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O seu negócio está verdadeiramente conectado?

O seu negócio está verdadeiramente conectado?

Mais do que uso da tecnologia, empresas hoje precisam estimular a criação de redes e estar preparadas para atuar em um mundo sem fronteiras.

Vivemos em um mundo cada vez mais conectado: de acordo com o Euromonitor International, cerca de metade da população mundial tem internet — os usuários da rede eram mais de três bilhões de pessoas no final de 2016.  Ter acesso fácil a informações, serviços e compras, muitas vezes, sem sequer precisar sacar o cartão para pagar, virou rotineiro. Comportamento que, obviamente, modificou relacionamentos e também o mundo dos negócios. Presença online e uso de tecnologia se tornaram itens básicos frente às expectativas do cliente. Tudo isso faz parte da macrotendência Ultra-conectividade apresentada no Caderno de Tendências.

            Uma oportunidade para as empresas é o fácil levantamento de dados, o que oportuniza mais precisão sobre o público-alvo do seu negócio, já que é possível “monitorar” o seu cliente: a gigante Nike, por exemplo, faz isso pelo aplicativo Nike +: a fabricante de calçados coleta informações sobre o rendimento físico dos consumidores, envia dicas de treinos e sugere o melhor tênis para as atividades preferidas daquele cliente. Esse acompanhamento de informações e comportamento, comum nas grandes empresas, é eficaz para prever necessidades futuras do cliente, realizar ofertas direcionadas e saber qual é exatamente as nuances do seu público.

Refrigeradores conectados à internet, capazes de prever mal funcionamento no aparelho e acionar o suporte técnico antes mesmo do cliente perceber que há um problema, são exemplos desse movimento de ultra-conectividade. Pautados na “Internet das Coisas”, também conhecida como IoT (Internet of Things), estes objetos inteligentes vão viabilizar cada vez mais a junção do mundo físico e virtual. Luminárias que proporcionam economia de energia por meio dos horários em que são mais utilizadas, pulseiras de monitoramento da performance física ou fechaduras inteligentes que transforam seu smartphone em chave são outros possíveis exemplos das novas expectativas da palavra “smart”. Nesta linha, empresas que antes produziam produtos estáticos, agora passam a pensar em conectar estes produtos a um banco de dados e a uma rede virtual, tornando-os inteligentes.

Novos mercados

Mas não pense que essa macro-tendencia é só coisa de gigantes. Foi mapeando o próprio negócio que o empreendedor Samuel Toaldo descobriu que no Brasil, em 30 dias, acontecem 1 milhão de jogos de futebol amadores em quadras de aluguel — e 60% dessas partidas têm dificuldades em conseguir um goleiro. Um mercado gigante, e que estava negligenciado, até surgir o Goleiro de Aluguel, primeiro marketplace de goleiros do mundo, criado em Curitiba.

No aplicativo, lançado em agosto de 2016 o cliente “aluga” um goleiro pelo celular, por 60, 90 ou 120 minutos, pagando de R$ 30 a R$ 60, via cartão de crédito, débito ou boleto. Em Curitiba, a vaga é preenchida em 10 minutos e o índice de desistência é baixíssimo, menos de 1%. Em todo o Brasil, 23 mil pessoas usam o app, sendo 16,9 mil goleiros e 6,9 mil contratantes. Por mês, a ferramenta disponibiliza mais de 1,3 mil goleiros. Em 2017, o crescimento médio do negócio foi de 15% ao mês.

Tudo começou em 2015, com uma fanpage homônima no Facebook, ideia vinda de uma experiência pessoal de Samuel: fanático por futebol desde criança, ele pediu ao pai para ir a uma escolinha, mas percebeu que não levava tanto jeito para a coisa. Acabou virando goleiro e, nas partidas com os amigos, nunca conseguia ir embora: os próximos times sempre precisavam de alguém para o gol. “E eu ia ficando”, relembra.

Só no primeiro mês da página no Facebook, fez 13 partidas a R$ 30 cada. “Os pedidos se multiplicaram e eu não dava conta sozinho”. Foi aí que conheceu o sócio, Eugen Braun. Por um ano, lançaram um site e usaram ferramentas gratuitas, como formulários do google e whatsapp para as transações, e a comissão paga aos dois pelos goleiros interessados era repassada “na base da confiança”. Faturaram R$ 100 mil em um ano, capital que permitiu o desenvolvimento do app que, hoje, é o trabalho de ambos. “É um mercado enorme e que ninguém estava dando atenção. Largamos os nossos empregos e começamos a nos dedicar 100%”, fala Samuel.

O goleiro interessado em prestar seus serviços recebe 60% do valor. Os outros 40% ficam com a empresa, que faz também um trabalho social na República do Mali, na África, uma forma de tornar o negócio sustentável e social, pensando além da viabilidade econômica.

>> Leia também: Economia sustentável: novas formas de entregar valor

Além da meta de dobrar o número de goleiros alugados no próximo semestre, o Goleiros de Aluguel começou a realizar vídeos em parceria com a marca esportiva Topper, especialista em futebol, e quer abrir a possibilidade de marcas anunciarem em suas camisetas (tamanho potencial de visibilidade). Começará, ainda, a venda de materiais esportivos pelo app. “As pessoas ficam procurando ideias para montar um negócio. Mas na maioria das vezes, a ideia já faz parte da nossa vida. Por isso, é importante olhar sempre ao redor. O negócio já pode estar no seu dia a dia”, acredita.

