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#MeToo – O que as empresas podem aprender com o caso “Harvey Weinstein”

#MeToo – O que as empresas podem aprender com o caso “Harvey Weinstein”

“O influente produtor de Hollywood Harvey Weinstein é acusado por dezenas de mulheres de assédio sexual e moral.”

O que parece ser apenas mais uma manchete de revista de fofocas sobre celebridades é, na verdade, um grande exemplo da importância da transparência e do compartilhamento de valores no mercado atual.

Essa história traz lições muito relevantes para organizações que desejam compreender as mudanças no perfil dos consumidores atuais e que querem fortalecer o engajamento com seus públicos.

Quer entender melhor a relação entre caso Weinstein e o posicionamento que sua empresa deve assumir perante os consumidores da atualidade? Continue lendo este artigo!

#MeToo

Por anos, Hollywood se manteve em silêncio e fechou os olhos para a má conduta de Weinstein em relação às mulheres com as quais ele trabalhava.

Isso começou a mudar no dia 5 de outubro de 2017, quando o jornal The New York Times publicou uma matéria que revelou que esse renomado profissional, que já ganhou um prêmio do Oscar e foi diversas vezes indicado ao Emmy, vinha violentando mulheres há décadas, usando seu poder como meio de conseguir o que queria.

Após a publicação da investigação feita pelo jornal, surgiu uma onda de depoimentos de atrizes, modelos e funcionárias declarando que também haviam sofrido violência sexual e moral de Weistein. Alguns dias depois, a atriz Alyssa Milano publicou um tweet pedindo a todas as mulheres que já haviam sofrido qualquer tipo de violência sexual que respondessem #MeToo (“Eu Também”).


O movimento Me Too havia nascido anos antes, em uma campanha criada pela ativista pelos direitos das mulheres Tarana Burke. Mas foi a partir do tweet de Alyssa, e impulsionado pela movimentação causada pelas acusações a Weistein, que a hashtag #MeToo ganhou força e virou uma ferramenta digital para dar voz a mulheres de todo o mundo.

De acordo com Facebook, em apenas 24 horas, 4,7 milhões de pessoas se engajaram na conversa #MeToo, com mais de 12 milhões de posts, comentários e reações. Além disso, a polêmica também gerou diversas passeatas e protestos fora da internet, ao redor do globo.  


O debate começou com o caso Harvey Weinstein, mas vai muito além: é sobre assédio no ambiente de trabalho, sobre violência doméstica, sobre abuso sexual e moral, sobre patriarcado e sobre todos os tipos de maus tratos que muitas mulheres ainda sofrem.

Essa avalanche criada pelo #MeToo resultou ainda na denúncia de outros profissionais conhecidos mundialmente. Depois de Weinstein, mais de 40 homens perderam seus cargos de poder por conta de acusações de má conduta sexual no ambiente de trabalho.

“E o que a minha empresa tem a ver com isso?” – Você pode estar se perguntando

Acredite: entender a movimentação gerada em torno do caso Weinsten é muito importante para qualquer empresa que deseja se engajar com os consumidores da atualidade. Esse debate mostra uma realidade importante sobre o comportamento das pessoas no que se refere à defesa de seus valores.


Seus clientes não querem mais ficar no escuro em relação às práticas da organização. Cada vez mais, os consumidores vão exigir transparência e verdade das organizações.

Recentemente, publicamos um resumo das grandes tendências de consumo que as marcas devem acompanhar em 2018. Entre as principais movimentações está a tendência Glass Box – que levanta a importância da transparência nas organizações. 

Essa tendência indica que, em um mundo tão conectado como o atual, as ações internas da empresa se refletem rapidamente para o mercado e para os clientes. O público está observando o tempo todo os valores, as ações e os relacionamentos das marcas – e tomando decisões baseadas no que é possível observar.

O que aconteceu em Hollywood pode acontecer em qualquer organização. Aliás, já está acontecendo. Duas empresas de tecnologia superpoderosas trazem exemplos claros dessa tendência:

  • Um post de uma colaboradora da Uber denunciando atitudes machistas dentro da organização se tornou viral, culminando na saída de Travis Kalanick, CEO da organização na época.
  • Ao mesmo tempo, um “manifesto antidiversidade” de um funcionário do Google expôs a desigualdade de gênero na empresa e no mercado de tecnologia como um todo.

O que sua empresa pode aprender com o movimento #MeToo

Definitivamente, estamos vivendo em uma era Glass Box. O que acontece dentro da organização, já não fica restrito ao ambiente interno. Por meio de alguns cliques, as verdades (boas e ruins) sobre qualquer empresa podem ser expostas para o mundo inteiro.


