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Conheça empresas inglesas que estão inovando nos negócios de maneira simples

Conheça empresas inglesas que estão inovando nos negócios de maneira simples

 “Inspiração não é imitação” — já diria a máxima popular. Colher referências, sobretudo estrangeiras, ajuda a abrir o horizonte para empresas e startups: no Brasil, um exemplo de ideia colhida lá fora e aplicada por aqui é o Peixe Urbano, primeira empresa de e-commerce local que adotou dinâmica semelhante ao grupo americano Groupon. Além disso, jovens empreendedores viajam em busca de referências e estudos em polos empreendedores, como o Vale do Silício. Porém, a questão primordial é: a cópia pura e simples é sinal de insucesso. É necessário adaptar sempre a ideia ao público-alvo e à realidade do país/estado/cidade em que o negócio será iniciado.

Além de ficar atento para as tendências mapeadas pelo Sebrae para os negócios em 2017, apresentamos algumas boas ideias vindas do Reino Unido que conversam diretamente com temas em alta, como Economia Sustentável, Escassez de Tempo, Experiências Únicas e Ultraconectividade — assuntos imprescindíveis para empreendedores e empresas que desejam se destacar no mercado.

 

3 empresas, 3 soluções sustentáveis

Quer instituir a sustentabilidade do começo ao fim no seu negócio, com uma atitude muito simples? Pegue como exemplo o Itsu. A cadeia de restaurantes japoneses sediada em Londres, com 40 unidades, concede aos clientes 50% de desconto meia hora antes de fechar. A ideia soa banal? Pois saiba que ela é sustentável como um todo:  como há filas de pessoas que querem comprar as saladas, guiozas, sushis e sashimis pela metade do preço, as prateleiras ficam vazias. Logo, os donos dos restaurantes conseguem manejar seus estoques de melhor forma, há menos desperdício de alimentos, e o consumidor ganha: consegue desfrutar de uma comida saudável, por preços menores.

A iniciativa é importante em um mundo que joga comida fora — mais precisamente, 1,3 bilhões de toneladas. De acordo com a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO/ONU), 33% do que é produzido anualmente no mundo vai para o lixo.  Ainda segundo a FAO, o a perda ocasionada pela falta de logística alimentar é de US$ 750 bilhões de dólares por ano.

Assim como na maioria das megalópoles, Londres está atenta para o mercado vegetariano: na cidade, encontrar produtos sem origem animal não é difícil — praticamente todos os cafés oferecem ao menos uma opção voltada para esse público. A preocupação é essencial, já que o número de vegetarianos no mundo cresce ano a ano. Apesar de não existir uma estatística precisa sobre quantos vegetarianos temos no mundo, um dado do Google Trends exemplifica esse mercado: o aumento de buscas por termos veganos no mundo aumentou 98% entre 2011 a 2015.

No entanto, a rede de fast-food britância Pret a Manger, que é conhecida por oferecer opções rápidas, naturais e orgânicas, foi além. No ano passado, a empresa abriu uma loja temporária exclusiva para o público veggie em uma região central da cidade. A aceitação foi tamanha, que a rede não somente fixou um ponto permanente no local como também expandiu. Em pouco mais de um ano após a abertura da primeira Veggie Pret, a cidade inglesa hoje conta com três lojas do fast food vegetariano. Nas prateleiras, as opções ofertadas pregam uma alimentação ética e consciente.

Apesar de estar focada naqueles que já são veganos ou vegetarianas, a marca também faz um convite para que as pessoas adotem uma dieta “flexetariana”. O termo soa estranho, mas existe: a proposta é deixar a carne fora do prato ao menos algumas vezes por semana.

Outra tendência mundial que vem ganhando força sobretudo na Europa, são os supermercados “zero lixo”, como o Bulk Market, o primeiro de Londres a não usar nenhum tipo de embalagem. Os clientes não levam apenas as sacolas ecológicas para carregar tudo no final, mas também vidros, potes e sacos para guardar os produtos — o estabelecimento vende grãos, legumes, frutas, pastas, temperos, pães, bebidas como o Kombucha e até ração para cachorro. É a retomada do “velho novo” jeito de comprar (a geração pré-plástico usava justamente a mesma dinâmica).

