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Impacto social positivo: um negócio onde todos ganham

Impacto social positivo: um negócio onde todos ganham

Que somos ensinados a buscar por segurança no trabalho com emprego fixo e “salário garantido” não é nenhuma novidade! Infelizmente, não somos preparados para empreender, ter o próprio negócio e criar as nossas condições de trabalho e remuneração. Tal condição, geralmente provoca em muitos profissionais a sensação de que poderiam ter feito algo melhor para si e para a sociedade, o que acontece com quem se desvia do seu potencial. Em qualquer atividade que desenvolva não sentirá realização, mas sim, frustação.

No entanto, ter um negócio próprio é o quarto maior sonho dos brasileiros segundo uma pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor. Então, por que não começar agora uma nova trajetória? Que tal criar um negócio que lhe traga boa remuneração e gere transformações positivas na sociedade?

Isso é possível com a criação de um ‘negócio de impacto social positivo’. Esse termo é utilizado para definir empresas, institutos, fundações ou cooperativas que tem a missão explícita de oferecer soluções para problemas da população de baixa renda, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida destas pessoas. Alguns classificam até como o setor 2,5: com propósito social e geração de lucros/sobras. Mas, como não tenho aqui a intenção de tratar do conceito, vou compartilhar alguns exemplos práticos e experiências que vivenciei na criação e gestão deste tipo de negócio.

Antes, é importante destacar que as possibilidades de atuação são bastante amplas e muito interessantes, como as empresas de reformas habitacionais em favelas e periferias, preços bastante acessíveis e parcelados reformas as casas, possibilitando aos moradores viverem em ambientes confortáveis, que ajudam, inclusive, na sua autoestima.

A minha experiência tem sido com pequenos agricultores rurais e teve início em 2006, quando a denominação ‘negócio de impacto social positivo’ nem era tão conhecida. Na época, criei o Instituto AEQUITAS, com o propósito de oferecer serviços técnicos especializados e de alta qualidade para micro e pequenos produtores rurais, com custos baixos ou até mesmo gratuitos, contribuindo para a difusão do conhecimento, melhoria na produção rural, geração de renda e melhoria da qualidade de vida destes agricultores.

Parece um negócio complexo, quando usamos estes termos, mas é muito simples na prática. Quando compramos leite no supermercado não temos a menor ideia do grau de complexidade que é para produzi-lo. Para muita gente pode parecer fácil, basta colocar as vacas no pasto, tirar o leite diariamente, embalar na caixinha e levar para o supermercado.

Muito pelo contrário! É uma atividade bastante deliciada, que exige muito conhecimento e dedicação. Os agricultores precisam fornecer alimento suficiente aos animais, ordenhar as vacas diariamente, cuidar da higiene do ambiente para não contaminar o leite com bactérias, tratar e prevenir doenças nos animais, controlar custos e assim por diante.

E dominar tudo isso ao mesmo tempo não é uma tarefa fácil. É preciso, no mínimo, de conhecimentos de agronomia, zootecnia, medicina veterinária e administração de empresas. E a única saída para o produtor é contratar profissionais para ajudá-lo. Mas como contratar tantos profissionais, quando ele mal consegue o suficiente para o seu sustento com a venda do produto?

Foi pensando neste problema que nasceu esta organização, que tem como atividade principal realizar consultorias com custos baixos para os pequenos produtores rurais. E, claro, que para a construção deste negócio foi preciso estruturar uma sociedade multidisciplinar, incluindo profissionais com formações técnicas especializadas no meio rural.

Quando falamos em negócios de impacto social positivo, parece que tudo flui muito bem, obrigado! Mas não é bem assim. Existem riscos e problemas como em qualquer outro negócio. Dependendo da personalidade jurídica adotada a legislação será bastante complexa e o custo administrativo é alto; se o contratante for uma instituição pública ou privada de apoio ao beneficiado, a burocracia é grande e atrasos no recebimento pelos serviços prestados são comuns; a construção da marca e reputação do negócio exige investimentos altos; existem períodos de sazonalidade nos serviços.; a necessidade de capital de giro é grande e dependendo do formato legal não existem linhas de crédito, nem mesmo para investimento.

Por outro lado, tudo vale a pena quando investimos nosso conhecimento, tempo e esforços numa atividade que admiramos e, mais do que isso, num negócio que proporciona oportunidades de mudanças benéficas na vida das pessoas que serão diretamente beneficiadas. E sentir satisfação e realização ao olhar para trás e poder responder a uma pergunta tão simples: qual foi o meu legado?

Então, se você reconhece seus potenciais e quer crescer profissionalmente, não se sentir frustrado, contribuir com o desenvolvimento da sociedade, construindo um legado para sua vida, coloque as mãos na massa agora, seguindo este pequeno roteiro:

o Identifique quais são os principais problemas de pessoas da faixa de renda mais baixa ou de “grupos setoriais” com necessidades especificas e dificuldade de acesso a soluções (ex: agricultores familiares, empreendedores informais, artesãos, etc.);

o Verifique como a sua formação profissional e/ou conhecimento pode contribuir para a solução destes problemas;

o Pense num produto ou serviço com valor agregado;

o Junte-se a outros profissionais que tenham conhecimentos complementares ao seu e que sejam fundamentais para o desenvolvimento do seu negócio;

o Estruture um modelo que garanta rentabilidade a partir da comercialização e/ou prestação de serviços. Não apenas de doações e subsídios;

o Construa um fluxo de caixa, que seja positivo;

o Pense sempre em reinvestir parte do lucro ou sobras em projetos que agreguem valor a sua missão de causar impacto social;

o Monte uma rede de parcerias com instituições e empresas que apoiam direta ou indiretamente o público-alvo do seu negócio.

E lembre-se sempre, o negócio tem que ser sustentável e ter como missão a resolução de problemas sociais, mas você também tem que ganhar dinheiro, inclusive para a manutenção da empresa. Por isso, ter lucro ou gerar sobras para a sua empresa ou organização é perfeitamente saudável! Você não está fazendo caridade. E isso tem que ficar muito claro para você, contratantes e/ou beneficiados.

Clube Sebrae
Rodrigo Furgieri Mancini
Rodrigo Furgieri Mancini Seguir

Sou empresário com formação em economia, MBA em Finanças, Mestrado e Doutorado em Geografia Econômica pela Unesp. Mais que um apaixonado por empreendedorismo e viagens, um colecionador de experiencias.

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