Isso parece assustador, mas sua marca deve aproveitar esse cenário para aumentar o engajamento com seu público.

Sabendo que o consumidor atual quer transparência das organizações e que ele irá escolher se relacionar com as marcas mais alinhadas aos seus valores, sua empresa pode se posicionar para atender essa demanda específica dos clientes.

Quanto mais transparente sua marca for, mais fácil será atrair e engajar consumidores que se identifiquem com sua cultura e valores.

Algumas marcas de alimentos e cosméticos, por exemplo, já perceberam que os consumidores atuais estão mais atentos aos ingredientes dos produtos e querem saber se os itens foram fabricados de acordo com os valores que eles defendem. E se não encontram informações suficientes sobre isso na embalagem, eles podem não apenas deixar de comprar, como também denunciar a marca na internet, alertando outros consumidores.

Então…

Se os clientes querem transparência, dê isso a eles!

  • Deixe claro (por meio de comunicados e ações) quais são os valores que sua marca defende;
  • Exponha os “bastidores” da organização;
  • Divulgue depoimentos de funcionários falando sobre o trabalho deles;
  • Destaque os processos e ações da empresa que estão mais alinhados aos valores dos clientes.

Isso, claro, precisa ser feito de forma genuína! Pior do que não ser transparente, é mostrar uma realidade que não existe.

E se você acha que há algo dentro da sua empresa que os clientes não iriam ficar nada felizes de saber, é bom repensar essa questão. O caso Weinstein revelou que, não importa o quanto você tente esconder, e o quão “seguro” você acredite que o seu segredo está, ninguém escapa da força do público quando ele decide expor a verdade.

Inspire-se

Mas chega de maus exemplos!

Confira a seguir alguns casos que podem inspirar sua empresa a abraçar a tendência Glass Box e usar a demanda dos clientes por transparência como uma ferramenta de engajamento com o público.

Em vez de evitar falar sobre questões críticas relacionadas a seus mercados, as marcas abaixo estão entrando na conversa com os consumidores e indicando caminhos para cenários melhores e mais alinhados aos valores do público.

Patagônia


Nos últimos anos, vimos surgir cada vez mais denúncias sobre as más condições de trabalho na indústria têxtil. Os consumidores estão mais atentos em relação a isso e demandando mais transparência das marcas de roupas em relação aos seus processos de produção.

A marca Patagônia vem abraçando a tendência Glass Box, levantando um debate sobre essas questões e mostrando como a empresa trabalha no sentido de garantir sustentabilidade dos materiais e condições de trabalho justas na produção das suas peças.

Saiba mais clicando aqui.

Zappos


Você estaria totalmente confortável se seus clientes ou prospects fizessem um tour pela sua empresa para conhecer na prática como é o dia a dia e a cultura da empresa? Você dividiria com eles o segredo do seu sucesso? Essa foi justamente a ideia da Zappos, uma loja online de roupas e acessórios.

Com o objetivo de compartilhar sua cultura, a empresa criou um projeto chamado Zappos Insights, em que oferece diversas formas de as pessoas conhecerem os bastidores da organização, mostrando quais são os valores que movem a empresa.

Clique aqui e saiba mais.

LUSH


Em 2010, havia cerca de 67 mil posts sobre cosméticos nas redes sociais. Em 2016, esse número saltou para mais de 1,5 milhão. Entre as conversas dos consumidores, destacam-se temas como: produtos naturais e eco-friendly, cosméticos que não realizam testes em animais (cruelty-free) e produtos veganos e orgânicos.

Alinhada com essas demandas dos consumidores, a Lush, marca de cosméticos naturais e feitos à mão, faz questão de destacar em suas embalagens os ingredientes utilizados, ressaltando que os cosméticos são veganos e não foram testados em animais. Em seus produtos, os clientes podem ver até a origem e o fazendeiro responsável pelo pelas matérias-primas.

Em tempos de notícias falsas, que se espalham rapidamente na internet, Photoshop e softwares que simulam vozes de pessoas reais, os consumidores estão buscando cada vez mais empresas genuínas. Garanta que a sua seja uma delas e ganhe a atenção que merece!

Sua marca está alinhada com essa expectativa dos clientes atuais?

Leia outras histórias de empresas que estão utilizando a transparência como forma de se conectar com o público e usando a autenticidade da marca para se destacar no mercado e inspire-se ainda mais:

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Francine Pereira
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Jornalista baseada em Tóquio (Japão) e caçadora de tendências do Sebrae Trends.

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