Nomadismo Digital: como é empreender viajando?
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Nomadismo Digital: como é empreender viajando?

Nômades digitais são pessoas que podem trabalhar virtualmente de qualquer lugar do mundo. São profissionais que rodam o planeta enquanto gerenciam seus negócios, iniciam suas startups ou simplesmente prestam serviços de freelancer para diversos setores.

Há 2 anos, quando resolvi abandonar o meu trabalho no qual eu tinha um cargo sólido, com posição de gerente e sócio de uma agência de publicidade, vi a oportunidade de realizar 2 grandes sonhos: empreender e viajar.

Para isso juntei todo o conhecimento que tinha, conversei com diversas pessoas e comecei a fazer alguns serviços como freelancer para conhecidos. Tudo foi muito bem, principalmente por conta dos 7 anos de trabalho na área, com muitos conhecidos e diversos bons resultados para apresentar aos futuros clientes.

Como foi esta mudança?

Em 2015 deixei de trabalhar sob o regime CLT e comecei a trilhar o caminho de freelancer. Busquei empreender como muitos que fizeram isso nos últimos anos, seja pela visualização de uma oportunidade ou forçados pela crise econômica e política que afeta o país.

Assim como todo empreendedor, o que me fez mudar foi a vontade de fazer algo diferente, de ser dono no próprio nariz, crescer com meus próprios pés e conquistar o mundo. Confesso que o que mais me deu coragem na época foi contar com uma reserva financeira, que chamo de “dinheiro da coragem”. Com este dinheiro ficou mais fácil arriscar.

Eu tinha basicamente o equivalente a 6 meses de salário guardado. Ou seja, poderia arriscar neste novo negócio e se em 6 meses tudo desse errado, poderia voltar ao mercado de trabalho ainda com uma pequena sobra de dinheiro.

Mesmo com tudo isso, o que me motivou a sair do meu emprego e empreender foi algo a mais, que me anima até hoje e para muitos é um sonho: poder viajar para qualquer lugar do mundo, a qualquer momento e ficar lá por quanto tempo quiser.

Foi assim que conheci o conceito de Nomadismo Digital, que reúne pessoas que percorrem o mundo tocando seus negócios enquanto curtem os lugares mais incríveis deste planeta.

Como funciona o Nomadismo Digital para mim

Para manter este sonho eu tive que pesquisar muito e entender como trabalhar da melhor forma possível sem deixar os clientes duvidando do meu potencial. Além disso, tive que achar maneiras para aproveitar os lugares que desejava visitar, e ao mesmo tempo manter uma rotina de trabalho.

Partindo desta necessidade, defini um sistema de consultoria para os meus clientes onde vendo horas e as entrego por meio do trabalho remoto. Seja através de conferências remotas, em reuniões presenciais quando estou no Brasil, ou ainda por meio de trabalho operacional, com acompanhamento semanal por e-mail ou outras ferramentas.

Desde o início tento manter o capital de giro da empresa na mesma quantia do dinheiro inicial que eu tinha (aquele equivalente a 6 meses de salário). Com isso em mente, tenho contratos de pelo menos 3 meses com os clientes, o que me permite organizar a agenda financeira e de viagens pelos meses seguintes.

Com a parte financeira organizada sigo uma lógica usada pelos nômades: gastar menos do que ganha. Ou seja, posso viajar desde que o valor total da viagem seja menor do que o valor que eu vou ganhar pelo próximo mês. Assim, mantenho um fluxo saudável no caixa da empresa e posso me permitir pequenos brindes quando consigo fechar contratos de maior valor, como viagens para lugares mais caros ou um upgrade nos hotéis e experiências.

Hoje eu ainda vivo entre idas e vindas ao Brasil. Quando estou no Brasil posso fazer reuniões e resolver alguma coisa burocrática. No entanto, minha ideia é cada vez menos precisar vir ao Brasil e conseguir trabalhar completamente de forma remota.

