoje ele já evoluiu, possui seu site próprio, muito conteúdo publicado pelas participantes e quase 200.000 seguidores nas redes sociais.

Estes são 4 exemplos de grupos altamente relevantes para seus membros. Afinal de contas, eles não são apenas parte da experiência dessas pessoas com o Facebook, mas também parte significativa das suas vidas como um todo. E é por este motivo que o Facebook continua investindo e acreditando nas comunidades e na sua ferramenta de grupos.

O que o Facebook faz para ajudar comunidades?

Até pouco tempo atrás a missão do Facebook era permitir que mundo inteiro se conectasse de uma forma aberta e relevante. Com esse foco agora voltado à comunidades, a missão deu origem a uma meta e agora vai além apenas da conexão. A missão deles agora é também aproximar as pessoas. A meta? Bem pouco ousada: em tradução livre, "ajudar 1 bilhão de pessoas a participar de comunidades significativas".

Esse assunto faz tanto sentido para eles, e eles entendem tão bem a importância do papel ocupado pelos gerentes de comunidade, que criaram o Facebook Communities Summit (FCS). O evento foi em junho de 2017 e recebeu cerca de 300 administradores de grupos de todos os cantos dos EUA.

Para provar que as comunidades são muito importantes para o Facebook e que eles se comprometem com os gerentes de comunidade, além do evento existem produtos que ainda serão lançados exclusivamente para quem trabalha com os grupos e comunidades. Se a maior rede social do planeta está voltando sua atenção para a comunidade, por que raios você não vai fazer o mesmo?

Como comunidades online podem gerar um impacto real?

O último ponto trazido por ela, e na minha opinião, o principal, é como as comunidades online podem gerar um impacto real no mundo. A história começa com o Facebook Power Admins, um grupo criado pelo Facebook para reunir os administradores dos grupos mais relevantes da rede social. Até aí tudo normal, exceto pelo movimento que aconteceu na semana do furacão Harvey.

Tudo começou com um grupo de enfermeiros e enfermeiras chamado Show Me Your Stethoscope. Logo após a passagem do furacão, alguns profissionais voluntários na região e participantes deste grupo perceberam que não seria possível ajudar as pessoas. Faltavam suprimentos, medicamentos, profissionais, equipamentos, e não havia previsão de chegada de ajuda.

A solução? Essas pessoas se articularam com outros administradores de grupos no Facebook Power Admins, e se propuseram a fazer uma transmissão ao vivo no Show Me Your Stethoscope, com apoio de divulgação dos outros power admins. Ao término dos 50 minutos de live havia mais de 15.000 membros se voluntariando para ajudar. O que não seria possível se as pessoas não tivessem essa união em torno das suas comunidades.

Outro bom exemplo de impacto das comunidades online no mundo real é o que aconteceu em 2011 durante o episódio que ficou conhecido como Primavera Árabe. O movimento, que começou na Tunísia e se espalhou por diversos países do norte da África e do Oriente Médio, reuniu dezenas de protestos contra os governantes opressores dos respectivos países.

No entanto, a manifestação não teria sido possível se não fosse a conexão entre as pessoas proporcionada pelas redes sociais. Foi por meio delas, e dos grupos criados, que as pessoas puderam se comunicar, disseminar e fortalecer as manifestações populares. Com isso, o movimento que começou na Tunísia se espalhou rapidamente e conquistou as manchetes no mundo inteiro. Mais um ponto para as comunidades online.

Comunidades online são tão poderosas que até o gigante da tecnologia está de olho nelas. Quando as pessoas se reúnem em torno de um propósito, nasce ali um sentimento de pertencimento, e o resultado disso pode ser incrível.

Pessoas reunidas em torno de um interesse em comum podem fazer coisas fantásticas. Você já parou para pensar que este ponto em comum pode envolver uma marca? Ou uma empresa que acredita em um propósito?

Comunidades permitem que as pessoas se aproximem, e nada impede que essa proximidade aconteça também com uma marca ou uma empresa. Uma ação de relacionamento que pode ser altamente valiosa para os clientes, e que permite à empresa transformar a sua base de clientes em um ativo de marketing e comunicação. Ofereça uma experiência apaixonante para seus clientes e depois convide-os a participar de uma comunidade exclusiva. Você vai se impressionar com tudo o que eles tem a falar de você e para você!

Quer continuar lendo sobre este tema, a gestão de comunidades e a experiência que eu tive como gerente de comunidade do Clube Sebrae? Então acesse meu perfil. Eu costumo escrever bastante coisa sobre o assunto. Deixe seu comentário com um feedback sobre o que você achou deste conteúdo que escrevi. Espero ter contribuído com sua visão sobre gestão de comunidades. 

Um grande abraço

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Clube Sebrae
Matheus Ferraz
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Escritor e consultor de SEO @Upwell

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