Como o Robô Laura usa inteligência cognitiva para salvar vidas
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Como o Robô Laura usa inteligência cognitiva para salvar vidas

A Mari Donas, empresa de reparos e reformas que foi nosso case na semana passada, se inspirou nas próprias experiências (ruins) para criar um negócio que ofereça experiências únicas aos usuários na hora da construção. Pegar essa bagagem negativa e transformar em um negócio nem sempre é fácil, mas pode inclusive salvar vidas.

Isso é o que tem feito o Robô Laura, mas a jornada não é simples. Jacson Fressato, analista de sistemas, perdeu a filha Laura com 18 dias de vida. A partir daí, ele fez uma promessa: nunca deixar que ela fosse esquecida.  Recém-nascida, Laura foi vítima de septicemia, uma infecção silenciosa que tira a vida de milhares de pessoas em todo o mundo diariamente.

O luto, que se transformou em uma caça por culpados, acabou revelando um trabalho, talvez uma missão para Jacson. Isso porque a sepse é sorrateira e, exatamente por causa da Laura e de uma força paterna aliada ao conhecimento analítico, agora a doença está começando a perder forças para um novo rival.

Laura se tornou, portanto, o nome do primeiro robô cognitivo em todo o mundo a ser usado para gerenciamento de riscos na área da saúde. E agora ele vai nos ajudar a explicar essa história de ultra-conectividade, usando a tecnologia para fazer o bem. O objetivo do Laura é reduzir o tempo de identificação de casos de infecção generalizada e aumentar a velocidade de administração de antibióticos, o que pode ser essencial para salvar a vida de um paciente.

A média do intervalo entre a suspeita e a confirmação do caso, no Brasil, é de 13 horas, mas foi diminuída para três com o auxílio do robô. A complicação afeta cerca de 2,5 milhões de pessoas por ano no país, com taxa de mortalidade de 10%.

 

 

Uma vez implementado, o sistema passa a conversar diretamente com a área operacional e gerenciar riscos através de computação cognitiva, uma tecnologia que permite que ele aprenda de acordo com novas informações e possa se adaptar a novas circunstâncias.

A equipe do hospital também pode se comunicar com o robô através de computadores ou dispositivos móveis e, caso sinta necessidade, pode alertar médicos ou enfermeiras sobre pacientes que precisem de atenção imediata através de mensagens SMS. Os profissionais, então, têm acesso a todos os prontuários e informações para tomarem a melhor decisão possível.

O Robô Laura se comunica com enfermeiros e médicos através de terminais no hospital. Quando algum paciente requer atenção, esta informação é exibida com um alerta de urgência mínimo. Se o pedido não for respondido, uma ferramenta chamada “Ansiedade de Laura” entra em ação, deixando a cor do monitor cada vez mais vermelha, o que significa um aumento da urgência do caso. Se necessário, o robô pode entrar em contato com médicos responsáveis.

Como esse negócio é possível?

Jacson acredita que o Brasil ainda vive em um cenário de fazer negócios sem dinheiro - considerando vários fatores históricos e um contexto econômico atual. Hoje, com 15 programadores e 3 robôs em operação, ele diz que o negócio vingou porque ele construiu dinheiro e investiu no projeto. A ideia dele é fazer caridade para ficar rico e não o contrário.

Para isso, é preciso ter um propósito muito bem alinhado com o trabalho e um plano de negócios disruptivo. A descrição do negócio do Robô Laura é a seguinte:

“Somos apaixonados por fazer as coisas certas, da maneira certa, da primeira vez, e acreditamos que o mundo pode se tornar melhor se nós fizermos isso, tocando nossos clientes, ajudando-os a mudar o mundo a sua volta. Temos plena consciência de que a nossa primeira vocação é ajudar as pessoas a colocar seus talentos a serviço de algo maior, gerando resultados para o bem do próximo”.

Esse exemplo nos ajuda a desconstruir e desmistificar os temores em relação à inteligência artificial. Afinal de contas, ela já está aí e precisa ser aproveitada. Ao criar um contato entre robôs e humanos, é possível otimizar o uso dos dados e colocar os problemas da humanidade em outro prisma.

Além disso, a estimativa é que 25 bilhões de coisas estarão conectadas até 2020. O mercado de internet das coisas está previsto para crescer $1,7 trilhões até esse mesmo ano. Esse crescimento indica que, virtualmente, todo objeto animado ou inanimado da terra pode estar gerando e transmitindo dados daqui algum tempo. Isso inclui nossas casa, carros, ambientes naturais ou produzidos pelo homem e, sim, até nossos corpos.

Graças a sistemas melhores de inteligência artificial e a ultra-conectividade que entendem contextos como um todo, teremos conteúdos e soluções mais personalizadas e rápidas. Mais trabalhos serão automatizados, mais pessoas serão necessárias para gerenciar essa automação. Consequentemente, na área da saúde, pessoas vivendo mais e melhor.

Por isso, o melhor é se acostumando porque conversa entre pessoas e robôs ficarão cada vez mais naturais e presentes nas nossas vidas. Como diz o Jacson, esses aparatos todos servem para fazer o bem e é isso que o Robô Laura faz todos os dias: salva vidas! E além do ambiente hospitalar, hoje eles estão desenvolvendo o API service da Laura, que vai poder ser usado em outras aplicações, outros negócios.

A questão aqui é: existe um problema maior que uma morte no final do dia? Acho que não. Então se o Robô Laura está garantindo que isso não aconteça com a Sepse, imagina o que ela pode fazer dentro de uma empresa?

Agora é sua vez de se perguntar:

Como utilizar truques digitais para oferecer soluções aos meus clientes?

Como os consumidores interagem com máquinas?

Quais dispositivos são estes?

Como explorar a realidade virtual e/ou aumentada para facilitar a interação dos meus clientes?

 

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Ricardo Dória
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Empreendedor, fundador da Aldeia e co-fundador da A Grande Escola. Alumni da Global Shapers Community, doutorando em computação, mestre em administração.

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