[ editar artigo]

O filme a Grande Muralha e as Empresas Familiares

O filme a Grande Muralha e as Empresas Familiares

Desde que assisti ao filme A Grande Muralha (2017) tenho pensado na correlação do enredo da estória com a construção de uma mentalidade corporativa no contexto das empresas familiares. Esta obra de ficção retrata como um exército comandado por generais experientes se preparou durante 60 anos para um ataque de uma horda de monstros que tentaria novamente ultrapassar as muralhas para atacar a população do outro lado.

O filme mostra a sinergia de um exército, a disciplina inerente aos orientais e todo investimento e confiança depositada na estratégia e preparação para aquele momento. Porém, durante o ataque da horda, ficou evidente que a estratégia de combate era um resultado de como viam este inimigo a 60 anos atras. Desenvolveram tecnologias, prepararam seu time de guerreiros, construíram novas estruturas e equipamentos para enfrentar um inimigo que apesar de manter o mesmo aspecto físico e a mesma voracidade, tinha uma nova estratégia. O exército da China se preparou para resistir a um ataque concentrado como ocorrera 60 anos antes, porém, seu inimigo usou o ataque concentrado para tirar a atenção de onde o ataque realmente estaria acontecendo, além de focar na preparação da sua proatividade efetiva para responder de forma rápida a ativa aos novos cenários que iam surgindo durante o embate.

Em minha experiencia de atuação em empresas familiares com mais de 50 anos de idade e que estão vivendo um processo de sucessão empresarial, tenho me deparado com situações similares ao retratado nesta leitura do filme. Boa parte das empresas familiares são sólidas, bem conceituadas no mercado e que construíram no decorrer dos anos um ativo de capital que poucas empresas nos dias atuais conseguirão construir. Porém, tais empresas também sofrem do que chamo da "síndrome da experiência estática", ou seja, de como um certo volume de capital intelectual acumulado com as experiências de como os fundadores responderam aos cenários do passado, se tornam um fator limitador da capacidade desta organização em interagir com os novos desafios do presente e do futuro inerentes a aceleração da presente dinâmica do mercado.

O engessamento da maneira de pensar de uma empresa familiar restringe a capacidade de inovação da nova geração que está assumindo o negócio da família, pois a cultura da empresa familiar é uma expressão mais ampla da tradição da própria família e o medo de se perder o que a família construiu é sem dúvida um um fator com grande peso decisório quando se trata de decidir sobre qualquer mudança na empresa, evidenciando assim os conflitos de visão de mundo e de mercado entre duas gerações.

Uma empresa familiar precisa aprender a deixar de reagir ao presente a partir de suas experiências do passado, e usar a suas experiências do passado para interagir com a criação do futuro a partir de uma visão mais ampla sobre um futuro que é maior que ela.

No filme surge um personagem totalmente alheio a cultura e tradição daquele exército, mas que se mostra mais apto para corresponder a dinâmica de buscar soluções "fora da tradição" para se reverter uma "batalha perdida". Sempre diante de empresas com profundas raízes familiares, precisamos atuar para que os gestores desenvolvam uma mentalidade inclusiva e não excludente, para que possam assim, entender que a inovação é fundamental para que os valores tradicionais presentes na vida da família e que permearam a empresa durante décadas sejam comunicados a nova geração de consumidores que está nascendo, a partir de uma linguagem acessível à ela.

A questão então deixa de ser apenas o anseio para mudar algo que está ultrapassado na empresa, para se estender o legado de um negócio familiar ao novo tipo de mercado que está nascendo, reconhecendo quais riscos devem ser assumidos, bem como, o que nunca se deve arriscar. E isto significa mudar por convergência o mindset de duas gerações para que se construa uma visão de futuro progressivamente inclusiva e profundamente abrangente, para que desta forma, se cultive de forma contínua uma nova maneira de ser empresa, pois uma empresa familiar que não se arrisca em construir uma nova maneira de pensar já colocou em risco toda sua história, sua essência e sua razão de ser.

Clube Sebrae
Marcelo Souza
Marcelo Souza Seguir

Especialista em desenvolvimento integral sistêmico é Mindset Builder, Mentor e Business Advisor contribuindo com sua metodologia com o crescimento econômico de empresas e com o desenvolvimento de cidades e regiões.

Ler matéria completa
Indicados para você