[ editar artigo]

Sua startup pode ser a parceira ideal daquela grande empresa

Sua startup pode ser a parceira ideal daquela grande empresa

O final do ano costuma ser uma época de reflexão para empresários, empreendedores e profissionais de todas as áreas. No meu caso, por conta do meu perfil de atuação aqui no Sebrae, o pensamento e a discussão dessa época fica direcionado ao mercado brasileiro de startups.

Você deve ter percebido que meu objetivo com esse conteúdo é discutir um tema bastante sensível ao cenário das startups: o papel desse tipo de empresa nas inovações feitas e propostas dentro de grandes corporações. Essa vontade de falar sobre o tema não surgiu do nada, e também não é uma exclusividade minha.

Recentemente tive acesso a um estudo realizado pelo movimento de apoio ao empreendedorismo, 100 Open Startups. A pesquisa apresenta uma série de dados sobre este mercado, e dentre todos eles, o que mais me chamou atenção fala justamente sobre o tema do post.

Entre os meses de julho de 2016 e julho de 2017 o número de contratos firmados entre startups e grandes empresas, no Brasil, aumentou 194% em comparação ao mesmo período no anterior. Em números absolutos, 135 contratos foram fechados entre as corporações e as startups — no período anterior foram apenas 46.

Uma notícia boa que pode indicar alguns fatores que eu gostaria de destacar. O primeiro é que o aumento se deve a uma mudança na lógica como as corporações viam as startups. Se antes as grandes empresas corriam para adquirir as startups e reduzir a concorrência, hoje elas preferem contratar essas empresas nascentes.

A notícia também mostra um aumento significativo no espaço para startups voltadas para o mercado B2B, além de indicar um maior nível de maturidade nesse tipo de empresa iniciante. Para entender isso é só pensar que uma grande corporação dificilmente vai fechar um contrato com um fornecedor que ela não acredite que vai funcionar.

O contexto é animador, mas o que isso tem a ver com o papel das startups na inovação de grandes empresas?

Grandes empresas costumam ser corporações que já conquistaram uma fatia considerável do mercado, o que garante sua sustentabilidade. Acontece que, com a transformação digital, se criou uma necessidade cada vez maior pelo investimento em inovação, justamente para a manutenção dos resultados e da presença lucrativa da empresa no mercado.

Nesse contexto, depois de muitas organizações como essas terem tentado inovar de dentro para fora, houve a percepção por parte dos gestores que o melhor caminho para encontrar a inovação disruptiva é se aproximar das startups. Essas empresas nascentes tem a inovação em seu DNA e podem representar uma ameaça ou uma oportunidade estratégica para estes negócios já estabelecidos.

É simples perceber porque grandes organizações estão buscando essa aproximação, e por qual motivo ela faz ainda mais sentido também para as startups. A relação é o que chamamos ganha/ganha, já que as startups oferecem aos gigantes agilidade na busca por inovação, enquanto as grandes empresas trazem experiência, ganho de escala e acesso a recursos para as startups.

Inclusive, para as grandes empresas, ignorar a presença das startups no mercado pode significar uma perda muito grande que pode, inclusive, levar à destruição total da marca. Veja por exemplo o caso da Kodak. Um dia, enquanto outras marcas investiam na tecnologia fotográfica digital, eles insistiram na fotografia analógica com foco nos filmes e na revelação de fotos. O resultado? Uma perda gigantesca de participação no mercado que levou à empresa de protagonista à mera coadjuvante do segmento.

Como então as startups podem ajudar as grandes empresas a inovar?

O principal caminho escolhido pelas grandes organizações para manter uma aproximação com as startups tem sido por meio do chamado "corporate venture", quando a marca faz uma parceria com aceleradoras ou incubadoras de novos negócios. Com isso a startup pode contribuir para que a empresa aumente sua competitividade, sem concorrer com os setores de pesquisa, desenvolvimento e inovação da corporação.

Temos alguns exemplos de situações que surgiram nos últimos anos, e que mostram que esse pode ser um caminho bastante interessante para grandes organizações que querem garantir sua jornada de inovação.

A Embraer, por exemplo, criou seu fundo empresarial 100% dedicado ao desenvolvimento de equipamentos para aviões, enquanto o Itaú Unibanco, marca já conhecida por seu DNA inovador, lançou, em São Paulo, o Cubo, um misto de coworking e aceleradora para abrigar, impulsionar e conectar startups de diversos segmentos.

Outro bom exemplo é a Porto Seguro, que lançou seu braço de investimentos, o Porto Seguro Capital, enquanto a Telefônica preferiu criar a Wayra, uma aceleradora que busca startups de segmentos que vão muito além da telefonia.

Já a MasterCard preferiu criar o MasterCard Labs onde eles pretendem buscar inovações para o seu negócio principal, os meios de pagamento. Isso sem falar na Visa, que também tem um espaço de inovação que inclusive rodou um programa de aceleração que chegou até a levar as startups para o Vale do Silício.

Em resumo, oportunidades não faltam tanto para startups que querem se aproximar de grandes marcas, quanto para as grandes organizações que desejam crescer em parceria com as startups. É fato que há ganhos para ambos os lados dessa relação. Cabe a cada um dos envolvidos pesquisar qual o modelo e o formato que mais fazem sentido para atender às suas necessidades. No final do dia, todo mundo sai ganhando.

Da mesma forma que foi útil para você, esse conteúdo também pode ser relevante para seus amigos. Não deixe o conhecimento parado: compartilhe esse artigo nas suas redes sociais!

Ler matéria completa
Indicados para você