Fundado por Ingrid Caldironi, o Bulk Market tem o seguinte propósito: os negócios precisam ser um meio facilitador para as pessoas tomarem decisões corretas — não deixar embalagens disponíveis é uma delas. E o sistema de compra a granel é outro facilitador: muitos clientes relatam que usam menos todos os tipos de produtos, pois conseguem comprar a quantidade ideal para o dia a dia, ou para uma receita, por exemplo.

Apesar de algumas capitais brasileiras (como Belo Horizonte) terem proibido o uso de sacolas plásticas nos supermercados, assim como em Londres, no Brasil muitas vezes o item não é nem mesmo reciclável. No mundo todo, estima-se que se consuma, por dia, um bilhão e meio de sacolinhas, que são consideradas um vilão ambiental: produzidas com petróleo ou gás natural (recursos não-renováveis), levam cerca de 450 anos para se decompor.

 

Sem tempo, com vinho em casa

Ao contrário da proposta de negócios como o Bulk Market, que incentiva o cliente a também por a “mão na massa” e se responsabilizar pelo seu consumo e geração de lixo, a Garçon Wines se encaixa em outra tendência: a escassez de tempo. Hoje, a reclamação recorrente é não ter tempo para nada, até mesmo para atividades corriqueiras, como comprar um vinho.

Pensando nisso, a startup londrina resolveu revolucionar a entrega de vinhos: na cidade, quem quer comprar a bebida online precisa estar em casa para receber (porteiros nos prédios são uma raridade em Londres). Por isso, a empresa projetou uma garrafa com um design achatado (que passa pela abertura da caixa de correspondências), e material plástico, semelhante ao vidro, que não quebra e é resistente leve o suficiente para suportar o sistema postal e reduzir os custos de entrega.

 

Mais que um produto, vivência

Em um mercado em que é possível encontrar de tudo, os negócios que oferecem experiências únicas aos seus clientes geralmente ganham pontos com o público e com o mercado. O Cereal Killer Café, não vende nada além de cereais de caixinha. Além de trabalhar com o lado afetivo (o cereal é um dos primeiros alimentos com os quais conseguimos nos servir sozinhos quando crianças), o café foca na ambientação e leva ao cliente uma experiência nostálgica por meio dos brinquedos e brindes expostos, que vinham na caixinha de cereal. Mas engana-se quem pensa que o foco aqui é no exclusivamente no público infantil. Os adultos procuram a rede pois é como retornar ao tempo nos anos 1990, na mesa da cozinha ou no quarto (sim, há camas e edredons para desfrutar a iguaria).

Os fundadores, Gary e Allan, vendem mais de 1 mil tipos de cereais de todo o mundo: duas raridades são o “Oreo O”, da Coreia do Sul, e o “Chocula”, dos Estados Unidos, esse feito de chocolate e mirtilos e lançado apenas na época do Halloween.

Seja para achar horrível ou adorar os produtos, os fundadores têm um propósito: que o cliente tenha uma “verdadeira experiência de cereal”.

 

Buscando referências

As histórias das empresas londrinas que relatamos aqui podem ajudar você, empreendedor, a ter uma nova visão sobre o seu negócio: fazer a diferença no meio ambiente com medidas simples, oferecer serviços únicos e resolver o problema de muita gente pensando em uma solução prática. É importante, porém, ter em mente sempre que as inspirações estrangeiras não podem ser apenas transferidas: é necessário adequá-las à realidade brasileira.  É o primeiro passo para utilizar tendências dentro do seu negócio.

Clube Sebrae
Carolina Pizatto
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Curiosa e inquieta; adora descobrir o que de novo está acontecendo pelo mundo! Interessada em Inovação e Design de Serviço, fixou seu cantinho em Londres. Designer e Administradora por formação, atua como pesquisadora na DUCOntact.com.

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