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Moko: mais que uma camiseta, vista uma causa

Moko: mais que uma camiseta, vista uma causa

Quando uma empresa pensa em soluções para problemas sociais, o que ela ganha em troca é mais que a fidelização de clientes - existe um verdadeiro propósito por trás de todo o trabalho. O valor compartilhado (“shared value”, em inglês) é criado quando as empresas reconhecem que existem enormes oportunidades de inovação e crescimento ao incorporar determinados problemas sociais aos seus objetivos de negócios. E, sabe, isso é tendência e você pode incorporar também.

Semana passada nós falamos do Linyon Global Workers, que faz a ponte entre refugiados e o mercado de trabalho, mostrando o papel da ultra-conectividade. Hoje, para falar de economia sustentável, vamos contar a história da Moko, que pode inspirar sua empresa na hora de pensar os processos.

Uma marca, um espaço colaborativo, uma ponte entre comunidades e empresas. São nessas três frentes que a Moko atua hoje. A empresa social nasceu com o objetivo de pensar no coletivo, promovendo o bem e repensando o jeito de consumo. Para que isso fosse possível, eles se desdobraram e hoje atuam múltiplos para cumprir com isso.

As várias faces de um mesmo negócio

Tudo começou com o projeto Moko, no final de 2014. Fernando Kuwahara, um dos idealizadores do projeto, tinha assistido ao documentário “Quem se importa”, um filme que se coloca como um movimento para impulsionar a transformação no mundo. Parece que funcionou, porque isso foi a alavanca para tornar o sonho uma realidade. A ideia de montar uma marca já existia, mas o desejo de fazer o bem veio consolidar e tornar a ideia única.

E para você entender como isso está alinhado, vou te explicar: o Projeto Moko é um manifesto de defesa da infância, principalmente daquelas em situação de vulnerabilidade. Ele existe para garantir que a criança seja ouvida e permitir que todos possam se vestir bem e fazer bem ao mesmo tempo. Mas como? Eles selecionam uma organização e passam um dia com as crianças, que desenham a partir de um tema proposto. Disso, o time Moko faz as estampas da coleção. Isso, as camisetas são estampadas com o desenho das crianças e cada coleção é lançada com uma instituição diferente.

O nome da marca, derivado do tupi-guarani, significa dois. E é sobre isso que gira em torno toda a proposta. Na compra de cada camiseta você está, automaticamente, doando outra para as crianças que participaram da atividade que resultou na coleção. No dia da entrega das doações camisetas brancas são oferecidas para que elas mesmas criem suas próprias roupas.

Fora isso, a camiseta é um produto 100% brasileiro, incentivando a economia criativa e a produção local, a TAG da camiseta é feito com papel semente e pode ser plantada e todas as T-shirts vêm em caixinhas de madeira que podem ser usadas para decorar ou usar como porta-treco. Sim, a marca pensou em tudo!

No mesmo caminho existe o projeto DOIS. Nesse caso, a equipe escolhe uma organização que atua na sociedade, pensa no conceito e na estampa que represente o que a instituição faz e o lucro da comercialização volta para a organização em um ciclo contínuo por meio de repasses mensais. Esse projeto foi implantado em 2015, vendo o tamanho do impacto do projeto Moko e de como cada pessoa que adquire a camiseta vira um impactador também.

Em 2016, com esses dois projetos estabelecidos, só faltava um espaço físico para promover o negócio e incentivar os pequenos produtores locais. Hoje o espaço MOKO abriga 30 marcas e não vende roupa e sim histórias. Ao comprar ali, o cliente passa pela experiência de compreender o produto de quem fez. Tudo é garantia de um trabalho bem feito, incentivando o mercado local e a manutenção de um espaço que conversa e mantém isso tudo, porque é uma forma de economia colaborativa.

E não para por aí. Agora também existe a REDE, projeto onde a Moko faz a ponte entre ONGs e empresas para resolver demandas das organizações como uniformes, materiais e outras necessidades que podem ser supridas com doações. Nesse caso, a Moko foca nisso e a ONG faz seu trabalho tranquilamente. Junto do REDE, fizeram também o Projeto NEXO, com uma atuação B2B. Eles desenvolvem para as empresas produtos de qualidade, cheios de valor social e personalizados com o jeito Moko de fazer.

Assim, eles cumprem com os três pilares da organização, que são instituições, comunidades e pequenos negócios locais.  Seguindo um modelo de negócio que nasceu para criar impacto, eles também focam em um comércio justo, trabalham com a economia criativa, cumprem com um compromisso ambiental e ajudam no desenvolvimento local.

Vista uma causa

Vez em quando ficamos sabendo de marcas que são multadas por trabalho escravo, ilegalidades nos processos e desrespeito ao meio ambiente. A questão é: o quanto levamos a sério essas questões? Porque, por exemplo, a Moko decidiu não vender camisetas, e sim uma causa. Para vestir isso com orgulho, eles se propõe a organizar a casa toda voltada para esse propósito, mesmo com todas as dificuldades e burocracias que negócios com foco no social sofrem no Brasil.

Acontece que o público, ao conhecer a marca, se emociona, gosta, mas tem uma dificuldade para enxergar além da camiseta. O poder de vestir uma causa é impactante, também é uma experiência de fazer o bem através da moda, mas nem sempre é claro. O desafio, portanto, é mostrar ao consumidor que, ao invés de consumir de uma grande marca, talvez ele crie um impacto positivo no mundo com o simples fato de comprar uma camiseta.

A mudança já começou e está acontecendo. O que você está fazendo para acompanhar? Como mostrar um compromisso real com determinado lugar? Como construir pontes entre pessoas e culturas? 

Dê uma olhada no Caderno de Tendências para Pequenos Negócios e siga o Sebrae Trends - vários insights podem surgir.

 

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Ricardo Dória
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Empreendedor, fundador da Aldeia e co-fundador da A Grande Escola. Alumni da Global Shapers Community, doutorando em computação, mestre em administração.

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