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Tendências de negócios para uma sociedade inteligente

Tendências de negócios para uma sociedade inteligente

Com a transformação digital, a sociedade e economia passaram por mudanças velozes. Negócios que se adaptarem a este novo contexto devem ganhar cada vez mais mercado.

Já sabemos que a internet tem transformado não só a maneira de se comunicar como a maneira de se viver em sociedade. Com os crescentes avanços tecnológicos, a conectividade tem sido explorada e vivenciada intensamente. A informação corre cada vez mais rápido, ultrapassando fronteiras cada vez mais distantes. Somando isso a um momento global de tensões políticas e econômicas, encontramos a mentalidade da sociedade sofrendo grandes transformações, passando a buscar soluções mais ágeis, práticas e, ao mesmo tempo, focadas na qualidade de vida em proporções gerais — isto é, para o indivíduo e para todos.

É neste cenário de anseios coletivos que o Sebrae traz a primeira macrotendência de 2018/19 para pequenos negócios: Sociedade e Economia Inteligentes. Neste contexto os consumidores apresentam novas indagações: "este produto tem realmente qualidade?", "por quantas pessoas passou até chegar em mim?", "todas foram pagas de forma justa e estão em boas condições de trabalho?", "o que acontecerá depois que eu descartá-lo?". Temas como estes revelam um novo consumidor que passa a não querer mais "consumir por consumir", mas consumir com consciência ou até mesmo consumir para o bem. Ele questiona a responsabilidade das empresas em seus mais diversos processos e exige transparência e qualidade efetivas.

                Em Curitiba, um restaurante tem se destacado por oferecer um ambiente diferenciado e um modelo de negócios inovador que tem se tornado referência ao atender questões como as apresentadas acima. O Quintana Gastronomia, inaugurado há exatos 10 anos, é um restaurante multicultural que conta ainda com dois desdobramentos — o Bar Amado e o Quintana Eventos. A casa onde se encontra, localizada na Avenida Batel, mantem seus traços originais e oferece um espaço aconchegante que conecta o urbano, o cultural e o natural (literalmente).

Quintana - Curitiba. Crédito: Daniel Castellano

Cada dia da semana o restaurante apresenta um menu diferente, inspirado na gastronomia de diversas partes do mundo. Nas paredes, encontram-se quadros com pinturas e fotografias com curadoria especial, e eventualmente o lugar recebe exposições artísticas. Também no seu interior, uma mini-biblioteca com mais de 2000 títulos é disponibilizada para leitura no local e empréstimo sem custo. Atrás da casa, um jardim arborizado é oferecido aos clientes que desejam fazer suas refeições mais próximos à natureza. Lá, divide-se também o espaço com algumas colmeias e abelhas (espécies nativas sem ferrão), que são responsáveis pela polinização da vegetação do jardim e, consequentemente, por parte da matéria-prima mais fundamental para um restaurante: os alimentos.

Quintana - Curitiba. Crédito: Daniel Castellano

Diversas ervas utilizadas na cozinha do restaurante para temperos e chás são plantadas na horta do próprio jardim. Em parâmetros gerais, o restaurante tende a utilizar apenas alimentos orgânicos e tem como principais parceiros os pequenos produtores da região que também se mostram conscientes. "Assim é possível garantir mais qualidade em sabor e, ao mesmo tempo, em saúde para os clientes, onde compactuamos ainda com uma cadeia de produção mais justa e responsável", diz Gabriela, chef e dona do Quintana.

                Outro diferencial do restaurante é a preocupação com o destino dos seus resíduos e o seu impacto na natureza. Após alguns anos desde a sua inauguração, o estabelecimento começou a fazer o processo de compostagem, onde o que seria descartado se torna adubo orgânico e é aplicado na própria horta ou disponibilizado aos seus clientes. O lixo que não pode ser reaproveitado para a compostagem é separado e reciclado adequadamente. Em outros âmbitos, o restaurante ainda reaproveita a água da chuva, reutilizando-a para resfriar os vidros que cercam o seu deck e assim resfriar a temperatura interior do ambiente.

