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O poder do storytelling para a gestão de comunidade
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O poder do storytelling para a gestão de comunidade

"É impossível odiar alguém quando se conhece a sua história"

Poucas coisas são capazes de engajar tanto como uma história. Afinal de contas, todos nós somos feitos delas e não há quem não goste de ouvir uma boa história. A arte de contá-las, conhecida como "Storytelling", transforma a forma como nós pensamos e nos conectamos à causas, pessoas, marcas, e claro, comunidades.

Sim. Comunidades. Uma comunidade é uma reunião de pessoas que possuem algo em comum. Indivíduos que decidem participar de um grupo com interesses similares, e consequentemente, histórias em comum.

Para entender isso, pense assim: alguém que já passou por isso pode te ajudar. Seja um problema de saúde, seja um conflito na família, ou até mesmo uma questão no trabalho. Não importa. Há uma grande chance (quase certeza) de existir alguém que já viveu uma experiência similar com a qual você pode se conectar. São essas similaridades entre os participantes que transformam um simples grupo de pessoas em uma comunidade.

As histórias, portanto, são a "cola" que une as pessoas em torno de uma comunidade. Elas fazem parte da nossa essência como seres humanos, e por este motivo, estão também no núcleo de uma comunidade.

Como um gerente de comunidade é fundamental que você saiba estimular que as pessoas contem suas histórias e se conectem por meio delas. E é para falar sobre essa ligação e sobre o poder do storytelling para a gestão e o engajamento de uma comunidade que eu preparei o post de hoje.

Conte sua história e você irá motivar os outros a contarem as suas

A essência do papel do storytelling na gestão de uma comunidade é essa: quando você conta a sua história, você motiva as outras pessoas a fazerem o mesmo. Até porque não existe história mais difícil de ser contada que a nossa. Seja por vergonha, seja por falta de intimidade com a audiência, ou aquele medo de se expor diante dos outros.

Para ilustrar este ponto, veja só o exemplo que Michael Margolis, especialista em storytelling, trouxe para sua palestra no CMX Summit — sobre o qual eu já falei aqui no Clube.

Michael faz parte de um grupo no Facebook chamado "March for Science", e em um belo dia ele resolveu compartilhar uma história com o grupo. Contou a todos em um post bastante objetivo que seu pai, um engenheiro químico, foi o responsável pela criação do processo natural de produção de café descafeinado.

Mais adiante em um outro dia ele relembrou a história e estimulou os outros participantes do grupo a fazerem o mesmo e compartilharem suas histórias, ou melhor, as histórias de pais que foram responsáveis por grandes descobertas. O resultado foi incrível, por dois motivos.

O primeiro é a alta taxa de engajamento que ele obteve no primeiro post — aquele que falava da história do pai. Foram centenas de comentários, tanto de quem gosta quanto de quem não gosta de café descafeinado — o que seria impossível se ele não tivesse contado essa história.

O segundo motivo está relacionado ao segundo post, quando ele estimula a audiência a também contar suas histórias sobre criações, ciência e invenções. Foram centenas de histórias das famílias de outros participantes nos comentários, incluindo invenções relacionadas a ciência espacial, foguetes e combustível de aviões.

Todo mundo tem uma história para contar

No episódio que o Michael compartilhou — que não deixa de ser uma história — em poucas horas foram mais de 400 comentários, muitos deles fantásticos, que inclusive fizeram muitas pessoas se emocionarem. Ou seja, foi criada entre os participantes uma conexão emocional que seria impossível de outra forma.

Nós vivemos em um momento único na trajetória da humanidade, quem sabe até tão determinante quanto o surgimento da imprensa. Um momento em que a internet, e em especial as redes sociais, democratizaram o storytelling e tornaram acessível uma mídia em que todos podem compartilhar suas histórias.

A partir desse contexto, as perguntas que ficam são: Será que os participantes conheceriam as histórias dos outros membros se não fosse a iniciativa do Michael? Será que os donos das histórias se sentiriam motivados a contá-las sem que ninguém estimulasse?

