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Como o Projeto Zero Um está transformando colaboração e slow fashion em negócio

Como o Projeto Zero Um está transformando colaboração e slow fashion em negócio

A moda vive um novo respiro - anda oferecendo peças diferentes, autorais e de qualidade. Com o modelo fast-fashion em decadência, o mercado se abre, com um público ainda mais crítico, às marcas que estão revolucionando o conceito de vestimenta. Dessa forma, a Projeto Zero Um mostra que faz moda com autenticidade e nos guia no post dessa semana sobre a economia sustentável, uma das tendências do nosso caderno e que pode te ajudar.     

A marca-laboratório surgiu quando as as designers Vanessa Gabardo e Patrícia Hirozawa repensaram seus projetos de vida, olharam para as questões que as guiavam e decidiram que era hora de sair do zero para o um - daí o nome. Não sei se você viu, mas falamos semana passada sobre a Goleiro de Aluguel, uma startup que transformou hobby em negócio. Pois é, as meninas também olharam para suas trajetórias e entenderam que já tinham tudo para transformar seus talentos em marca.

Mais que uma marca, um compromisso

Para Patrícia e Vanessa, a moda é mais que estilo, coleções e tendências temporais. Ela é um desafio de, junto com o design, mostrar que a roupa tem uma função prática, estética e simbólica na vida das pessoas. Por isso, como marca, elas têm o objetivo de romper com calendários, semanas de modas e coleções por estação para criar peças fundamentadas em três pilares como linguagem estética que são alfaiataria, sport e street. Unidos, eles passam a ideia de marca que elas estão construindo, rompendo barreiras e unindo mundos para criar peças únicas e úteis.  

Mesmo que o mercado negligencie essas questões de conforto, por exemplo, pensando no lucro, certas ideias não cabem na Projeto Zero Um. Onde já se viu uma calça com um bolso falso, gente? Bom, considerando que nada na moda é por acaso e que tudo que a gente veste representa padrões sociais, os bolsos não ficariam fora dessa. O mais curioso é que a história nos mostra um padrão sexista de bolsos que vem sendo calcado desde os 1600 e até hoje não temos espaço para os nossos celulares na roupa.  

Bom, esse é um valor material que a nossa cultura agrega e é contra esse tipo de estigma que elas lutam. Além, é claro, de sair do cerco da moda que cria em torno de eventos. Se elas começaram uma marca do zero, o céu é o limite, certo? Hoje elas trabalham com coleções cápsulas, que funcionam de forma diferente, sem precisar se encaixar em uma estação específica.

Para além da marca, elas são um laboratório. Por que? Porque ao oferecer peças duráveis e a ideia de que é possível reutilizar e reinventar o guarda-roupa, elas entendem que a venda não pode ser a única fonte de renda da Projeto Zero Um. Por isso que elas se apegam ao arsenal fornecido pelo fato de serem designers e propõe a venda de serviços também. Além de estamparia, modelagem e propostas para o mundo da moda, elas podem se encaixar como designers na resolução de problemas dentro de vários projetos.

Outro serviço, que elas acreditam muito, é a ideia de guarda-roupa cápsula. Nessa proposta, as pessoas abrem o armário e as vidas para que as designers analisem as roupas e alinhem com o projeto de vida de cada um. É tipo um “Pegar ou largar, com Stacy London” fora da tv. Aqui a ideia é oferecer um guarda-roupa que contenha só o necessário, ornando peças que você jamais imaginou e excluindo aquilo que não diz nada sobre você.  Dessa forma, é possível tornar o armário mais versátil, inteligente e mostrar o que ele pode dizer de novo. No final, a pessoa vai receber um material, falando da personalidade do guarda-roupa e todos os aprendizados que podem ser tirados dele, das roupas, dos formatos, do uso e das compras.   

Sobre ser sustentável

A ideia de sustentabilidade dentro do negócio pode começar de forma pequena - e em várias frentes diferentes. O que a Projeto Zero Um faz é olhar com carinho para a cadeia de fornecedores e integrá-los nos processos. As pessoas que fizeram parte da coleção apresentada na ID Fashion 2017, por exemplo, desfilaram junto com as designers. Para elas, o papel de todos está entrelaçado. As funções se constroem juntas, nada de designer na salinha separada.

Elas também optam por fornecedores brasileiros, o que influencia na emissão de carbono, e também na produção nacional. Em parceria com as marcas Novo Louvre e a Rocio Canvas, o Projeto Zero Um já participou de diversas ações colaborativas, como compras coletivas de materiais, que aumentam o poder de negociação e a possibilidade de trabalhar com fornecedores que normalmente só vendem para grandes empresas. Isso mostra como é possível driblar certas dificuldades juntando forças.

E como elas acreditam no poder da integração, nada mais justo do que incluir o consumidor no processo, ao entender as demandas e o que eles esperam das roupas. Segundo os Institutos Akatu e Ethos, o percentual da população brasileira que adere a valores e comportamentos mais sustentáveis de consumo é de 5%, quase 10 milhões de pessoas. É um público mais crítico, consciente de seus hábitos de consumo e, por isso, valoriza muito além da modelagem e a beleza de um produto. Por isso é importante saber escutar o que o consumidor está dizendo.

Mas é também sobre mostrar ao consumidor que ele faz parte de uma cadeia gigante e que faz uma escolha ao comprar - que é uma escolha política. Ao entender isso, ele compra a marca e entra para o time. Vestindo a camisa, o consumidor se fideliza e passa a marca adiante, contando as vantagens de um produto mais durável e com uma qualidade superior. Para a Zero Um, a roupa está ali como uma consequência de todo um valor que elas querem criar. A intenção é que o produto não termine e nem necessariamente comece só nas roupas.

Os próximos passos são colocar o e-commerce no ar e um espaço físico em Curitiba, com peças à mostra. Por enquanto, elas comercializam pelo Instagram, Facebook e em eventos. Ocasionalmente se deparam com clientes por acaso, que se apaixonam pelas peças e levam a marca para todo canto - essa na foto é a Renata Sorrah, que apareceu durante uma sessão de fotos da marca e comprou uma calça.

Para o seu negócio, é possível pensar de que forma é possível construir um empresa com responsabilidade social e como você pode maximizar os produtos e processos naturais no negócio. Dá para começar e aos poucos colocar em prática nos processos, não custa tentar!

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