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Como a Quíron descobriu na educação um negócio sustentável

Como a Quíron descobriu na educação um negócio sustentável

Quando você pensa em sala de aula, qual a primeira imagem que vem a sua cabeça? Carteiras em filas, horários, provas, cobranças? Pois é, engessamos uma educação do século XIX e esperamos que ela funcione até hoje. Para mudar isso, é preciso entender o que ainda falta e o que pode ser feito. Aliás, tem muita gente percebendo negócios em coisas que faltam: a gente falou da Thesame semana passada, que fez um e-commerce focado no público LGBT

E mais que isso, a Quíron acredita no protagonismo como a verdadeira revolução. Algo próximo ao que a autora bell hooks diz: é preciso construir uma educação humanista que reconheça as peculiaridades do indivíduo e que garanta a voz aos estudantes, desenvolvendo o senso crítico e avançando para uma prática que liberte as minorias das opressões.

Hoje, com 5 anos de estrada, eles caminham para se tornar um grupo educacional fora da caixa. Explorando frentes como a escola da Ponte, Paulo Freire, design thinking, eles desenvolveram uma metodologia própria, que é revisitada e renovada pelo menos uma vez por ano. Com uma equipe sempre atenta e multidisciplinar, a ideia é acompanhar tudo que acontece de novo e pode ser absorvido pelo time.

Focados em ajudar o jovem a desenvolver seus talentos e a descobrir seus sonhos, a Quíron se baseia em quatro pilares: empreendedor, inovador, ser (autoconhecimento) e social (qual meu papel no mundo). Eles estão alinhados aos pilares da UNESCO, e podem desenvolver liderança, visão analítica, comunicação, resiliência, inovação e coragem.

Olha aí um pouco dos resultados:

A ideia aqui é fazer com que as pessoas parem de reclamar e se tornem autoras de suas histórias, construindo um mundo protagonista e, consequentemente, mais feliz. A Quíron acredita que ao tornar as pessoas mais felizes, próximas dos seus propósitos de vida, estão mudando o mundo. E faz muito sentido.

O que eles perceberam também foi que não adiantava só mudar o jovem. Entender as necessidades dos professores, tornado-os grandes aliados nesse processo, também é fundamental. Pode parecer óbvia, mas a ligação entre a qualidade do professor e o que se aprende em sala de aula só foi estudada e comprovada nos últimos anos.

As pesquisas mais recentes mostram que não há fator mais importante para o sucesso do aluno na escola e na vida adulta. É mais decisivo que o tamanho das redes de ensino, em que região do mundo estão, as diferenças socioeconômicas entre os estudantes, os gastos com a educação de cada país, se a escola tem ou não computador.

O trabalho da Quíron com os professores, portanto, é apresentar em um curso de 15 horas uma jornada do despertar de seus potenciais, no compartilhar de boas práticas e no repensar dos modelos educacionais. O resultado está nos 80% dos professores que perceberam o aumento do engajamento de seus alunos após a aplicação de técnicas aprendidas em sala.

Disruptivos venceremos

Hoje, além de Curitiba, a Quíron tem base em São Luís, no Maranhão, e em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Mas o trabalho já foi realizado em cidades de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Ceará, Santa Catarina.  A Quíron atuou ainda na Colômbia formando 60 estudantes, numa parceria com a Fundação Tintin – em um projeto com jovens que viveram em região de conflitos armados.

O importante é ter gente interessada. A proposta é suprir carências do formato tradicional de ensino, despertando mudanças comportamentais e criando novos referenciais para os jovens. Por exemplo, a Rocinha. A Quíron entrou na maior favela do país e encontrou verdadeiros diamantes - crianças com um senso crítico aguçado, participativos e desenvoltos. A proposta é que um desses jovens se destaque, a partir do que aprendeu com a metodologia da Quíron, e se torne uma nova referência para quem também nasceu lá.

O negócio social, para custear o programa de formação, fecha contratos com escolas particulares, órgãos do governo, organizações sociais ou empresas interessadas em custear as atividades em escolas públicas. Mesmo trabalhando com um propósito social, eles não dependem de doações e se mantém sustentáveis economicamente com um modelo de negócio que pode ser replicado em qualquer lugar, num período de três semanas a um mês.

E a tendência de crescimento é evidente. Com um modelo redondo, eles perceberam exatamente alguns pontos urgentes - mesmo que ainda existam vários gaps possíveis de trabalho para serem feitos na educação. Um noção inicial do sucesso é que a taxa de desistência entre os alunos do Quíron é quase nula. Em compensação, de acordo com dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNDU), um em cada quatro alunos do Ensino Fundamental abandona a escola.

Mas eles não se tornaram referência de uma hora para outra. A primeira grande lição foi aprender com os feedbacks e construir uma empresa que está realmente ouvindo a necessidade do mercado. Eles ensinam o conceito do feedback como um presente e guardam o do primeiro aluno que passou pelo curso.

Assim a Quíron se tornou uma das duas paranaenses que receberam o Selo Empresa B, certificação conferida pelo Sistema B para empresas que unem lucro à transformação social. O conceito das “B Corps” foi criado pelo B-Lab nos EUA em 2006, com a proposta de redefinir o sucesso para os negócios.

Hoje, há mais de 950 companhias – 75 delas na América Latina - em 30 países e 60 setores. No Brasil, esse conceito chegou há pouco tempo, liderado pelo Comitê pela Democratização da Informática (CDI) em parceria com o Sistema B, representante do movimento na América Latina, e já possuí 46 empresas com o certificado.

Isso marca o benefício de ser uma empresa oficialmente engajada com a sustentabilidade em seu ramo de atividade pelo sistema B. Por isso eles nos ajudaram nessa jornada para falar sobre Economia Sustentável - uma das macrotendências do Sebrae e que também pode ser aplicada no seu negócio. Aliás, seguindo o Sebrae Trends você fica sempre por dentro.

 

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Ricardo Dória
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Empreendedor, fundador da Aldeia e co-fundador da A Grande Escola. Alumni da Global Shapers Community, doutorando em computação, mestre em administração.

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