[ editar artigo]

Parceria ou concorrência? Como você encara o mercado?

Parceria ou concorrência? Como você encara o mercado?

Dentro da metodologia ALI, mais especificamente na décima terceira seção da ferramenta Radar da Inovação, encontramos a dimensão Ambiência Inovadora que, embora não esteja na metodologia das Doze Dimensões, desenvolvida por Bachmann e Destefani (2008) – usada nacionalmente como referência pelo programa Agentes Locais de Inovação para mensurar a maturidade inovadora das empresas – é considerada como a décima terceira dimensão não só por fundamentar as outras doze, como pelo fato de ser um aspecto inerente à empresa que inova.

De acordo com o Radar da Inovação, a dimensão Ambiência Inovadora diz respeito à busca de apoio de consultorias, entidades e sindicatos, ao financiamento para inovação e sistematização das ideias coletadas pelos funcionários. Neste texto, iremos abordar a importância do apoio de entidades, mais especificamente núcleos setoriais.

A função social de um núcleo empresarial é contribuir para o crescimento mútuo e contínuo daqueles que nele estão envolvidos.  Nos núcleos, empresários que pertencem ao mesmo segmento, ou que possuem os mesmos dilemas, podem unir forças para identificar, discutir, planejar e realizar ações que não só resolvam seus desafios, mas que também contribuam para seus objetivos comuns. Os núcleos funcionam dentro de associações comerciais e seus participantes, empresários nucleados, reúnem-se periodicamente, geralmente orientados por um consultor capacitado. Durante as reuniões, são discutidos problemas e questões pertinentes ao ramo e ao grupo.

Neste post vou abordar o potencial desses núcleos usando como exemplo o ramo de panificação e confeitaria.

 

Na teoria

 

Em cenários de instabilidade econômica e política, assim como o que estamos passando agora, mais do que nunca percebe-se a principal dualidade: o coletivismo versus o individualismo. Enquanto esse tem uma visão bem egocentrista em relação ao posicionamento de sua empresa no mercado, ou seja, cada um por si, os nucleados trabalham com a implantação da cultura de coexistência harmoniosa, além de aprenderem e crescerem em conjunto.

De um modo geral, pode-se separar o associativismo em dois modelos: o tradicional, que conta com um grande número de associados e que, por isso, exige uma diretoria que centralize as decisões devido às diferenças dos interesses de seus membros, pensando no bem maior. Já o outro modelo é de pequenos grupos.

Neles, geralmente, existe uma maior facilidade para o estabelecimento de objetivos em comum, com decisões descentralizadas, tomadas pela decisão comum dos associados. O grau de comprometimento é maior, pois a responsabilidade é repartida entre todos que, além de dividirem os mesmos interesses, compartilham de uma relação de transparência.

 

Na prática

 

Em entrevista, Valdemir Michels, coordenador do núcleo de panificação e confeitaria da Associação Empresarial de Jaraguá do Sul, e também proprietário da Panificadora e Confeitaria Pront Pani, empresa participante do programa Agentes Locais de Inovação, contou sobre a importância de seu negócio fazer parte do núcleo setorial:

 

“Para nós é uma grande ajuda. Ele (o núcleo) ajuda a fortalecer a nossa marca: a gente se torna mais conhecido e tem acesso a mais informações. Além dessa troca de experiência entre padarias, a gente vê que o problema que temos sozinhos, muitas vezes, parece grande, e, junto com os outros, se torna um problema pequeno.

Sem contar nos outros benefícios como a troca de receita, treinamentos... Nós conseguimos muitos treinamentos em conjunto, onde você gastaria ali, por exemplo, um valor expressivo de cinco a seis mil reais, e consegue por quinhentos, fazendo em conjunto.

No núcleo, todos somos empresas pequenas, mas juntos nos tornamos uma empresa grande. Essa é a grande vantagem.”

 

O desafio

 

Durante o programa, tive a oportunidade de acompanhar o processo de entrada e os primeiros passos de uma empresa em um núcleo. Durante essa caminhada percebi qual é o principal desafio de uma empresa nessa situação: como trazer a cultura da inovação ao mesmo tempo que o empresário está tão ocupado com questões operacionais no dia a dia, e longe de sua função estratégica na empresa?

Como mencionei no início do texto, a ambiência inovadora é inerente à empresa. Ela representa o grau de envolvimento do empresário em atividades e cenários propícios para a inovação: logo, é reflexo das pessoas que ali estão envolvidas. A ambiência e o comportamento empreendedor são os panos de fundo para o fomento da inovação, da busca e identificação de oportunidades.

Assim como o empreendedorismo, a ambiência inovadora é resultado de um comportamento, e não de traços de personalidade – ela pode ser treinada e transformada em conduta. Os núcleos têm papel relevante na formação de empresários que se encaixam nesse perfil, já que a troca de experiências, principalmente em grupos menores, possibilita o encontro de visões diferenciadas para problemas em comum.

Se interessou? Visite a associação comercial de sua cidade, lá irão te informar sobre maiores detalhes.

Clube Sebrae
Matheus de Lima Kauling
Matheus de Lima Kauling Seguir

Agente de Inovação - Sebrae - CNPq

Ler matéria completa
Indicados para você