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Quando hobby vira negócio: a história da Goleiro de Aluguel

Quando hobby vira negócio: a história da Goleiro de Aluguel

Se cada um fizer o que gosta, mas se fizer de verdade, as coisas acontecem e o mundo começa a mudar. É por isso que muitas respostas para as angústias de quem quer empreender estão no processo de autoconhecimento. Nesse caminho, é possível se abrir para as oportunidades que surgem - essas que estão por aí, mas nem sempre percebemos. Semana passada falamos da Coletive, por exemplo, que entendeu o poder do YouTube e transformou isso em negócio. Foi olhar para o mercado que se abria em uma situação que faz parte da nossa vida diariamente e deu muito certo.

E se tem uma coisa que está conosco o tempo todo, no Brasil e no mundo inteiro, é o futebol. Ele tem o poder de unir gerações, vibrações e bons negócios. Sua popularidade reside na facilidade da prática - uma bola e um gol são suficientes para envolver bastante gente nessa jogada. Sendo amador ou profissional, o importante do jogo é acreditar no time e no seu próprio potencial.

Bom, é assim que começa a história dessa semana - um amor de infância transformado em negócio. Claro, nem sempre isso foi assim evidente, mas o que Samuel Toaldo fez foi prestar atenção ao que acontecia em torno dele e dar o primeiro passo, com uma proposta um tanto inusitada: alugar goleiros para partidas amadoras de futebol. Com esse case, a gente vai aproveitar para falar sobre as Experiências Únicas, uma das macrotendências do Caderno de Tendências, e como é possível aplicá-la na prática.

DE PLANILHA A APLICATIVO: O QUE ESTÁ POR TRÁS DESSA HISTÓRIA

A função de goleiro nem sempre é a mais desejada em pequenas partidas de futebol. Mas não tem jeito: para o jogo funcionar, essa posição é fundamental. Por isso Samuel começou a ser requisitado: ele, como um bom goleiro, era procurado por amigos para quebrar aquele galho e cumprir a função que ninguém mais queria. Então por que não cobrar por isso nas horas vagas?

A ideia se tornou uma página no Facebook chamada Goleiro de Aluguel, que rendeu, em um mês, R$390 reais em 13 partidas. A página na rede social era pra ser uma brincadeira, mas as pessoas realmente procuraram e compraram o serviço! Daí em diante, foi só bola pra frente - literalmente. Ele entendeu que poderia unir goleiros e distribuí-los, dependendo da necessidade dos jogos. A ideia seria dar uma renda extra para quem curte futebol e garantir que os contratantes não precisassem mais se preocupar com o gol.

Por isso esse negócio funciona como um modelo de Experiência Única. A macrotendência, nesse caso, mostra a possibilidade de oferecer ao cliente uma pelada amadora, onde todos querem se divertir, e todos os jogadores ficam com as posições que mais gostam. Ninguém se importa em pagar um pouco a mais para ter um goleiro, desde que isso torne o jogo uma ação mais prazerosa - e, de quebra, o goleiro tira uns trocados fazendo o que curte.

Logo no começo, Samuel conheceu Eugen Braun, hoje seu sócio. Os dois construíram um site com um formulário onde os goleiros podiam se cadastrar e todas as informações iam para uma planilha. O contato entre goleiros e jogadores era feito manualmente mesmo pelos sócios através do WhatsApp. Até aí, a única despesa que os dois tinham era de tempo, o que acabou mostrando a possibilidade de largarem seus empregos e se dedicarem full time à startup.

Para fazer o negócio funcionar, eles faziam o seguinte: quando um goleiro era solicitado, era enviada uma convocação na lista de transmissão de WhatsApp daquela região. O primeiro que respondesse “aceito”, recebia o contato do contratante e seguia para o local da partida.

O valor da partida era pago ao goleiro, que repassava aos dois sócios a quantia que cabia a eles. Após os jogos, quem contratava os goleiros respondia por e-mail um formulário de avaliação. As notas que eram atribuídas a eles eram utilizadas num ranking e, ao final do mês, o melhor goleiro era premiado com um par de luvas profissional.

