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O que eu aprendi na Latam Retail Show 2017

O que eu aprendi na Latam Retail Show 2017

Com a evolução cada vez mais acelerada da tecnologia, ficar por dentro das tendências e novidades do mercado é mais do que uma vantagem competitiva. Investir nessa descoberta é praticamente um fator chave de sucesso para qualquer empreendedor — e no caso do varejo a história não é diferente.

É por isso que neste ano eu estive, entre os dias 29 e 31 de agosto, na Latam Retail Show 2017, um dos maiores eventos do setor na América Latina. Ao longo dos 3 dias se reuníram em São Paulo líderes do mercado nacional e internacional para discutir o varejo atual e futuro, além de conhecer soluções das mais variadas para otimizar o trabalho no setor.

O evento se dividia em dois espaços: um congresso, com palestrantes referências do mercado do mais alto calibre e uma feira com expositores apresentando as mais novas tendências em soluções para quem investe no varejo. Realmente uma experiência fantástica e altamente construtiva!

Todo ano o congresso tem um tema que norteia os palestrantes e o conteúdo apresentado. Neste ano eles chamaram o tema central de "Novo Ciclo", motivado pelos indícios de que estamos saindo da crise e seguindo em direção a um novo cenário de recuperação econômica. É evidente que isso não significa que a partir do próximo ano os negócios de varejo vão começar a vender muito mais sem fazer grandes esforços. É apenas o indicativo de que o país está no caminho da recuperação e da reconstrução.

Como nem todos os empreendedores conectados ao Sebrae/PR tiveram a oportunidade de acompanhar o evento de perto, eu resolvi reunir aqui neste texto o que de melhor eu vi no Latam Retail Show 2017 e o que eu pude aprender com o conhecimento dividido pelos palestrantes. Espero que você goste!

Desafios

O evento começou com a apresentação do Marcos Gouvêa, proprietário da empresa que promove o LRS, que veio trazendo os principais pontos que ele entende como os grandes desafios para o varejo daqui em diante.

Nessa linha, a digitalização surge como grande desafio. Muito porque estamos entrando em uma era em que os negócios estão se tornando mais conectados com as novas tecnologias. As vitrines digitais com telas dos mais variados tamanhos, inclusive, já são cada vez mais presentes em lojas de redes, em shoppings e até em pequenos comércios.

Em resumo, a tendência é que o varejo digitalize tudo o que for possível e que os pontos de vendas se tornem, com o tempo, também uma loja digital, mais próxima até mesmo do que nós conhecemos como comércio eletrônico. A consolidação de canais de venda, portanto, começa de fato a acontecer e ficar mais presente no dia-a-dia do negócio.

Novos modelos de negócio também começam a surgir, com a redução dos intermediários entre quem produz e quem consome. Podemos enxergar a indústria vendendo direto para o consumidor, com lojas próprias dos fabricantes surgindo com muito mais frequência. Além disso, há também um movimento dos varejistas em oferecer soluções ainda mais completas, com serviços agregados para o cliente e reduções nos custos de produção.

Futuro e conexão

O publicitário e empresário Nizan Guanaes foi outra presença marcante no primeiro dia, com conteúdos emblemáticos no que diz respeito ao futuro da internet e da conexão entre pessoas, negócios e produtos. Para ele, até 2025 todo o planeta estará ligado à rede e a conexão digital já estará intrínseca à nossa vida, mais ou menos como a energia elétrica é hoje.

Isso, no entanto, não quer dizer que todos os negócios já estão no caminho dessa conexão. Na opinião dele, todos nós já sabemos qual a forma para melhorar os negócios com a tecnologia digital. O que falta é atitude para quebrar os paradigmas e realmente fazer acontecer.

Líderes

Um dos destaques do primeiro dia ficou para o painel que teve a participação dos presidentes/CEOs dos principais líderes do varejo brasileiro: Grupo Boticário, Walmart Brasil, Lojas Riachuelo, REDE e Mastercard Brasil. Eles falaram sobre o contexto atual do varejo e seus principais desafios.

A digitalização dos negócios e a valorização da experiência do cliente personalizada são, para todos eles, tendências do setor e grandes desafios que merecem atenção daqui para frente. Até mesmo valores de startups foram citados como objetivos de alguns desses grandes varejistas. Questões como simplicidade, rentabilidade e escalabilidade surgiram como meta para alguns deles.

Entre os representantes do segmento de pagamento a experiência omnichannel se mostrou como principal desafio. Afinal de contas são as empresas que podem estar presentes em todos os canais, e diante disso, oferecer ao cliente a mesma qualidade de solução independentemente do canal escolhido por ele.

