Quem procura acha. E eu encontrei.
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Quem procura acha. E eu encontrei.

Tendência. Quem nunca ouviu essa palavra antes? Pois é, várias vezes, tenho certeza. O conceito, a teoria, a maioria das pessoas sabe. Mas o significado que existe por trás, posso lhe garantir, poucos entendem o que de fato representa na prática.

Fantasma. Segundo o dicionário, uma "Imagem fantasiosa e ilusória que infunde terror; visão alucinatória, produto da imaginação". Ou seja, algo que vemos e não enxergamos e que, ao mesmo tempo, causa espanto.

Se quiser entrar no clima, sugiro clicar aqui e deixar a música rolando enquanto você lê o resto do texto

Foi justamente esse susto que eu levei de forma mais intensa no finalzinho de janeiro e início de fevereiro. Participei de um workshop sobre coolhunting pelo Sebrae/PR e tive uma experiência única, um choque de realidade.

Basicamente, coolhunting consiste na observação e entendimento das pessoas e do mundo, analisando suas mudanças. Enfim, o que acontece ao nosso redor. É olhar as coisas com olhos de primeira vez. Não como elas são, mas como poderiam ser. Essa reflexão, no curso, ditou todo o ritmo da imersão e me fez pensar bastante sobre meu trabalho - com marketing e comunicação - e a forma como encaro outras pessoas diferentes de mim.

Esse exercício de empatia se faz essencial para qualquer indivíduo. Isso, sem dúvida, tornaria nossa sociedade um lugar melhor. No entanto, analisando pelo prisma da profissão e da necessidade de se entender pessoas para se conectar com elas, levando em conta a relação de consumo, é ainda mais imprescindível. Mais do que isso: é sensibilizar-se e olhar lá na frente, projetando o que está por vir a partir do entorno emocional, físico e psicológico que abrange um comportamento que hoje pode parecer isolado, mas que reúne características e potencial para se "infectar" uma grande massa amanhã. Para uma empresa, uma marca, um negócio, isso deveria ser uma regra.

Não é bancar a Mãe Dináh nem usar bola de cristal. Basta estar atento e entender as mutações que ocorrem diariamente. É projetar o futuro a partir do presente. Ouvi muito isso durante os 3 dias intensos de curso.

O Zeitgeist, que significa "o espírito do tempo" está presente em praticamente tudo o que vivenciamos ultimamente. Impacta na cultura e na nossa forma de interagir com aquilo que até pouco tempo atrás tínhamos como improvável. Trabalhar com marketing digital me provou (e a ainda prova todos os dias) que tudo em nosso mundo é uma gigantesca versão beta. Não que seja inacabada, mas que segue continuamente em transformação e aprimoramento.

Nos tempos de pós-graduação, uns 4 anos atrás, conheci o tema coolhunting. Mesmo assim, a oportunidade de "reciclar" e rever definições agora foi muito valioso. Mas o ponto alto de toda experiência - e que motivou este texto - foi um "safári urbano".

Calma, não montei em um elefante e saí andando entre carros e ônibus ;) O safári foi uma visita técnica incrível a negócios locais do Bairro São Francisco/Largo da Ordem, na região central de Curitiba, para identificar sinais, captar significados, mapear perfis de público, chocar-se com o "estranho" e entender anseios e os propósitos dos empreendedores e das pessoas do entorno.

Aí você pode pensar: mas por que nesse lugar em especial? Simples (até então eu também não sabia, mas agora posso te explicar): porque essa região é um hotspot, um local que reúne tribos, bebe cultura, respira inovação e transpira originalidade. Ou seja, um prato cheio para qualquer profissional. Pra quem atua com marketing então, a Disneyland que não precisa do Mickey para ter graça.

A rua fala e as pessoas se expressam pelo grafitti e pixação

Lembra do espanto que comentei lá em cima? Então, foi cada vez aumentando mais. A verdade nua e crua sobre algo que pensamos entender e dominar, mas que, no fundo, apenas temos uma noção superficial.

Ouvir os comerciantes foi surpreendente. Revelador. Instigante. E, pasme, revoltante. Revoltante porque eles jogaram em nossa cara questões que, na maioria das vezes, nós ignoramos e tratamos com preconceito e subestimação. Eles são como fantasmas. Não por botar medo, mas por não serem notados da forma como deveriam. Sem a devida atenção, tornam-se quase invisíveis. Só não somem porque são muito determinados e confiantes no que estão fazendo, mesmo que isso não pareça convencional ou dentro dos "padrões estabelecidos pela sociedade".

Loja de camisetas com estampas que vão além do desenho: vendem uma mentalidade e um ideal

Lições aprendidas. Como pessoa, posso lhe garantir, mudei. E como profissional minha mente expandiu ainda mais. Não só a minha, como a dos outros 30 colegas que participaram do workshop comigo.

Deixo aqui o registro dos sustos que tomei. Resumindo, são 3 insights:

#1 Você não sabe de nada, inocente: assuma que sempre há mais para descobrir e não se acomode, achando que só por dominar os conceitos de Kotler e fazendo um focus group vai ter sucesso garantido em suas ações. Seja humilde, levante o traseiro da cadeira e vá pra rua. Veja e ouça quem está mudando o mercado e quem pode consumir seu produto. Confie no que eles têm a dizer.

#2 Esqueça que só existe o público classe A, B e C: se você ainda insiste em determinar o target com base na renda e na idade, tenho uma má notícia: isso não funciona mais. Ignore a segmentação rasa, o modelo com estereótipos, e concentre-se em interesses, hábitos e comportamentos. O poder de compra do influenciador está em alguém que tem tatuagem, usa piercing, anda de bicicleta por aí (por opção), usa chinelo em horário comercial e consome somente aquilo com o que se identifica e está alinhado com seus ideais. Não subestime ninguém nem seja preconceituoso.

#3 Menos é mais: os novos empreendedores, por essência, fazem muito com pouco e mostram isso sem medo nem vergonha. Ser informal não significa que ele não sabe o que está fazendo. Linguagem leve, direta e sem enrolação. Objetivo claro e metas definidas. Os consumidores contemporâneos, por sua vez, também são adeptos da simplicidade e da experiência marcante. Um exemplo a ser seguido quando falamos em comunicação, planejamento e execução em nosso trabalho diário. Inspire-se nesses caras.

Saí do estado de choque e agora estou assimilando cada lição que aprendi, olhando tudo diferente. Cheguei a uma conclusão: fantasmas não existem mesmo, eles são chamados assim apenas porque ainda não foram notados. Depois que você enxergar o que está à sua volta, vai concordar comigo.

Não precisa ter medo, pode encarar. Seja um coolhunter, e vá à caça. Já adianto, não precisa de arco e flecha. Ser um bom observador é a sua melhor arma.

Luciano Renan
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Consultor - Sebrae/PR

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