Atualmente, o pedido por goleiros é feito no aplicativo do Goleiro de Aluguel. O usuário entra, cadastra seu jogo com data, local, tipo de campo e quantos goleiros serão necessários. A empresa verifica quais os goleiros disponíveis perto da região e, quando um deles concorda em comparecer ao jogo, o contato é passado ao usuário. O uber de goleiros está indo de vento em popa.

Mas também, com o potencial que existe no ramo, não era de esperar outra coisa. De acordo com as estatísticas da FIFA, são 1 milhão de jogos em quadras de aluguel por mês no Brasil e 60% deles não possuem um goleiro fixo. Ou seja, um mercado milionário do qual ninguém tinha se dado conta. Com quase 3 anos, o Goleiro de Aluguel continua sendo a única empresa nesse ramo no mundo todo.

Biro-Biro e o goleiro de aluguel Fernando

Hoje eles têm cadastrados 17.027 goleiros e 7.120 contratantes no Brasil inteiro. O aplicativo veio para fazer acontecer esse boom que a startup tanto esperava. Mas, para chegar até a fase de criar o aplicativo, eles passaram pelo processo de entender as dores dos goleiros, donos de quadras e jogadores. Assim conseguiram garantir que atenderiam à demanda desse público em cheio. Agora o plano é dobrar a quantidade de goleiros alugados no próximo semestre, e também aumentar a quantidade de goleiras na plataforma, que hoje soma apenas 1%.

Mas eles não estão sozinhos nessa. Foi a partir de dois programas do Sebrae - Traction (2016) e Tração (2017) - que eles entenderem que olhar para as métricas era fundamental para o desenvolvimento de ações. Entenderam também que mesmo com o produto pronto e com certo faturamento, é importante tracionar o negócio. Uma questão prática que os ajudou foi perceber que a mídia offline funcionava muito bem para eles - o uso de cartazes em centros esportivos aumentou em 51% a procura pelo aplicativo.   

AINDA DÁ PARA FAZER O BEM

Uma das propostas do Goleiro de Aluguel é mostrar que o futebol pode transformar vidas, já que o esporte molda caráter. É a partir do futebol que crianças podem ter determinação, tanto na parte profissional como na parte emocional. Por isso a prática de esportes não é, necessariamente, um incentivo para a prática profissional e sim um guia para saber lidar melhor com os desafios da vida. Com pequenas atitudes, grandes ações são realizadas.

Hoje o valor de cada partida é de R$30, sendo R$18 para o goleiro e R$12 para o Goleiro de Aluguel. O valor, que é usado para a manutenção do negócio, também financia a Escuela de Porteros, uma escola de goleiros do Mali, na África. E assim que o número de goleiros dobrar, eles vão criar uma escola de goleiros, no mesmo formato africano, também no Brasil.

A responsabilidade social acompanha o negócio desde sua fundação. Em 2015, por exemplo, eles patrocinaram a Seleção Brasileira Feminina de Futsal dos Surdos, na Copa do Mundo. O financiamento deles fez com elas passassem do último lugar, na copa anterior, para a final, na copa de 2015. 

Identificar esses valores desde o início faz com que a empresa enxergue os processos de uma forma mais humana, compreendendo seu trabalho como forma de impactar o mundo com pequenas práticas. Além disso, saber que uma empresa está além do lucro gera empatia no público e um relacionamento mais próximo com os clientes.

O importante aqui é perceber que dá para unir humanização aos processos sem sair perdendo. E você? Como seu negócio pode assumir a experiência única como tendência? Algumas perguntas podem te ajudar:

Como adicionar um caráter humano na experiência do consumidor?
Como garantir que a tecnologia não seja um obstáculo?
O que fazer quando a tecnologia falha?
Como reduzir a sensação de automatização aos olhos do cliente?
Como tratar clientes como consumidores únicos?

Semana que vem eu volto com mais um case de tendência que virou negócio aqui no Paraná. Até lá!

Por enquanto, aproveite para seguir o Sebrae Trends, sua ponte para um mundo de novas ideias.

VEJA TAMBÉM:

>>> Como tendências estão virando empresas no Paraná

>>> Como a Coletive entendeu (e resolveu) o mundo dos influencers

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