Independentemente de qualquer coisa a questão aqui é a seguinte: as pessoas têm histórias para contar, mas nem sempre se sentem à vontade para fazer isso. Até que alguém puxe a fila, e motive os próximos a fazer o mesmo. Na sua comunidade, no seu grupo, esse alguém pode ser você.

Histórias são dados com alma

As vantagens de uma boa história não páram por aí, e essa afirmação do subtítulo diz muito sobre isso. Na realidade a frase não é minha, é da Brene Brown, pesquisadora e professora da Universidade de Houston, no Texas.

Em linhas gerais o que ela quer dizer com isso é que a narrativa sempre supera os dados — o que, obviamente, não quer dizer que os dados são inúteis. Números são necessários, mas o que carrega a essência é uma boa história. São elas que ficam na memória, não os dados.

Números não contam histórias sozinhos, mas são essenciais para embasar a narrativa que precisa ser construída. Isso quer dizer que se você deseja motivar os participantes a contar suas histórias, não é usando apenas as métricas que você vai conseguir. É preciso inserir os dados dentro do contexto da história, mostrando ao usuário os benefícios que o storytelling vai trazer para a jornada dele dentro da comunidade.

Histórias conectam e geram o sentimento de pertencimento

Por fim, o principal benefício quando falamos sobre uma experiência com storytelling em uma comunidade. Histórias têm o poder de conectar as pessoas, gerar empatia, e consequentemente, o sentimento de pertencimento àquele grupo. Gerar o efeito me too! Essa expressão em inglês para "eu também" ou "comigo também" está muito em alta nesse momento por conta do movimento #metoo, que começou nos Estados Unidos, e ficou conhecido quando artistas e atletas começaram a denunciar casos de abusos sexual. Isso é um belíssimo exemplo (e mais atual, impossível) de mostrar como nos unimos em comunidade, compartilhando histórias, para ganhar força e conseguir nos fazer ouvidos.

Pode parecer subjetivo falar assim, mas a explicação para isso é biológica. Experiências satisfatórias com o storytelling liberam dois hormônios no cérebro de quem tem contato com a história: o cortisol e a oxitocina. O primeiro é quem ajuda o organismo a controlar o estresse, enquanto o segundo é o que gera empatia entre as pessoas, conexão e pertencimento.

É claro que esse resultado hormonal entre os participantes da comunidade não acontece da noite para o dia. É um trabalho de longo prazo que visa criar identidade no grupo a partir de valores, crenças e emoções que, juntos, possam levar o grupo ao caminho da empatia.

Tudo começa com você

Imagino que neste momento, depois de toda essa explicação, você deve estar pensando "ok, mas como eu começo a investir nisso"? Isso mesmo que você imaginou: com as suas histórias. Veja meu perfil aqui no Clube, para conhecer um pouco das histórias que eu já contei e dos conhecimentos e experiências que compartilhei. 

Como falei acima, todo mundo tem uma história para contar — inclusive você. Por isso, para fazer com que o storytelling seja o diferencial que vai fazer da sua comunidade um sucesso, comece a contar as suas histórias. Fale sobre crenças que você acredita, emoções, histórias inspiradoras de metas atingidas ou desejos conquistados, quem sabe até curiosidades sobre sua jornada profissional.

Tudo vale, desde que seja com transparência e honestidade, valores que vão deixar sua história ainda mais humana e próxima da sua audiência.

Agora que você já sabe mais sobre storytelling para a gestão de comunidades, chegou a sua vez de colocar essa estratégia em prática. Se você deseja ler mais sobre gestão de comunidades, acesse também meu perfil aqui no Clube Sebrae e confira outras histórias que compartilhei por aqui.

Boa leitura!

Matheus dos Santos

Matheus dos Santos

redator e gerente de comunidade @freelancer

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