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Mari Donas dá uma aula no uso da experiência única na construção

Mari Donas dá uma aula no uso da experiência única na construção

Na hora de comprar um produto ou contratar um serviço, o consumidor busca por algo a mais. A questão hoje está além de preço - é preciso ter um bom atendimento, qualidade na prestação do serviço e boas indicações. Por isso os negócios estão correndo atrás para oferecer cada vez mais experiências únicas aos seus clientes, elevando seu negócio para outra categoria de consumo.

Semana passada nós falamos sobre quem está pensando na escassez de tempo e resolvendo isso para os clientes, como o James Delivery e o Curitiba Messenger.

Ainda assim, ao pensar em reparos e reformas, tem gente que quase tem um piripaque de nervoso. Ao passar por péssimas experiências com prestadores de serviços, chega uma hora que a vontade é desistir e deixar como está. O foco no cliente passa longe e a oferta é cada vez mais absurda - oferecem como diferencial o que deveria ser o cerne do negócio. Mas a gente sabe que muita coisa está mudando, o cliente tem voz e reclama mesmo quando não gosta do serviço, mas também indica quando gosta muito.

Ao sentir na pele vários desses problemas, surgiu a Mari Donas, uma empresa que não se intimidou com o mercado majoritariamente masculino (muito pelo contrário, fez disso um nicho) e hoje faz reparos e reformas em Curitiba. Com a procura em alta, as meninas entenderam e resolveram vários problemas clássicos que as pessoas enfrentam com esse tipo de serviço.

Mulheres na obra

Por ter uma carga histórica de preconceito, mulheres acabam não tendo tanto reconhecimento nem abertura nesse mercado, mesmo tendo cursos, formações e habilidades as vezes até melhores que os homens. Com um processo de socialização de gênero, onde mulheres são encaixadas em certas áreas e homens em outras, romper com isso é um desafio, mas é uma acima de tudo uma necessidade.

Exemplo disso são Maria Augusta Brandt e Melany Sue, uma jornalista e a outra designer. As duas ouviram o relato de uma amiga que estava com o apartamento em reforma, mas acabou tendo um grande transtorno ao contratar um empreiteiro - ele a ameaçou e usava do fato dela morar sozinha para isso. A amiga desistiu da reforma, mas as duas tiveram um grande estalo a partir disso. Elas olharam para seus empregos formais já não tão satisfeitas assim, sacaram que existia um mercado e era possível mudar de vida e mudar a vida de outras pessoas.

Antes de começar, elas sabiam que não podiam entrar no mercado sem preparo e foram estudar. O primeiro curso que fizeram foi de Instalador de Revestimento Cerâmico, no Senai. Nas primeiras aulas já tiveram certeza do que queriam e continuaram com os cursos de hidráulica, elétrica, pintura, instalações em geral e drywall. Não pararam mais.

Fato é que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública (IBOPE), quase dobrou o número de pessoas que moram sozinhas entre 2005 e 2015. A maioria é representada por pessoas com mais de 60 anos, especialmente mulheres. Esse público depende de terceiros para alguns serviços, mas nem sempre ficam satisfeitos. Por isso que a Mari Donas tem como público-alvo mulheres, idosos e o público LGBT, mas atende todo mundo com borogodó.

Além de reparos, borogodó

As meninas observaram que o mercado hoje tem muito prestador de serviço, mas a maioria não cumpre com prazos, nem garante qualidade nos serviços que prestam. Isso, para elas, é o mínimo. Aliás, foi também de experiências ruins que elas tiveram que a Mari Donas nasceu. Além do desconforto de ser mulher e ficar em casa sozinha com um prestador de serviço, também desagradava a sujeira e o pouco caso com a casa enquanto o serviço era feito.

Para elas isso está tudo no mesmo pacote: ao entrar na casa das pessoas, você precisa conquistar a confiança e também estar disposto a ir além dos serviços. Elas já passaram horas ouvindo histórias de mulheres protegidas pela lei Maria da Penha e que temiam contratar um prestador de serviços homem. Também tomam tento com a sujeira que fazem e procuram manter a obra só onde é para ter obra. Além disso, elas prezam pelos detalhes e respeitam a individualidade e necessidade de cada cliente.  

Empoderando

Uma pesquisa realizada pelo instituto norte-americano GEDI mostrou que o número de mulheres empreendedoras que desejam crescer 50% e empregar, no mínimo, 10 funcionários nos próximos cinco anos cresceu 7% em uma escala global. Mas, para que esse sonho vire realidade, elas enfrentam barreiras sociais e econômicas, fazendo com que o caminho para o sucesso seja ainda mais desafiador.

As Mari Donas sentem na pele, mas não reclamam: com a agenda sempre cheia, os planos agora são de empoderar outras mulheres nesse ramo. Ao se tornar referência, elas mostram a possibilidade tanto para quem quer empreender quanto para quem quer se jogar em uma profissão majoritariamente masculina. Além disso, também existe a ideia de ensinar a fazer, através de cursos e aulas.

Elas ensinam também sobre acreditar em uma ideia e transformá-la em realidade. E mesmo não sendo fácil abrir mão do emprego e da estabilidade financeira, empreender foi a porta para uma empresa que está rompendo com um mercado tradicional e mostrando que é possível fazer diferente e melhor. 

 

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Ricardo Dória
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Empreendedor, fundador da Aldeia e co-fundador da A Grande Escola. Alumni da Global Shapers Community, doutorando em computação, mestre em administração.

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