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Inovação e Tecnologia no segmento de alimentos

Inovação e Tecnologia no segmento de alimentos

Empresas do segmento de alimentos e bebidas que adotam inovação e tecnologia em seus produtos, processos e serviços são reconhecidas e valorizadas pelo consumidor, consequentemente competitivas no mercado.

Períodos de crise são muito importantes quando tratados como oportunidade, pois promovem a evolução e o desenvolvimento de setores estratégicos para a economia e a alimentação é influenciada diretamente com estes eventos. No Brasil, com a queda da renda, o desemprego e o endividamento das famílias, o poder de compra ficou mais restrito. Com isso, o consumidor tornou-se mais seletivo e focou em produtos mais básicos. Por outro lado, as empresas que produzem alimentos de maior valor agregado buscaram diversificar seu portfólio, seja na apresentação de novos sabores ou em embalagens e preços mais competitivos, visando manter seu padrão de vendas.

Portanto, empresas do segmento, precisam definir se concorrerão por preço, quando se trata do produto básico ou se estrategicamente irão se diferenciar com agregação de valor. Para negócios de micro e pequeno porte a concorrência com grandes do setor geralmente é uma batalha difícil e inviável, nestes casos, apresentar produtos e serviços inovadores é uma alternativa para diminuir a concorrência, focada em um público com necessidades e hábitos específicos, que reconhecem e pagam por esta diferenciação. Isso poderá proporcionar a micro e pequena empresa do segmento de alimentos e bebidas um novo posicionamento de mercado.

O design de embalagens até pouco tempo atrás era associado a segmentos de luxo, mas atualmente é considerado estratégico para destacar produtos na gondola. Exemplo disso ocorreu com a empresa Agrodan que trabalha com mangas especiais, sem fibras, para o mercado externo e interno.  Eles precisavam comunicar esta diferenciação do produto, transmitir a brasilidade e ter uma embalagem que fosse resistente ao transporte para exportação. No mercado interno na venda a granel o consumidor não entendia porque o produto custava tão caro. Então foi desenvolvida uma embalagem exclusiva com abertura na parte superior e informações relacionadas as características do produto, localização e a frase “Para comer de colher”. A curiosidade fez com que o consumidor experimentasse, após a comprovação da qualidade se tornasse cliente. Além disso foram desenvolvidos folders explicativos e receitas que eram colocadas na parte superior da nova embalagem. O retorno do investimento foi muito rápido e a empresa se tornou conhecida como a única no mundo que produz manga sem fibra que se com de colher.

Algumas tecnologias consideradas ainda futuristas estão sendo utilizadas cada vez mais e em alguns anos estarão ao alcance das MPEs, portanto é importante conhece-las, exemplo destas são: alimentos nutritivos feitos em impressoras 3D e novas texturas para facilitar a deglutição da população mais velha.

No caso da impressão 3D de alimentos é possível obter precisão, exatidão e controle o que permitirá a otimização de processos, a conservação de propriedades nutricionais e a customização, ou seja: a adaptação da comida as necessidades e interesses dos clientes.

A Natural Machines é uma startup catalã a impressora Foodini, capaz de imprimir alimentos. Este equipamento custa cerca de 2 mil dólares. O usuário coloca os ingredientes desejados em cada uma das cinco cápsulas e programa de que forma e em que formato eles serão depositados.

Aparentemente os principais clientes da empresa estão localizados nos Estados Unidos e China e surpreendentemente são hospitais. A impressora ganhou uma interessante utilidade para pessoas doentes que não tem capacidade de engolir bem, encontrando na Foodini uma maneira de variarem a alimentação.

A marca Barilla já está utilizando a tecnologia na produção de massas customizadas.

                                          Massa 3D da marca Barilla

A busca, cada vez maior, por uma alimentação saudável ou específica como é o caso dos alergênicos, fez com que empresas brasileiras invistam em versões específicas para nichos de mercado. Exemplo disso são os snacks, frutas liofilizadas, alimentos sem glúten, sem lactose e novas versões dos tradicionais doces e salgados.

Nos alimentos liofilizados (desidratados) não há bactéria, o que faz com que o produto dure dois anos fora da geladeira sem se contaminar. Além disso, fica muito mais leve: por exemplo, um estrogonofe normal pesa 230 gramas e o liofilizado, 100 gramas. Com isso, fica bem mais barato transportar o produto da indústria até as lojas onde ele é vendido, derrubando o custo do frete peso para menos da metade. A tecnologia da liofilização também faz com que o alimento mantenha pelo menos 80% dos nutrientes, o que a torna ideal para longas viagens. Um cliente potencial destes produtos liofilizados é o esportista de trekking e outros esportes de longos períodos, pois pode levar esses alimentos (frutas, legumes e preparados), que são leves, e se alimentar sem perder grandes propriedades nutritivas.

Um exemplo de doces funcionais é a a FitCookie que surgiu pela vontade de Graziele Zonta criar doces que pudessem ser consumidos sem culpa. Com alto teor proteico, o brigadeiro da Fitcookies prova que doce não precisa ser vilão das dietas.

Para fazer a substituição do leite condensado e do chocolate em pó, a empreendedora utiliza leite de coco, whey protein e cacau belga, que não leva gordura hidrogenada. Para aumentar o valor nutricional do alimento, Gisele também incluiu na receita colágeno e fibras.

Estar antenado as tendências e novidades, experimentar, diversificar produtos, processos e serviços vinculados ao segmento de alimentos e bebidas é imprescindível para os negócios de micro e pequeno porte. Mesmo que tecnologias e inovações ainda sejam práticas de grandes empresas, em pouco tempo estarão ao alcance de todos com valores mais acessíveis. Participar de feiras de tecnologias como por exemplo: Fispal Tecnologia* e Fispal Food Service** que ocorre todo ano, em São Paulo no mês de junho e uma forma de obter conhecimentos possíveis de serem aplicados as MPEs.

Apesar dos desafios, a tecnologia e a inovação no segmento de alimentos vieram para ficar. Independentemente do quão saudável, diferenciado e de como isto é comunicado, sempre existirá novas possibilidades, sendo o consumidor o ponto de partida. Só por meio desse entendimento uma inovação ou tecnologia poderá ter sucesso, independente da forma com que se realize.

* Fispal Tecnologia https://www.fispaltecnologia.com.br/pt/a-feira.html

** Fispal Food Service https://www.fispalfoodservice.com.br/pt/home.html

Clube Sebrae
Andreia Claudino
Andreia Claudino Seguir

Coordenadora Agronegócios, Alimentos e bebidas do Sebrae/PR, mestrado e graduação em engenheira química, técnica em alimentos.

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