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Ouvir música no trabalho atrapalha a produtividade?

Ouvir música no trabalho atrapalha a produtividade?

Certamente uma das maiores causas de discussões e, até mesmo, brigas no ambiente de trabalho fica por conta do ar condicionado. Num país tropical, essa questão mexe com a suscetibilidade dos funcionários, numa disputa sem fim pelo controle da temperatura ambiente. Logo atrás, avançando no ranking de divergências, está o fato de se ouvir música no trabalho.

Afinal, ouvir música no ambiente profissional melhora ou não a produtividade?

Como tudo na vida, depende. Fatores diversos, a começar pela a atividade exercida por quem gosta de ouvir melodias enquanto realiza seu ofício, é um deles. Quem trabalha sozinho numa sala fechada, em home office ou, até mesmo, como motorista profissional, não sofre tanto com uma convivência que poderia incomodar os outros. Mas isso não quer dizer que quem exerça uma profissão que exige pouca ou nenhuma interação humana, não havendo ninguém que possa reprimir ou recriminar seu gosto por ouvir música, deva fazê-lo o tempo todo, principalmente se o volume estiver acima do aceitável.

Detendo-se um pouco mais nesta questão, está provado que, dependendo da altura do som, ele pode interferir negativamente na atividade laboral. Principalmente se o trabalho requisitar muita atenção e, até mesmo, quando é fundamental estar atento a outros ruídos, como no caso dos motoristas.

Quem dirige táxi, é motorista de aplicativos ou empresas particulares, também deve ter tal cuidado, principalmente quanto à satisfação do cliente. Neste caso, a música pode ser um fator de desgaste, caso o passageiro venha a se sentir incomodado com a música escolhida, o volume, ou simplesmente deseje ficar num ambiente silencioso.

Existe também empregados que, frequentemente, necessitam de total concentração para realizarem cálculos ou análises detalhadas, o que requer toda a atenção do colaborador. E a música, nesses casos, pode distrair, interferindo na produtividade desse profissional.

Mas afinal, ouvir música no trabalho é ruim?

Não necessariamente. A música pode ser encarada com um fator positivo no ambiente de trabalho, sem interferir na produtividade e nas diferentes opiniões alheias. Segundo pesquisas realizadas por neuropsicólogos do Mindlab International, a grande maioria dos entrevistados relatou que a música produz bons resultados. Eles se tornam mais consistentes do que aqueles que trabalham em silêncio. Dentre os efeitos positivos relatados por quem ouve música no ambiente de trabalho, ressaltam-se os seguintes:

  • Música clássica melhora a eficácia do trabalho para 12% dos funcionários
  • Música pop reduz a incidência de erros para 14% dos funcionários
  • Música animada (dance music) aumenta a velocidade de leitura para 20% dos funcionários

Somando-se a essas conclusões, escutar música impacta na dopamina, substância que tem sua produção influenciada beneficamente pela canção. Lembrando que esse hormônio é essencialmente ligado ao bem-estar e que tem influência direta no sistema imunológico, além de diminuir o estresse e aumentar a motivação.

Sendo assim, embora a pesquisa não demonstre claramente que exista uma relação concreta entre a melodias e a produtividade, não há como negar que, na medida certa, ela pode ser um fator que proporciona grandes benefícios, não só para o trabalhador, mas como para o ambiente e, consequentemente, para a empresa.

Vale destacar um fator mencionado na referida pesquisa, no diz respeito ao estilo musical que se ouve no ambiente de trabalho. A música clássica ajuda, por exemplo, se a pessoa estiver realizando cálculos que requerem maior atenção aos detalhes. O som pop pode ajudar, se quem estiver ouvindo está manipulando dados. Ou ainda, se a canção for mais animada, pode colaborar com aquele que precisa fazer uma leitura rápida.

Se o trabalho exige um recurso linguístico (como escrita, por exemplo), a letra tende a interferir no processo mental. O melhor então, nestes casos, é escolher algo mais instrumental. O mesmo pode ser aplicado, quando a situação exige do trabalhador a aquisição de novos conhecimentos.

Outro aspecto para quem gosta de ouvir música no trabalho é conhecer bem o ambiente que o rodeia. Por exemplo: é melhor - e mais adequado - usar fone de ouvido ou caixa de som? O fone de ouvido pode ser conveniente para locais muito barulhentos que dificultam a concentração. Também é uma maneira de respeitar o colega, caso ele não goste do mesmo estilo musical que o seu.

É uma boa escolha também para não misturar o som da caixa com os outros ruídos inerentes ao ambiente de trabalho. Este fato pode ser gerar desconforto, o que pode, no lugar de diminuir o estresse e aumentar a motivação, produzir o efeito contrário.

Muitas discussões acirradas ocorrem porque quem quer ouvir a melodia e utiliza caixa de som, incomoda os demais colegas. Imagine se todos tivessem a mesma ideia? Em que se transformaria o ambiente de trabalho? Numa “torre babel”, certamente. A confusão seria generalizada, já que diferentes ritmos estariam se misturando à diferentes opiniões. Totalmente improdutivo.

Voltando aos benefícios, a música pode ser útil para quem lida com tarefas repetitivas, que tendem a tornar-se cansativas e pouco prazerosas. Além de melhorar o humor e fomentar a criatividade, a boa canção, usada de forma moderada e no volume adequado, faz bem à saúde.

Mas como tudo na vida, há os contras de se ouvir música no trabalho. Citamos alguns:

  • Acompanhar cantando a letra pode distrair a atenção para o que o profissional está fazendo.

  • A canção pode ser um instrumento de distração para as atividades do trabalho um motivador. Existem pessoas que tendem a se dispersar com facilidade, por qualquer motivo. Por isso a necessidade do conhecimento de si mesmo, da realização de uma auto análise para aferir a situação. Se o trabalhador tem propensão a perda de concentração, o som pode ajudar esta característica, prejudicando o bom andamento do serviço. Nestes casos o silêncio é música para os ouvidos.

Resumindo: ouvir canções pode ser um agente que beneficia o empregado em suas tarefas diárias, desde que, sejam observados os seguintes pontos:

  1. O poder de concentração do trabalhador.
  2. O tipo de trabalho que ele exerce.
  3. O ambiente em que ele trabalha, se barulhento, ou se a própria empresa ou funcionários exigem que o exercício de suas funções seja realizado em silêncio.
  4. O estilo de música para cada tarefa e ocasião.
  5. Respeitar o ambiente e os demais colegas de trabalho na hora de optar por fone de ouvido ou caixa de som.
  6. Usar de moderação quanto ao estilo musical, o volume e a postura de quem ouve, para que não prejudique a si mesmo e aos demais.

Respeitadas tais condições, ouvir música no trabalho pode ser um grande motivador para as tarefas do dia a dia, agregando o valor certo à cada função. E você, já viveu ou vive uma situação semelhante? Deixe um comentário sobre o assunto. Para você a música no ambiente do trabalho é benéfica ou prejudicial à produtividade?

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