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Inteligência descomplicada - parte 3: a tendência é compartilhar

Inteligência descomplicada - parte 3: a tendência é compartilhar

Não são poucos os segmentos de mercado que serão impactados pela crescente economia do compartilhamento. A indústria de automóveis, o mercado imobiliário, e o setor de bens de consumo são apenas alguns dos exemplos.

O motivo é simples. Este é um conceito que representa um novo movimento de percepção do mundo, pois entende que ao invés de acumular, devemos dividir. E isso impacta nossa vida de todas as formas, em especial nas maneiras como fazemos negócios.

Para entender imagine a seguinte situação. Muitas pessoas vivendo em imóveis menores, com lavanderias compartilhadas e veículos de uso coletivo na garagem. Na hora de trabalhar, muitas delas não vão para escritórios próprios da empresa, mas sim para espaços de coworking, que podem estar inclusive entre as áreas coletivas do condomínio onde moram.

Em um contexto como esse são vários os mercados impactados pelo compartilhamento. Desde os produtos de limpeza e os eletrodomésticos até a indústria automotiva, de combustíveis e de telecomunicações.

Falando assim parece a descrição do futuro, não é mesmo? Acontece que a economia do compartilhamento não é uma coisa do futuro, mas do presente. Diariamente surgem novos espaços e serviços de lógica compartilhada, reunindo pessoas, física ou virtualmente, em torno de um interesse comum. O Brasil, inclusive, segundo um estudo feito pela escola de negócios IE Business School, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Ministério da Economia e Competitividade da Espanha, nosso país abriga 32% das iniciativas colaborativas da América Latina.

A busca por sustentabilidade e um cuidado maior com o meio ambiente é uma parte considerável do que motiva este novo tipo de consumo das novas gerações. Natural, portanto, que uma das indústrias que mais sente este impacto seja a automobilística. Nos Estados Unidos, por sinal, segundo estudo da Deloitte, 1,3 milhão de pessoas usam o serviço de compartilhamento de veículos comercial — 34% mais que em relação a 2015.

Mas, será que compartilhar é realmente uma novidade?

Compartilhar é sobre resolver problemas

Lembre da sua infância. O que acontecia quando sua avó estava cozinhando e faltava um pouco de algum ingrediente necessário? Qual era a primeira atitude? Vamos pedir emprestado para algum vizinho. Isso significa que compartilhar está em nossa natureza, muito antes do surgimento de serviços como Uber e Airbnb.

Economia compartilhada não é uma inovação. Ela sempre esteve presente em uma vontade natural de dividir, que em algum momento se perdeu. O motivo por trás dessa mudança de comportamento nós não conseguimos saber ao certo, mas quem sabe o excesso de individualismo motivado pela comunicação digital ajude a explicar.

O que importa é que os novos consumidores estão cada vez menos preocupados em possuir produtos e serviços, mas sim ter acesso a eles, de forma que possam resolver seus problemas. Motivação que muda de forma significativa as relações comerciais entre empresas e consumidores.

Depois de um longo período consumista as pessoas perceberam que não precisam ter os produtos, e para isso usarão da facilidade do compartilhamento. Pessoas que possuem interesses ou necessidades comuns e buscam no compartilhamento uma forma de otimizar seu tempo e reduzir seus esforços

Compartilhar é sobre se relacionar

Se pararmos para analisar com calma vamos nos surpreender com o impacto da economia do compartilhamento. Ela muda não apenas a maneira como compreendemos a relação entre oferta e demanda e a nossa interação com bens materiais. Há um impacto gigante também nas relações pessoais.

Como se a tecnologia que em algum momento da história nos tornou mais afastados entre si, estivesse agora colocando os indivíduos novamente naquele comportamento tribal, característico do instinto humano. São relações típicas de uma vila, porém com laços de escala global. A reputação volta a ser um valor das pessoas e a busca por relevância vira regra vital.

De tempos em tempos nossa planeta vê revoluções emergindo, capazes de mudar completamente a forma como nos relacionamos e marcamos nossa presença no mundo. Neste momento estamos em meio a uma dessas mudanças. Uma revolução na forma como vivemos, consumimos, pensamos e existimos. Não poderia existir contexto melhor para empreendedores focados em resolver os problemas de seus clientes.

Seguindo na linha da série de artigos que trouxe aqui para o Clube, esta natureza de compartilhamento que se apresenta como tendência de negócio é apenas uma mudança na forma como as empresas fazem negócios. O foco continua sendo na solução dos problemas dos clientes, o que muda agora é a forma como fazemos isso.

Ao invés de vendermos produtos, devemos direcionar os esforços para a utilização e o acesso aos produtos. Quase como se fosse colocada uma camada de serviço em todos os segmentos de produto. Na realidade, pode ser que essa seja a grande tendência. Quem identificar oportunidades de transformar produtos em serviços vai sair na frente.

Se pensarmos nas oportunidades que a economia compartilhada pode gerar no futuro veremos que ela ainda revolucionará muito a forma como as empresas se relacionarm com seus clientes. No futuro poderá resolver alguns problemas das grandes cidades, como espaços de moradia, o trânsito, a mobilidade, e até o acesso ao conhecimento. Não há limites para o que esta tendência pode significar.

Comece hoje mesmo a conhecer sobre o tema e os impactos desse conceito no seu segmento de atuação. Assim você nenhuma oportunidade que surja no caminho da sua empresa.

Que tal começar compartilhando uma experiência, uma informação ou uma história aqui nos comentários desse artigo? Assim o conhecimento não fica parado. Nossa comunidade agradece!

Clube Sebrae
Marcia Eloisa Giubertoni
Marcia Eloisa Giubertoni Seguir

Consultora - SEBRAE/PR

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