O Transporte rodoviário no Brasil hoje.
[editar artigo]

O Transporte rodoviário no Brasil hoje.

Hoje vemos a dificuldade de diversas empresas para se manterem ativas em seus segmentos, buscando cada vez mais reduzir seus custos. A logística dentro das organizações, se torna um dos maiores indicadores para reduzir seu custo de movimentação. O qual o transporte é responsável por mais de 60% no orçamento logístico. Só no Brasil, o modal rodoviário é responsável por 52% de toda a carga trafegada no País e o mercado de frete movimenta US$ 48.3 bilhões.

Transportadoras são o alvo para solução, redução e otimização, mas nem sempre consegue algo que se enquadre ao orçamento logísticos das empresas. Embarcadores buscando o menor preço a todo custo no mercado, percebem que o intermédio para levar seus produtos muitas vezes é ineficiente. Algumas contratam diretamente motoristas autônomos, porém sai totalmente fora do seu foco de negócio pela complexidade da operação. Por não ter uma ferramenta de gestão adequada para gerir o transporte dentro da sua cadeia logística, ficam a mercê de transportadoras pagando caro por isso.

Transportadores muitas vezes não tem um preço competitivo pela má gestão financeira, conhecimento de causa dos custos operacionais, tributação e legislação. Com isso não conseguem repassar o preço adequado a seus clientes e sobreviver no mercado de uma forma sustentável. Fazer os investimentos adequados de ativos, tecnologia, capacitação, treinamentos e até mesmo honrar com seus compromissos financeiros, tributários e trabalhista. A grande maioria recorre a uma “quarteirização” junto a motoristas autônomos e veículos, que é o maior custo do transporte (Diesel, lubrificantes, manutenção, pneus, equipamentos etc.).

Os motoristas autônomos por sua vez, se submetem a má gestão dos recursos e valores ofertados por transportadoras e mal conseguem suprir suas necessidades. Muitos deles quando não conseguem agregar a uma transportadora, depende de informação sobre onde encontrar cargas. Estas informações ficam com agenciadores e intermediadores de carga que cobram caro para passar informações ao autônomo. Além de que é natural passar informações divergente sobre a realidade e generalidades da carga a caminhoneiros Ex; Medida, peso, quantidade de entregas, valores de frete, descarga, causando dissabores e problemas na hora do carregamento ou no descarregamento. Isso aumenta o risco de roubo, devido as informações e numero de pessoas envolvidas no processo de carregamento. Uso de drogas e uma condição desumana de trabalho de caminhoneiros, impacta diretamente na qualidade do serviço, causando desgaste aos clientes por reclamações do seu consumidor final.

Numa pesquisa feita com caminhoneiros de diversas regiões do país, por uma empresa de App de cargas em 2015, com mais de 1.700 profissionais referentes à escolaridade, remuneração, tempo de trabalho e condições familiares. No levantamento, os fatores de destaque são as condições de trabalho em comparação a remuneração recebida pelos caminhoneiros. Chegaram ao seguinte levantamento;

☛74,2% realizam entre 1 e 10 viagens durante o mês e 61,2% rodam entre 601 e mais de 1 mil quilômetros.

☛Os valores recebidos giram entre 2 e 6 mil reais para 60% dos caminhoneiros.

☛Em relação a regiões de origem dos caminhoneiros; Sudeste (51,5%), Sul (25,5%), Centro-Oeste (12%), Nordeste(8,7% ), Norte (2,3%).

☛84,7% ou são trabalhadores autônomos (68,5%), ou possuem regime de Pessoa Jurídica (16,2%) - essa autonomia é destacada por 30,8% dos respondentes como um fator importante na escolha da carreira -, enquanto que somente 15,2% são contratados via CLT – Consolidação das Leis Trabalhistas.

☛Questionados sobre a ligação com a profissão, 22,1% disseram ter pais caminhoneiros e escolheram a área de atuação baseada nesse fator. Contudo, a decisão de se tornar motorista ocorreu há pouco tempo: 57,4% entraram há menos de 10 anos, sendo que 35,9% entre 0 e 5 anos.

☛81,4% declaram compor a renda principal da família. Porém, a grande maioria (73,4%) não possui plano de saúde.

☛Suas faixas etárias estão disseminadas entre 33 e 56 anos como a maior parcela – (76,1%), subdivididos em: entre 33 e 40 anos com 30,4%; entre 41 e 48 anos com 28,5%, e entre 49 e 56 anos com 17,4% - todas as idades são consideradas de risco segundo as operadoras de saúde.

☛Nível de escolaridade dos caminhoneiros: 32,4% têm o ensino médio completo, 11,3% concluíram o ensino fundamental, 9,5% possui curso superior completo e somente 1,6% tem pós-graduação. Também neste quesito, o dado negativo é que 11,6% não chegaram a concluir o ensino fundamental.

Os aplicativos de cargas existentes no mercado, facilitam a comunicação entre transportadores e caminhoneiros, quebraram paradigmas de tecnologia com os integrantes do setor, porem, agregando mais um custo na cadeia, mas sem nenhuma solução sustentável e eficiente.

Condições de infraestrutura, estradas e acessos, pedágios, aumento do diesel, tempo de espera na descarga, frota depreciada, endividamento de motoristas, condições de trabalho, acidentes, roubo de cargas. A desmotivação para a continuidade da classe, tem reflexo nos dias de hoje com a falta de mão-de-obra. Os que ainda sobrevivem nesse mercado engajam-se na esperança de dias melhores, buscando alternativas inviáveis para a solução de um negócio que se torna predatório dia após dia, apelando a greves e manifestações. Ficando a mercê de dirigentes de transportadoras e sindicatos que cobram taxas e adesões para não resolver nada a seu favor. Estes ainda exigem aumento de frete, fora da realidade orçamentária das empresas contratantes sem resolver o problema dos caminhoneiros. Que por sua vez, pensam que as manifestações resolveram um problema que hoje que atinge todos os setores, a crise econômica do País.

Clube Sebrae
JERONE DE TOLEDO
JERONE DE TOLEDO Seguir

CEO Founder - Brutus Sustainable

Continue lendo
Indicados para você