Gabriela - Quintana. Crédito: Nicole Lopes

De acordo com Gabriela, estas inovações não nasceram com o modelo de negócio, mas foram sendo incorporadas de maneira gradual: "No segundo ano, por exemplo, eu estava em desespero porque a quantidade de resíduos que gerávamos era muito grande e, no fim, se estivesse separado ou não, tudo ia pro mesmo local: aterros sanitários. Então fui buscar informação e ajuda. Ao longo do tempo fomos conhecendo melhor os processos e aprimorando as técnicas. Só depois de seis anos é que conseguimos fazer tudo mais adequadamente, e agora com dez anos sinto que finalmente está como deveria".

Gabriela também conta que o Quintana surgiu não de uma vontade de ser dona de restaurante, mas de um desejo em oferecer um serviço diferente para uma cidade (e um país) que, em geral, ainda parece ter muito medo de criar e experimentar. Depois de uma longa jornada estudando e conhecendo países como Estados Unidos, Suíça, China, Tailândia e Vietnã, a curitibana teve contato com diversas culturas e conheceu diferentes maneiras de lidar com o alimento. Foi aí também que descobriu novas possibilidades de encarar os negócios, e que a busca pelo perfeccionismo e pela qualidade pode ser muito bem alinhada a ousar e arriscar. Se no começo da empreitada ouviu descrenças e chacotas sobre o seu sonho de negócio, hoje diversos colegas da Chef já querem saber como funcionam os processos sustentáveis do Quintana. Aliás, não só no setor gastronômico, mas negócios de diversos outros setores (como escolar, de arquitetura, medicina e até mesmo governamental) já entraram em contato para conhecer mais sobre seu modelo e suas alternativas diferenciadas.

Equipe Quintana - Curitiba. Crédito: Nuno Papp

O compromisso com a responsabilidade social nos negócios não é exclusividade do setor gastronômico ou alimentício. Em outros segmentos podemos citar serviços como o Blablacar, por exemplo, uma plataforma de caronas a longa distância. No aplicativo, motoristas e passageiros com destinos em comum conectam-se e podem assim dividir os custos de cada viagem. A ideia, vinda do francês Frédéric Mazzella, surgiu após um episódio conturbado em um Natal onde precisava visitar sua família em outra cidade e, sem conseguir passagens de trem ou ônibus devido às lotações, reparou na quantidade de carros nas estradas com vagas livres. Mas como pedir caronas a desconhecidos sem recorrer à imprevisibilidade dos pedidos de estrada? Foi então que Mazella decidiu procurar algum serviço online que fizesse essa conexão e, ao não encontrar nenhum, percebeu uma grande oportunidade de empreender. Atualmente, o aplicativo que teve origem na França já ajuda pessoas em diversos outros países e, além de ser um negócio de economia circular/compartilhada, contribui ainda para a redução do impacto dos transportes no meio-ambiente.

Fonte: Unsplash

Falando em economia circular, o setor da moda também tem se destacado neste tipo de inovação. É o exemplo da Insecta Shoes, da USE e do Roupa Livre. A Insecta Shoes, uma marca curitibana de sapatos e acessórios ecológicos e veganos, transforma resíduos (como peças de roupas usadas, garrafas de plástico recicladas etc.) em sapatos e acessórios. Já na USE, também de Curitiba, assina-se um plano mensal onde o usuário tem acesso a um grande acervo de roupas que pode utilizar temporária e ciclicamente — é como um closet fora de casa!

Fonte: Unsplash

E o paulista Roupa Livre, por sua vez, assim como Blablacar, também é um aplicativo de combinações (mas talvez com uma usabilidade mais semelhante à do Tinder, o famoso app de relacionamentos): o usuário publica fotos das peças de roupa que quer se desfazer e dá like nas peças alheias que gostar. Se ele gostar das peças de alguém que também gostou das peças dele, it's a match!, e a troca acontece.  Ainda no fluxo de conectar pessoas com interesses em comum, encontra-se o DogHero, uma plataforma que oferece uma alternativa aos tradicionais canis ou hotéis de cachorros, promovendo a hospedagem domiciliar de cães quando os donos precisam se ausentar.