Reposicionamento e experiência

O segundo dia de LRS não poderia começar de forma melhor. A palestra principal de abertura da programação e da plenária foi com a Cristina Ceresoli, vice-presidente senior da NRF, maior evento de varejo do mundo que acontece anualmente nos EUA.

A visão que ela trouxe sobre o varejo para o LRS é um movimento de reposicionamento das lojas para que elas deixem de ser apenas pontos de venda, e passem a se tornar centros de experiência do consumidor.

Isso quer dizer que muitas empresas de varejo estão questionando seus processos para entregar mais capacidade de venda, rapidez na gestão operacional, e principalmente, otimização na experiência do cliente para ir além do já conhecido "entrar na loja, ver o preço e comprar".

É muito possível enxergar isso, mesmo aqui no Brasil. Conseguimos encontrar em uma busca rápida lojas que tentam chamar a atenção do consumidor não apenas pelo preço, mas também por aquele algo a mais que faz o cliente entrar. Seja pelo atendimento, pela proposta de produtos inovadores, pelo ambiente da loja ou mesmo pela informação que a loja traz.

Não é mais sobre o varejo ser online ou offline, mas sim sobre a mistura dos dois. O comércio e as lojas como as conhecemos estão aí para ficar e não vão deixar de existir por conta do crescimento no ecommerce. O que elas precisam é ser diferentes do que são hoje para unir os dois ambientes e oferecer uma experiência mais satisfatória para o consumidor.

Pessoas e propósito

Para falar sobre este tema ninguém melhor que o Rony Meisler, CEO e proprietário da rede de roupas e confecção Reserva, marca conhecida pela sua humanização, pelo seu propósito bem definido e que tem crescido muito nos últimos anos.

Para ele, o propósito não nasce pronto. O negócio começa com um, mas no decorrer do tempo e com a maturidade da empresa esse propósito vai sendo refinado, modificado e atualizado. No caso da Reserva, isso significa cuidar das pessoas, tanto clientes quanto equipe. O objetivo deles é cuidar, emocionar e surpreender todos os dias.

Entre algumas das ações que eles fazem para aumentar esse engajamento das pessoas estão programas para estimular os funcionários e ajudá-los a realizar seus sonhos, um projeto inovador de licença paternidade de 45 dias e um investimento na contratação de funcionários da 3ª idade.

Pilares da Inovação

Assim como o primeiro dia, houve também no segundo dia um painel que teve a participação de Cedric Ducroc, presidente da Dia-Mart Consulting (França), Frank Quix, vice chairman da Global Education Council (Holanda), e Neil Stern, senior partner da McMillanDoolittle (EUA). O tema foi a inovação no varejo.

Diante do tema os participantes falaram sobre aqueles que eles consideram os 4 pilares da inovação para o varejo: inteligência, interatividade, emoção e responsabilidade. Segundo eles, são os pontos centrais para se encontrar a inovação nas empresas.

Omnistory

Meu relato sobre o que aprendi na Latam Retail Show não poderia terminar de forma melhor. Sim, nós fomos visitar a Omnistory, no Shopping Villa Lobos, uma loja real com tudo o que há de mais tecnológico no varejo. São inovações que incluem a compra por múltiplos canais, um display que mostra mais informações do produto assim que este é retirado da prateleira, PDVs móveis com caixas com machine learning, entre outros.

É tanta coisa que eu poderia escrever um texto só sobre isso, mas para facilitar o seu conhecimento sobre o assunto eu resolvi compartilhar um vídeo muito bacana que reúne tudo o que pudemos ver na Omnistory. É do consultor Caio Camargo, do blog Falando de Varejo. Veja abaixo!

Participar do maior evento de varejo da América Latina, e um dos maiores do mundo, foi uma experiência incrível que trouxe muitos novos insights de conhecimento para agregar ainda mais ao meu cotidiano de trabalho com empreendedores de varejo aqui no Sebrae/PR.

Esse é apenas um relato com o que eu vi de mais impactante nos 3 dias de programação. O evento é super indicado para quem se dedica ao segmento, e eu sugiro que você faça esse investimento na sua carreira na próxima edição. A experiência completa vale muito a pena.

Espero que você tenha gostado do conteúdo que eu trouxe aqui. E claro, se ficar alguma dúvida, deixe seu comentário abaixo que eu ficarei muito feliz em responder e te ajudar!

Clube Sebrae
Osmar Dalquano Junior
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Coordenador Comércio - Sebrae Paraná

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