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O que eu aprendi sobre o lado ruim do foco com "O velho e o mar"

O que eu aprendi sobre o lado ruim do foco com

Acabo de terminar a leitura de "O velho e o mar", a obra mais clássica de Ernest Hemingway. Eu sempre gosto de escrever algumas linhas sobre os livros que leio. É uma forma de rever a leitura em minha cabeça, eternizar minha visão sobre o que leio e, por fim, é um exercício poderoso de escrita.

Não creio que esse tenha sido o seu objetivo, mas Hemingway me fez pensar bastante sobre a cegueira que o foco pode provocar. Até por isso achei válido compartilhar meu review no goodreads por aqui.

Fala-se tanto sobre o poder do foco, que é fundamental, claro. Mas você já parou para pensar sobre o lado ruim de estar profundamente envolvido em algo?

Review de O velho e o mar

O velho pescador cubano Santiago está há 84 dias sem conseguir pescar nada. Com o orgulho ferido e sendo motivo de piada entre os colegas, parte para mais um dia de pesca com a autoconfiança em baixa.

Acaba fisgando um peixe que parece ser o maior que já viu na vida. É claro que não seria fácil tirar o monstro da água. E o velho encara um duelo surreal de 3 dias com o peixe. 

O livro se desenrola praticamente por inteiro nesses dias. Hemingway relata os devaneios do velho, que mesmo cambaleado pela idade, demonstra uma força e resistência impressionantes por aguentar a luta, dormir praticamente nada e se alimentar de pequenos peixes crus que acabou pescando enquanto estava no oceano.

Não vou falar sobre o desfecho da história, mas terminei a leitura um tanto em dúvida se o velho era um herói ou um idiota. 

Ao meu ver, é uma história sobre força e coragem, sobretudo. Porém, também escancara o orgulho do homem, por tantas vezes, estúpido. 

Vale tudo por um objetivo? Os insucessos recentes do velho e sua obsessão por concluir a missão de pescar o peixe de sua vida o fizeram ignorar aspectos da pescaria que acabaram lhe custando caro. 

O livro é um lembrete sobre o quanto devemos ter cuidado quando estivermos extremamente focados em algo. É claro que estar concentrado, acreditar, persistir e colocar a mão na massa para alcançar o que queremos é fundamental, mas não é raro ficarmos cegos para todo o resto quando estamos obstinados por algo.

Há outras coisas que importam nessa jornada. E algumas delas, inclusive, podem ter um poder inverso e devastador em nosso sonhado objetivo. 

O desafio é encontrar o equilíbrio entre o foco e a flexibilidade para enxergar outras possibilidades. Alguma dica?

Clube Sebrae
João Guilherme Brotto
João Guilherme Brotto Seguir

Sou um jornalista curioso que descobriu que viajar é uma valiosa fonte de boas histórias. Aqui no Sebrae, meu objetivo é contar histórias inspiradoras sobre empreendedorismo, marketing, vendas, inovação e tendências a partir do que vejo pelo mundo.

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