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Quais lições o fim do Google Plus pode ensinar para o marketing digital?

Quais lições o fim do Google Plus pode ensinar para o marketing digital?

Após sete anos no ar, um dos produtos Google tem os seus dias contados: a rede social Google + - que não encontrou muitos adeptos - só existirá até o ano que vem para os consumidores. A exceção são as empresas que usam o canal como meio de comunicação com seus empregados.

A notícia (previsível) foi veiculada no início de outubro, pelo presidente de engenharia da gigante norte-americana, Bem Smith, e vem promovendo algumas reflexões desde então.

Um dos motivos alegados por Smith foi, justamente, a falta de engajamento dos usuários, refletida pelas sessões que duram menos de cinco segundos. Mas o vazamento de dados de mais de 500 mil usuários para desenvolvedores de aplicativos - ocultada a princípio, por receio de prejuízos à reputação da companhia - também foi um importante fator que pesou nessa decisão.

Deixando a polêmica de lado, para quem trabalha com marketing digital, cabe pensar: quais aprendizados o fim dessa ferramenta pode trazer?

Lições do fim do Google+ para o marketing digital

Quem trabalha a sua marca na web precisa estar muito atento a inúmeras estratégias e atitudes, para evitar que alguma iniciativa dê errado e manche a sua imagem. Até porque, quem poderia prever que um gigante como o motor de buscas não conseguiria sucesso absoluto em todos os seus produtos - a exemplo do caso com a famigerada rede social Google+?

Veja a seguir alguns destaques desta história e ensinamentos para se estar de olhos bem abertos.

1 - Se for competir com alguém, tenha claros os seus diferenciais

O Google incorreu no terrível erro de querer fazer frente ao Facebook, mesmo que os usuários estivessem plenamente satisfeitos com a rede social de Mark Zuckerberg, em franca expansão. Além do mais, os diferenciais do Google Plus não eram claros e foram insuficientes para convencer as pessoas a fazer a troca.

Do ponto de vista mercadológico, houve um erro na estratégia de posicionamento daquilo que era para ser a maior novidade do momento. Isso vale para o ambiente digital: deixe a sua própria marca.

2 - Não embarque em algo que não tenha certeza

A tentativa de lançar o Google Plus, em 28 de junho de 2011 – inicialmente limitada, por meio de convites para novos usuários – aconteceu após uma pressão interna, que tentava convencer a alta gestão de que a Google precisava emplacar alguma rede social que desse certo. Isso muito por conta dos fantasmas do Orkut e outras redes, além do receio do tamanho que o Facebook poderia tomar.

Por isso, fica a dica: reconheça a sua essência e sua missão. Não tente entrar em um novo mercado só para, também, estar ali, se isso não fizer sentido para você. Procure, antes, ter clara a sua verdadeira vocação para os negócios. Evite imitar alguém, sob o risco de parecer forçado e repelir os potenciais clientes, em efeito oposto ao que você deseja.

3 - Pense nos clientes, e não no próprio umbigo

Por maior que seja a tentação de pensar isso, você não está desenvolvendo um produto para si, mas para satisfazer (ou ensejar) as necessidades dos clientes. Assim, procure escutá-los e identificar o que pode lhes ser útil. Algumas fontes apontam que a Google pecou por ignorar o apelo dos consumidores, montando algo novo apenas para estancar os próprios problemas.

Então, observe o mercado e investigue de que forma o seu produto pode, realmente, ser uma solução, encantando os clientes. Da mesma forma, procure transmitir isso em suas campanhas digitais.

4 - Invista na usabilidade

Uma das questões mais criticadas no Google Plus era o fato de a dinâmica em “círculos” não ser intuitiva para os usuários que buscavam a interação social por meio da tecnologia. Era necessário um esforço intelectual mínimo para classificar os contatos nas diversas categorias, diferente do que acontecia com o Facebook ou o LinkedIn, por exemplo, onde bastava adicionar as novas conexões.

O mesmo pode-se dizer da interface e do design da plataforma, pouco amigáveis, e ainda dos termos não habituais utilizados, como Sparkles e Hangout, os quais os usuários precisavam fazer um esforço para entender o que significavam.

O que fica de saldo positivo é a reflexão: se for criar algo, pense em facilitar a vida do seu cliente. Já basta a complexidade e preocupações que cercam a vida dele.

5 - Envolva os seus funcionários

Outro erro da Google, com a chancela do então CEO, Larry Page, foi tentar forçar o uso da rede social pelos funcionários, em uma típica abordagem “top-down”, condicionando, inclusive, o bônus dos funcionários ao sucesso da empreitada – mesmo para aqueles que não estivessem diretamente envolvido com o projeto.

Sem consulta ou demonstração da proposta de valor da nova rede, nem seria necessário dizer que o Google Plus não caiu nas graças nem da própria equipe. O fator humano é fundamental para o êxito das organizações. Não o desperdice!

6 - Procure “fazer do limão uma limonada”

Mesmo após tantos erros de estratégia e operação, a Google decidiu não jogar fora tudo o que sua equipe de engenharia tentou construir ao longo desses sete anos de Google Plus. Pelo contrário: observando o comportamento do consumidor, percebeu que o seu produto tinha alguma inclinação possível para ter êxito com clientes corporativos.

É nisto que a empresa vem apostando agora: em melhorias para tornar a rede social cada mais aderente às necessidades das grandes empresas que usam a ferramenta como forma de se comunicar com seus empregados. Cogita-se até que se transforme em uma espécie de mistura entre o Slack e o Trello. E, como não poderia deixar de ser, reforçando a segurança nesse espaço.

Isso traz mais um importante aprendizado: observar os usos e apropriações que os clientes têm de seus produtos e fazer um rápido aproveitamento disso. Algo de bom a sua marca vai deixar como legado. Procure investir nisso!

Sou usuário Google Plus. E agora?

Para quem tem e usa o Google+, cabe lembrar que a rede social ainda ficará no ar até agosto de 2019, dando tempo o suficiente para que os usuários possam resgatar as suas informações, antes da concreta descontinuidade do produto.

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Clube Sebrae
Crislayne Andrade de Araujo
Crislayne Andrade de Araujo Seguir

Jornalista pela Uerj, com MBA em Marketing pela FGV e certificação de Produção de Conteúdo para Web, tem experiência em comunicação organizacional e redação para empresas globais. Focada em estratégias de comunicação e marketing para PMEs.

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