O mesmo aconteceu com Alessio Alionço. A dificuldade de acompanhar os processos e a evolução de projetos no meio de tantos e-mails perdidos e planilhas engessadas inspiraram o empreendedor a fundar a Pipefy — uma plataforma de gerenciamento de processos, por meio da qual é possível acompanhar a execução de tarefas e a produtividade de times internos.   

Os aprendizados de Alionço em experiências passadas também contribuíram para a criação de um produto que desde seu início já foi estruturado para funcionar no mundo todo. O desenvolvimento do negócio não ficou tão focado na realidade brasileira. Ou seja: Alionço foi buscar clientes com essa demanda em qualquer lugar do mundo, ao invés de se limitar a uma só região geográfica.

A interface é customizável e os arquivos das empresas que adotam o serviço ficam armazenados na nuvem. Com um escritório em Curitiba e outro no Vale do Silício, a ferramenta já é usada por mais de 40 mil companhias, de 140 países distintos.

Fora a segurança e a praticidade, a adoção do software permite, ainda, que a equipe não tenha mais a necessidade de ficar toda reunida no mesmo espaço físico, o que facilita processos e se adequa ao cotidiano de muitas empresas que também almejam uma presença global. A Olist, por exemplo, trabalha nessa facilitação: ela ajuda lojistas ou artesãos a chegar nas grandes redes de varejo on-line, conectando marcas que dificilmente se encontrariam em outra situação. Além de funcionar como um integrador, a Olist cuida de todo o trâmite burocrático como contratos, negociação e documentações exigidas para a parceria.

Para pagar: menos contato

Se por um lado a ultra-conectividade facilita a aproximação entre as pessoas, as formas de pagamento estão cada vez mais “distantes”. O menor contato entre consumidor e prestador de serviço, em um modelo em que o cliente não toca na carteira paga pagar, está chegando aos restaurantes,  por exemplo.

 Na capital paulista, 46 restaurantes utilizam o Restorando: ao fazer uma reserva em um restaurante pelo site, o cliente pode optar pelo Visa Checkout, sem a necessidade de esperar o garçom chegar com a conta – é só pagar via aplicativo.  Ou, ainda, escolher a forma de pagamento que mais gosta. O Ebanx, de Curitiba, oferece soluções locais para sites internacionais, firmando parcerias com sites estrangeiros para que clientes brasileiros possam usar boleto como forma de pagamento, se assim desejarem – o que isenta os consumidores da necessidade de ter um cartão de crédito internacional e aumenta as chances do negócio em captar o público do país.

Tecnologia e aprendizagem

Um dos ramos que enxergou a possibilidade de aproveitar a tecnologia e a ultra-conectividade para revolucionar a forma como estudamos foi a educação. Tanto que o Ensino a Distância não para de crescer: de acordo com a Associação Brasileira de Educação a Distância (Abed), em 2015, mais de 5 milhões de pessoas estavam matriculadas em algum curso de modalidade EAD.

Fora a graduação e pós-graduação, é possível hoje no Brasil conquistar on-line um diploma da renomada Universidade do Vale do Silício (Udacity), que desenvolve nanodegrees (espécie de especialização, só que realizada em menos tempo, em uma média de quatro meses) para desenvolvimento web e mobile, análise de dados e marketing digital, feito em parceria com as empresas mais inovadoras do mundo.  E as aulas “físicas”, como as de música, também migram para o ambiente digital, como a Guitar Play Online. Mais de 60 mil alunos já aprenderam a tocar violão e guitarra com as técnicas via internet: o aluno escolhe o nível que deseja começar, assiste aulas e exercícios e tira dúvidas com um professor (disponível em fóruns online), que também é responsável pela avaliação.

A Beenoculus é outra empresa que está apostando no ramo de educação. Além de trabalhar com jogos e filmes, ela agora também incorpora a tecnologia da realidade virtual para transformar conteúdos maçantes em experiências marcantes e encantadoras. A empresa oferece aos consumidores um óculos que transforma qualquer smartphone em um ambiente de realidade virtual. Ao acoplar o equipamento no smartphone é possível acessar e se transportar para ambientes virtuais, interagindo com objetos e espaços que só existem virtualmente, e vivenciando experiências de profunda imersão. Como não há limites para a criação de ambientes virtuais, o produto abre uma gama de possibilidades para a empresa atuar.

Mas cansou do mundo conectado? Então, desconecte!

As vezes desejamos que os dias tenham mais que 24 horas, mas já parou para pensar a quantidade de tempo que você tem gasto no celular? Toda a facilidade trazida por essas ferramentas também nos deixou com a impressão de que nunca temos horas sobrando. São as chamadas contra-tendências de Aplicativos como o Moment e o Break Free já existem para contar quanto tempo é destinado ao telefone (faça um teste, você irá se surpreender!). Uma outra alternativa para desconectar é aproveitar o tempo em um café como o Supernova, em Curitiba: para estimular que as pessoas conversem o estabelecimento não oferece wifi. Um nadar contra a corrente? Sim, o que também pode ser salutar.

De qualquer maneira, a ultra-conectividade gerou um momento único para os empreendedores de novíssimos campos de oportunidades - alguns ainda nem explorados; gerou um alerta para ficarem antenados com novas facilidades tecnológicas, bem como adaptar seus negócios à essas novas possibilidades. Seja entrando nessa tendência, ou sua contra tendência e se desconectando de tudo, essa macro ainda terá muitas oportunidades de desenvolvimento.

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Ilka Toyomoto Furtado
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Consultora - Sebrae/PR

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