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Linyon: conexão entre refugiados e o mercado de trabalho

Linyon: conexão entre refugiados e o mercado de trabalho

A gente gosta de falar sobre negócios que, além de pensar na sua sustentabilidade e crescimento, também estão focados em mudar o mundo. A Quíron Educação se tornou uma das únicas empresas paranaenses do sistema B, por isso a gente falou dela na semana passada. Hoje vamos falar sobre ultraconectividade, uma macrotendência que abraça várias frentes e está mais presente nas nossas vidas do que você imagina.

Ela é evidente quando se trata de tecnologia, mas também é importante pensá-la além da técnica e falar de conectividade entre pessoas. Existe um mercado focado em fazer essa ponte, criando oportunidades e grandes diálogos. Por isso a gente vai contar a história do Linyon Global Workers hoje, um negócio social que inclui refugiados e migrantes humanitários no mercado de trabalho.

Questão de vida ou morte

De uma hora para outra, deixar sua casa, trabalho, dinheiro no banco, família e se mudar para um outro país. Pode ser devido a uma guerra, perseguição política ou outra situação que coloque a vida em risco, essa é a vida dos refugiados, que acabam procurando um país para ter proteção. Acontece que as barreiras culturais, linguísticas e históricas dificultam a inserção no novo país e, inclusive, o desenvolvimento econômico de algumas dessas pessoas.

E quando o país de refúgio é o Brasil, os trâmites e a burocracia fazem com que tudo pareça mais difícil. Mas não se trata apenas de burocracia: a dificuldade para ser contratado é, também, consequência de preconceito racial e cultural, que impõe barreiras à assimilação dos imigrantes na sociedade brasileira - bom, somos o país onde trabalhadores negros ou pardos ganham 40% a menos que os brancos, segundo o IBGE.

Olhando para essas dificuldades, Marcela Milano teve o click de unir sua experiência em articular empresas e candidatos, trabalho que desenvolveu na Câmara Americana de Comércio, e sua rede de contatos para transformar isso em um negócio. O movimento inclinado para um público tão específico, refugiados e migrantes humanitários, veio do intercâmbio que ela fez e percebeu que tudo fora do seu país é mais difícil - desde lidar com a língua até questões de legislação que não fazem nenhum sentido pra você.

Ao contar sua ideia, recebeu um empurrão do André Pegorer, que começou a espalhar o projeto do Linyon e aumentar a rede da Marcela. Em 2015 ela fundou uma empresa híbrida, pensando na sustentabilidade do negócio e ainda a possibilidade de ter impacto social. Portanto, a atuação hoje, como empresa, é a venda de treinamentos corporativos e o recrutamento para empresas. Como instituto, eles tem o programa de capacitação para migrantes e refugiados, com o intuito de prepará-los para a realidade do mercado nacional. Dessa forma, é possível captar recursos, agregar voluntários e contar com a ajuda de editais para a manutenção de um projeto que não faz sentido nenhum ser cobrado.

Quebrando barreiras

O número de refugiados e deslocados no mundo atingiu 65,6 milhões de pessoas no ano passado, um crescimento de 300 mil na comparação com 2015, segundo o Relatório Global Sobre Deslocamento Forçado em 2016, divulgado pelo Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur).

O solicitante desse status submete seu caso a um órgão nacional regulador quando chega a um país. A autoridade decide sobre a concessão ou não da condição legal de refugiado com base na Convenção de 1951 e na legislação doméstica. Normalmente, os casos são analisados individualmente com base nos argumentos do solicitante, que deve fundamentar seu “temor de perseguição”. A pessoa não pode ser devolvida ao seu país de origem, de acordo com uma regra chamada non-refoulement, e não pode deixar o país no qual solicitou o refúgio durante todo o tempo em que seu pedido estiver sendo analisado.

Mas não basta receber. É preciso dar suporte e criar oportunidades reais. O Linyon diagnosticou que a questão empregatícia ainda é o grande problema para eles. Considerando que muitos têm formação superior, mas não conseguem validar o diploma aqui, acabam sendo subutilizados diante do grande potencial que tem.

Depois, vem a questão de acesso. Eles não conhecem ninguém, não sabem onde procurar emprego. Daí entra o Linyon, que ainda rompe a barreira de preconceito de algumas empresas e mostra o potencial de assumir um funcionário dessa condição: novas ideias para a empresa, capacidade de inovação, o comprometimento de alguém que está contando com esse emprego para o recomeço e a inserção de uma visão global no negócio.  

É preciso considerar que o trabalho sempre foi o principal catalisador da integração social e cultural. Através do trabalho, os refugiados, neste caso concreto, podem ganhar uma forma de sustento no futuro, bem como a oportunidade de contribuir para os sistemas econômicos, integrando-se mais facilmente na sociedade. Acelerar a sua integração nos mercados de trabalho é coerente para todas as partes.

Como mais um incentivo, o Linyon está desenvolvendo um selo corporativo, que vai certificar empresas que tenham ações transformadoras com a população em situação de refúgio. Através do selo, as empresas farão parte de uma comunidade que entende a importância do protagonismo das corporações na transformação do mundo. Claro, tudo submetido a averiguações e a uma colaboração real com a causa.

E se você está perguntando o que cargas d’água significa Linyon, a resposta convém e conversa com a nossa macrotendência ultraconectividade: significa união em crioulo, o idioma do Haiti. O nome demorou dois meses para surgir, mas veio certeiro. Agora, com dois anos, a equipe tem 5 pessoas e acabou de fechar parceria com a CORSH, empresa focada em recrutamento. E parece que é só o começo dos muitos planos que o negócio tem. 

E você, como está aplicando a ultraconectividade? Alguns dos questionamentos que você pode fazer são:

Como estimular a construção de pontes entre pessoas?

Como promover a conexão entre pessoas de maneira inusitada?

Como fortalecer a conexão entre pessoas?

Como a união de duas ou mais pessoas pode facilitar determinada tarefa?

 

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Ricardo Dória
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Empreendedor, fundador da Aldeia e co-fundador da A Grande Escola. Alumni da Global Shapers Community, doutorando em computação, mestre em administração.

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