E como funciona a parte burocrática?

A internet propicia muitas vantagens para se gerenciar um negócio. A gestão da empresa, tanto financeira quanto para geração de notas, pode ser feita toda online, inclusive com um endereço virtual. Isso permite gerenciar o negócio de qualquer lugar do mundo, sem nenhum problema.

Todas as minhas propostas são enviadas e aprovadas pelos clientes por email, com as reuniões agendadas e feitas com aplicativos de videoconferência, como o Skype. O controle das tarefas é feito também via email ou ainda por ferramentas de gestão de tarefas, como o Trello. Tudo feito praticamente como se o cliente tivesse contratado uma empresa local.

Minha empresa é formalizada no Brasil, com clientes brasileiros e recebimento em reais. Os dados financeiros da empresa são separadas do seu sócio — no caso, eu mesmo — que recebe o repasse do pagamento mensalmente, como o sócio de qualquer empresa.

Com isso consigo manter a empresa saudável e organizar as viagens como se eu fosse um funcionário. Realmente a única coisa diferente de uma empresa convencional é que o trabalho é realizado de lugares diferentes ao redor do mundo.

Quais as ameaças para este tipo de trabalho?

O principal problema certamente é a falta de conectividade. Nômades digitais precisam escolher bem os lugares que querem visitar. Os hotéis ou apartamentos alugados precisam ter uma conexão relativamente boa, pois é com ela que se dará o trabalho todo. Wifi é exigência básica e ter conexão de celular também ajuda a resolver problemas rápidos.

O que também pode ameaçar esta forma de trabalho é a baixa adesão dos clientes ou colaboradores a ferramentas digitais, como as de videoconferência, email e gestão de tarefas. Elas são essenciais e sem elas o trabalho remoto não funciona.

Outra coisa que pode prejudicar também esta filosofia de vida é, por incrível que pareça, o próprio empreendedor. Se a pessoa não souber equilibrar as viagens com os negócios, este modelo de trabalho pode ser um grande desastre. É importante saber equilibrar as horas de trabalho com os momentos de diversão, pois só assim as duas coisas serão feitas com qualidade.

Para quais tipo de negócio este modelo funciona?

Entre os profissionais que melhor se encaixam nesta forma de trabalho estão fotógrafos, escritores, redatores publicitários, designers, programadores, gestores de marketing digital, tradutores, animadores 3D, revisores, entre tantos outros.

Basicamente qualquer profissão que seja executada na frente de um computador pode aderir aos moldes do trabalho nômade. É claro, o modelo pode ser ajustado para que um dos sócios use o método para tentar, ao menos algumas vezes por semana, gerenciar seu negócio a distância para poder também aproveitar melhor a vida.

Como começar?

Assim como fiz, recomendo aos empreendedores que querem testar o modelo a fazerem isso em pequenas doses. Tentar trabalhar uma vez por semana de casa, por exemplo, ou ainda gerenciar os clientes e a empresa durante um período de viagem.

Recomendo também começar mais perto de sua casa, viajando para cidades próximas no Brasil mesmo. Se o modelo funcionar, você pode expandir para outros lugares e só então testar períodos maiores, inclusive fora do Brasil.

O que você quer saber?

Esse estilo de vida já me rendeu excelentes histórias e muito aprendizado, até algumas situações inusitadas. Como eu não sei bem o que vocês desejam saber, deixo o espaço aqui dos comentários para que vocês possam perguntar. E aí, o que você quer que eu conte no meu próximo artigo sobre o estilo de vida nômade digital? Tem alguma curiosidade que você queira saber? Deixa aqui nos comentários?

Fernando Kanarski
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É Nômade Digital, já rodou por 28 países e só em 2016 pisou nos 5 continentes enquanto trabalhava remotamente. Em 2015, largou seu cargo de Sócio na agência para realizar o sonho de viajar ao redor do mundo enquanto trabalha como consultor.

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