Em outra área, a startup paranaense Moments.Surf conecta surfistas à fotógrafos — dois profissionais que, até o momento, teriam pouco contato — para novas possibilidades de negócio, fomentando ainda a extensão de suas redes profissionais para futuras oportunidades.

Fonte: Unsplash

No cenário desta macrotendência de Sociedade e Economia Inteligentes, todas estas facilitações por meio de aplicativos e soluções na palma de nossas mãos podem ser chamadas de "consumo on-the-go", uma das tendências 2018-19. É a tecnologia a serviço do consumidor, otimizando de modo inteligente seu tempo e sua energia.

Fonte: Unsplash

Sobre tempo, aliás, o Club Life to Go — organização criada no estado do Ceará, com sedes espalhadas pelo Brasil e uma internacional em Lisboa — entende: a franquia de refeições funcionais e saudáveis é inspirada pelo modelo "grab and go", um sistema de atendimento que oferece refeições prontas, balanceadas, embaladas e dispostas de modo que o cliente possa simplesmente "pegar e seguir" (tradução literal do termo). Nos estabelecimentos do Club Life to Go, encontram-se opções de lanches, doces e snacks de diversos tipos, como sem glúten, sem lactose, low carb, sem açúcar, veganos etc. Os menus mudam diariamente, e há opção de delivery para quem preferir mais esta comodidade. Recentemente inaugurada em Curitiba (junho de 2018), a filial possui um amplo espaço que ainda é cedido para a realização de eventos.

Outras modelos que também têm emergido com força no mercado são negócios que focam em serviços e produtos que otimizam a vida nas cidades ou a qualidade de vida nos mais variados momentos e estilos. Na loja comunitária Coletiza, em Curitiba, um galpão foi revitalizado para abrigar o seu espaço colaborativo que reúne moda, decoração, livros, design e café. Ao total, apenas duas marcas são fixas (Outfit4You e a Oslo Design) e todas as demais são itinerantes, com duração de até 3 meses. Apesar da variedade de marcas e lojas, o atendimento e o caixa são centralizados, facilitando assim o processo de compra para o consumidor. O ambiente dispõe também de uma área para co-working, tornando-o ao mesmo tempo comercial e social.

Já o Polímatas, rede de empreendedores em Curitiba, traz uma proposta mais centrada no empreendedorismo e, através de eventos, incentiva a troca de conhecimentos entre empreendedores e a expansão de networking. Desse modo, organizam-se encontros semanais nos quais os integrantes podem expor suas dificuldades, pedir ajuda aos polímatas e debater sobre questões de suas próprias empresas. Também são realizadas sessões onde especialistas de diversas áreas são convidados para bate-papos abertos, no intuito de funcionar quase como uma escola. A rede ainda dispõe de um QG na sua sede, em Curitiba, oferecido para os assinantes desenvolverem seus trabalhos em um espaço coletivo, o que estimula assim ainda mais a troca de conhecimento e experiências.

Fonte: Unsplash

Observando todos estes negócios que têm sido referência em seus nichos, é possível notar que as alternativas para uma sociedade e economia de convivência mais inteligente são inúmeras. O importante, no fim, é compreender os momentos e as necessidades atuais do consumidor – isso é um passo fundamental para a inovação! Esta primeira macrotendência – de uma série de quatro – considera o estilo de vida cada vez mais acelerado e conectado da sociedade junto aos seus anseios por qualidade de vida. Neste mundo cada vez mais tecnológico, as pessoas estão mostrando que desejam que ele também seja mais humanizado e sustentável — natural, social e financeiramente. E o seu negócio? Está acompanhando esta tendência?

Quer saber como aplicar estas inovações em seu negócio? Baixe aqui nosso Caderno de Tendências 2018/2019 e ferramenta exclusiva para gestão de tendências.

 

Clube Sebrae
Mauricio Reck
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Consultor de Inovação no Sebrae/PR & CEO na UNA Smart!

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