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Gestão de Pessoas e Equipes: desafios e oportunidades para empreendedores
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Gestão de Pessoas e Equipes: desafios e oportunidades para empreendedores

Depois que o nosso genial Tom Jobim compôs seu “Samba de Uma Nota Só”, no qual a maior parte da música e letra gravitam em torno de apenas uma nota, tudo ficou possível, em termos de variações intermináveis em cima do mesmo tema. E deve ter sido com base nessa constatação que se produziu uma enxurrada de “tipos”, “modelos”, “fórmulas” e supostos geniais paradigmas para a natureza da Gestão de Pessoas. E o que deveria ser visto e ouvido continua esquecido num canto, como se não tivessem importância alguma: as pessoas.

Já tivemos que nos inspirar, segundo os escritores pautados pelo marketing das respectivas editoras, em gansos, marrecos e felinos, para exercer a gestão dos nossos semelhantes com alguma eficácia. Dezenas de livros nos sugeriram seguir os mesmos passos de profetas, santos e ungidos pelo Senhor, isso quando ainda nos recuperávamos da super-oferta de uma série de modelos de liderança confusos. Manuais de guerra foram e estão sendo citados como referencias infalíveis sobre como conduzir pessoas...e são lidos como se fossem textos com imensa sabedoria (como pode uma coisa tenebrosa como essa, inspirar a condução feliz...de seres humanos?). Resumindo a indigesta sopa de ingredientes esdrúxulos: já foi sugerido escolher desde o “líder espiritualizado” até o “líder por diretrizes”, passando, todos pelo “líder mentalizador” e pelo “líder endócrino”.

Nos últimos quatro anos li as biografias da maioria de homens e mulheres que se destacaram na História como estadistas e condutores de pessoas, além dos megaempresários de sempre, olhei com atenção suas vidas, valores e crenças,

buscando respostas ou mesmo perguntas, para que dispusesse de material para um livro que publiquei, cujo título é LIDERANÇA PRÁTICA, guardei com todo o cuidado um poema atribuído a Isaac Liberman,. Dele, extraí o trecho abaixo que fecha o arrazoado inicial desse artigo e abre as portas para que eu registre o que vi, ouvi e aprendi com as pessoas

“Precisa-se de pessoas que construam suas equipes e se integrem nelas.

Que não tomem para si o poder, mas saibam compartilhá-lo.

Pessoas que não se empolguem com seu próprio brilho

mas com o brilho do resultado alcançado com conjunto.

..........................................................................................................................................

Precisa-se de gente que saiba administrar COISAS e liderar PESSOAS.

Precisa-se urgentemente de um novo ser.”

Estes versos resumem exatamente o que penso e venho defendendo em todas as oportunidades de que disponho: gestão e liderança de pessoas é assunto da mais alta relevância para todos, sobretudo empreendedores em nosso país, seus maiores e mais ágeis geradores de empregos, de riquezas e contribuintes para o Tesouro Nacional.

Em todos os eventos de que participei, seja como facilitador ou como aprendiz, sempre ouvi mais que falei, perguntei muito, ponderei atentamente sobre o que me foi dito em resposta. Fiz, sempre, três perguntas:

• O que mais doía na relação mando/obediência em todas as dimensões da existência em estruturas organizadas;

• O que sempre esperaram receber dos seus dirigentes e jamais obtiveram;

• O que lhes faria acreditar numa pessoa a quem se reportassem formalmente.

Ouvi, como resposta, desde o silêncio da perplexidade, pelo inusitado da pergunta, passando por relatos amargos de experiências vividas, até o destaque de empresários e gestores que passaram pelas vidas das pessoas e as fizeram sentir-se melhores. E o que obtive, no que se refere às pessoas, quanto a ser geridas é que esperam ser:

a) tratadas como um fenômeno singular, que não cabe em pequenas molduras ideológicas ou meramente na base do “achômetro”;

b) reconhecidas como seres espirituais e não como complementos biológicos de sistemas técnicos/administrativos;

c) ouvidas e acatadas quanto ao que tenham para dizer, mesmo que nem tudo que digam seja verdade absoluta;

d) respeitadas incondicionalmente e mesmo que em erro flagrante e comprovado, que lhes seja assegurado o tratamento respeitoso;

e) levadas a acreditar no que fazem, com quem fazem e para quem fazem e de forma serena, sem imposição, deixando-lhes a liberdade e a sabedoria da escolha;

f) reconhecidas, notadas e valorizadas em tudo o que façam por suas empresas, por menor que estas contribuições venham a ser;

g) orientadas quando em erro, jamais punidas ou perseguidas;

h) protegidas nos momentos difíceis e desafiadas nas jornadas quase impossíveis.

Finalmente: gerir pessoas é um ato de recriação delas mesmas, portanto em nada se subordinando a fórmulas superficiais ou compostos manipulativos. Empresários de todos os portes, empresas e instituições e as pessoas em seus cargos e funções de gestão de pessoas e equipe, devem repensar o valor das fontes onde buscam critérios, técnicas, possíveis caminhos ou até mesmo leve inspiração para, enfim, fazer evoluir do capital humano (potencial, portanto) para patrimônio humano (forma definida, concreta).

Tudo o que as pessoas em geral mais contemplam naqueles a quem se reportam nas empresas é sabedoria, equilíbrio e respeito na forma pelas qual venham a ser dirigidas, individualmente ou em equipes.

Benedito Milioni

Benedito Milioni

Consultor - Milioni e Associados

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