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Negócio sobre amor e representatividade: como nasceu a Thesame

Negócio sobre amor e representatividade: como nasceu a Thesame

Na semana passada, a gente falou sobre o Projeto Zero Um, um laboratório que está construindo novos caminhos entre o design e a moda. Hoje a gente quer trazer mais um exemplo de quem soube olhar para as experiências únicas usando o próprio caminho como negócio.

Acontece que nos últimos tempos algumas marcas estão apostando em uma postura gay-friendly, entendendo que o mercado está evoluindo e que o formato “comercial de margarina” já não cola mais. Com possíveis boicotes, assumir essa postura é também garantir um público fiel e ganhar muitos corações.

Recentemente, por exemplo, a Coca-Cola convidou a cantora Pabllo Vittar para ser a primeira drag queen a estrelar diretamente sua campanha. Não é à toa: o Dossiê Brandlad, lançado recentemente pelo Google, mostra que 54% dos millennials dariam preferência a marcas focadas na igualdade de direitos e diversidade.

Por isso que empresas grandes têm mostrado preocupação em atender de maneira mais direta e precisa este nicho de mercado no país. Entretanto, o segmento que tenha o público LGBT como alvo ainda tem muito para se desenvolver.

Aliás, é um mercado que tem grande perspectiva de crescimento, atingindo consumidores exigentes, bem informados e que pagam bem por um bom produto ou serviço, fidelizando desta maneira, qualquer marca que consiga comunicar-se diretamente com ele, atendendo a suas necessidades e desejos.

Thesame: mais que ideologia, é sobre falar de amor

Em 2013, Camila Tremea e seu primo foram comprar um presente para surpreender o paquera. Os dois passaram o dia e se assustaram ao notar que nada ali representava um casal homossexual. Foi também nos idos do mesmo ano que Camila ganhou uma moringa de presente da ex-companheira com um bonequinho e uma bonequinha. Caberia à imaginação fazer o bonequinho de cabelo curto representar Camila.

Mas nem só de imaginação as pessoas vivem. É também sobre representatividade que Camila queria falar. Agora a jornalista e seu sócio, Bruno Luiz de Melo, resolveram tirar do armário a ideia do e-commerce TheSame, um negócio para o público LGBT, mas que fala sobre o amor e quer atender todo mundo.  

Lançada em setembro deste ano, a loja ainda está se descobrindo, entendendo seu público e cabendo nos horários dos sócios. E mesmo não tendo a intenção de ser ativista, a marca não deixa de ser política em um posicionamento que pede igualdade e respeito.

É que Camila e Bruno cansaram de pertencer ao grupo de quase 20 milhões de brasileiros que não tem suas necessidades atendidas por muitas marcas e ainda sofrem preconceito na hora da compra - já que é um reflexo do preconceito que a sociedade nutre em relação a esse grupo. Agora é preciso constatar a grande besteira das marcas que ignoram esse público, afinal, existe aí um potencial financeiro estimado em R$ 418,9 bilhões, ou 10% do PIB nacional. Então parece que a Thesame anda pelo caminho certo.

E o que dizer de uma marca que pensou em você ao fazer seus produtos? Que lembrou de toda vez que você não encontrou o presente que te representasse numa loja? Pois então, essa é a sensação dos casais que acessam a loja virtual da Thesame e se deparam com duas meninas ou dois meninos juntos. Além disso, eles trazem muitas mensagens de amor, para todo mundo que quer presentear e incentivar o amor em todas as suas formas. Outra façanha da marca é enviar a compra com um cartão preenchido à mão. Você não adoraria?

Nesse começo, com uma demanda pequena, é importante essa relação de proximidade e fidelização do público. Na comunicação, eles prezam por respostas pessoais, com um tratamento exclusivo e chegado a quem entra em contato com a marca. Também cuidam muito com a linguagem das publicações: elas correm o risco de usar terminologias de um jeito inadequado, reduzindo o público LGBT ou caindo em preconceitos. 

Tudo isso porque eles acreditam que um negócio que começou baseado em experiências únicas, abraçando um público que não contava com mercado exclusivo de presentes, precisa construir essa pessoalidade diariamente em cada detalhe. Aliás, eles já pensaram na possibilidade de uma dessas grandes empresas de presentes perceber o potencial do público e, de um dia para outro, oferecer esses produtos. Mas o que mantém fé no negócio é essa ideia de uma marca assim exclusiva, que está agindo além do produto e que acredita na causa que vende, o amor.

Empoderamento do consumidor a partir de nichos

Camila acha que o e-commerce surgiu na hora certa - demandas por representatividade e direitos vêm ganhando cada vez mais espaço na sociedade. Com a causa em voga, o negócio tende a ganhar o mercado bem fácil. Ao acompanhar o público de perto, eles têm o potencial de agradar essa galera antenada, que está ligada no mercado de design, arquitetura, arte, moda e afins. 

É por isso que focar em um nicho significa, principalmente, passar a entender muito bem o público escolhido. Buscar compreender seus problemas, desejos, necessidades, sua forma de pensar e agir, o que esperam e como querem. É descobrir porque as pessoas que formam o nicho selecionado não estão sendo atendidas pela oferta atual do mercado e, o que as faria pagar um valor a mais para receber algo que faça sentido para elas. E atuar para oferecer esse produto ou serviço da melhor forma possível.

“Em sociedades de consumo, o status é um grande motivador que guia as ações de muitos indivíduos. Conscientemente ou não, as pessoas compram impulsionados pela aprovação social. Sentir que se faz parte de um grupo seleto de indivíduos ou que sua habilidades, criatividade, bom gosto é exclusivo de uma comunidade de pessoas contribuiu para preencher esta necessidade.”

Assim é apresentada a Exclusividade, no Caderno de Tendências para Pequenos Negócios, na macrotendência de experiências únicas. Se tem tudo a ver com a TheSame? Isso com certeza. Agora a pergunta é: tem tudo a ver com seu negócio também? Que tal pensar em como suprir a necessidade de status dos clientes? Ou como oferecer status aos consumidores? Ainda, como provocar a sensação de pertencimento a um grupo seleto?

Semana que vem tem mais, tá? Para não perder, segue o Sebrae Trends e fique por dentro de todas as tendências.

 

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