Coletivo Alimentar propõe espaço com conceito único voltado para alimentação
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Coletivo Alimentar propõe espaço com conceito único voltado para alimentação

O Robô Laura, uma inovação que comentamos por aqui na semana passada, nasceu da dor de um pai e agora salva vidas. Usa a tecnologia e ultra-conectividade para isso. Com muito propósito e uma estratégia alinhada, é possível criar um negócio de sucesso, sim. Inclusive, às vezes o negócio começa só com o propósito, pensado meio que sem pensar.

Essa é a história do Coletivo Alimentar, um espaço para fazer comida, comer comida, comprar comida, falar sobre comida e ainda plantar comida. Idealizado pelo engenheiro mecânico Luiz Mileck, hoje o Coletivo tem vida própria, está crescendo e cada vez mais andando com as próprias pernas.

No capítulo de hoje, é com o Coletivo que vamos falar sobre Economia Sustentável, uma das tendências do nosso Caderno, esse mapeamento que pode te dar um norte na hora de pensar nos rumos para o ano que vem.

#100DiasSemProjeto

Com muitas ideias e possibilidades, o negócio foi começado com o espaço em branco, pronto para testes. A partir daí, com um negócio aberto à prototipação, eles tinham o espaço, um fogareiro e um coador de café. Cada dia alguém vinha fazer algo, cozinhar, fazer café, reunião. Foi assim que os workshops tiveram início, a interação com os produtores, cursos e durante 100 dias o espaço foi se entendendo e se criando.

O objetivo era pagar o aluguel. Agora, dois anos e meio depois, o espaço reúne restaurante, café, padaria, mercearia, coworking, espaço para cursos e oficinas. Além disso, no terraço, está a horta onde são produzidos temperos e hortaliças, e tem ainda a composteira, que funciona com um processo natural em que os micro-organismos, como fungos e bactérias, são responsáveis pela degradação de matéria orgânica.

Desde o primeiro dia de funcionamento, diferentes iniciativas aportaram no espaço de 400 metros quadrados. No TNT, torneio de baristas para fazer latte arte, realizado no dia em que o alvará saiu, foram 20 profissionais participando da competição, o maior número registrado em Curitiba nos últimos tempos. Com uma máquina de expresso emprestada, o torneio reuniu 100 pessoas em uma noite.

Living Lab

Living Lab, algo que em português ficaria laboratório vivo, é uma metodologia de inovação que enfatiza a co-criação de projetos com as partes interessadas e testes em ambientes reais de uso. O Coletivo Alimentar, portanto, se considera um living lab de cultura alimentar - hoje, no mundo, existem 2 ou 3 fazendo isso de unir pessoas pensando em comida.

Não tá entendendo? A estrutura explica: ao entrar no Coletivo, você se depara com uma mercearia. Nas vitrines, produtos artesanais, locais e orgânicos – itens selecionados levando em conta a preocupação do Coletivo em ser coerente em termos sociais, ecológicos e culturais.

No balcão, um café, com bar e lanchonete repleto de delícias para comer e beber; a oficina, é um espaço mais reservado ideal para eventos, cursos, palestras ou qualquer outro tipo de encontro. Na parte superior do Coletivo há escritórios – ocupados por profissionais da área gastronômica – , uma sala de reunião, uma biblioteca gastronômica e um estúdio de fotografia culinária. O Coletivo também pode ser considerado uma incubadora de pessoas, que fomenta novas ideias e projetos.

O modelo de negócio é pensado como algo horizontal. O Coletivo não tem nenhum funcionário e é um espaço que tenta eliminar toda a hierarquia. Para funcionar, uma parte do lucro de quem está produzindo fica para o Coletivo - esse valor paga aluguel, condomínio, água,  limpeza e todos os gastos que o espaço tem. O Coletivo não visa lucro, mas as empresas que estão lá dentro sim. Portanto, quanto mais elas arrecadarem, melhor para eles e para o Coletivo. 

Alguns projetos estão crescendo. O Somos Cozinheiros, que surgiu no início do Coletivo, focado na aprendizagem autônoma, agora vai se dividir em dois grupos: mestres e aprendizes. A ideia é que cozinheiros experientes passem seus conhecimentos para quem está interessado. E agora está nascendo o Terraço Alimentar, projeto que busca viabilizar a produção de plantas, com foco nas alimentícias, em terraços urbanos durante todo o ano.

A ideia inicial é transformar o terraço do Coletivo Alimentar em um laboratório de testes de tecnologias que possibilitem a produção de alimentos de maneira eficiente, com tratamento de resíduos. A partir disso, o projeto modular poderia ser replicado em qualquer terraço urbano, incluindo o de edifícios e até de shoppings que não tenham sido projetados com este objetivo. O propósito final é transformar o Terraço Urbano em selo que sirva como uma ferramenta de controle de impacto ambiental, visando a sustentabilidade e qualidade dos terraços urbanos.

Repensar espaços, recursos e estilo de vida é importante e pode ter um impacto significativo na cidade. Além disso, valorizar o local e construir pontes entre as pessoas geram resultados e demonstram um compromisso real. Isso também é Economia Sustentável.

Agora você pode pensar: Como mostrar um compromisso real com determinado lugar? Como construir pontes entre pessoas e culturas? Como suprir a necessidade de consumo ético e consciente? Como construir uma empresa com responsabilidade social? Como maximizar produtos e processos naturais no meu negócio?

 

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Ricardo Dória
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Empreendedor, fundador da Aldeia e co-fundador da A Grande Escola. Alumni da Global Shapers Community, doutorando em computação, mestre em administração.

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