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Quando todos se ajudam, todos crescem!

Quando todos se ajudam, todos crescem!

Quer ganhar mais clientes, crescer, vender mais e ajudar sua comunidade? Una-se com outros empreendedores locais, com a sua prefeitura, e sejam locais!

Essa grande forma de se fazer negócio começou com uma constatação simples: Se você gasta R$ 10 em uma grande rede de supermercados ou franquia, o que sobra depois dos impostos vai para o escritório central, ou é distribuído entre acionistas do Brasil, do mundo inteiro. Agora, se você gasta os mesmos R$ 10 em uma loja local, o que sobra é gasto e investido ali mesmo. Então, a macrotendência do Consumo Ético e Consciente, apontada no Caderno de Tendências do Sebrae/PR, passa por valorizar quem é da vizinhança, da comunidade, as pessoas que você conhece.

Existem algumas vertentes desse tipo de comércio.

A primeira se chama hiperlocal.

O funcionamento é simples: você gasta seus R$ 10 em um comércio comprometido em dar preferência a fornecedores locais. Com esse dinheiro, ele paga seus empregados e compra mais estoque de um fabricante das redondezas. Esse fabricante, por sua vez, paga sua equipe. Tanto o comércio como a indústria pagam o IPTU à prefeitura, que usa o dinheiro para pagar professores, garis, outros funcionários. Tanto o pessoal do comércio, como da indústria, como da prefeitura podem comprar em lojas locais, fazendo com que aqueles R$ 10 multipliquem a riqueza do município.

Outra grande vantagem da vertente hiperlocal é a ambiental. Se a indústria e o comércio estão próximos, pouco gás carbônico é lançado na atmosfera pelo transporte, além de economizar no frete, que pode ser repassado ao consumidor final.

Mas como garantir que o consumidor dê preferência a esse tipo de loja?

Lógico, um adesivo na vitrine pode identificá-las, mas para certo tipo de cliente isso tem pouca valia se o grande supermercado faz uma promoção vendendo o mesmo produto pela metade do preço. É preciso alguma coisa a mais para garantir que ele compre local.

Aí entra a segunda vertente: a Moeda Local, também chamada de Moeda Social.

Basicamente, é uma moeda que só pode circular em determinada cidade ou região. Essa é uma maneira de forçar o consumidor a só consumir produtos e serviços de comerciantes locais, uma vez que grandes empresas nacionais e multinacionais são proibidas de aceitar a moeda.

Essas moedas contam com diferentes níveis de sucesso, implantação e aceitação.

No Brasil, o cartão pré-pago criado pela CUFA – Central Única das Favelas – é o primeiro passo para uma moeda local. A ideia dar às pessoas que não têm acesso a bancos uma opção prática e segura de adquirir bens e serviços. A segunda fase do cartão pré-pago será dar vantagens a quem comprar em lojas das comunidades das favelas, se transformando em uma moeda social completa.

Lá fora, as moedas têm diferentes graus de sucesso e aceitação. Uma das mais usadas é a inglesa Libra de Bristol.

Naquela cidade, até mesmo alguns impostos podem ser pagos na moeda local. A prefeitura, por sua vez, paga parte do salário dos funcionários nessa moeda. O prefeito da cidade dá o exemplo, e tira 100% do seu salário em Libras de Bristol. A maior autoridade da cidade, assim, só pode gastar em comércio local, movimentando a economia da região que administra.

A moeda é administrada por organizações locais sem fins lucrativos, para que o máximo possível da riqueza fique na cidade. Mais. Em tempos de apertar os cintos, as cidades têm pouco para investir em publicidade. Uma moeda de sucesso é garantia de gerar artigos e matérias em telejornais – e quem visita a cidade provavelmente leva uma notinha local de lembrança, fala para amigos e conhecidos e pronto, publicidade gratuita!

A cidade de Nantes, na França, está indo ainda mais longe e integrando tudo em sua moeda: além de poder pagar por bens, serviços e impostos, os habitantes também poderão pagar ônibus, táxis e estacionamento público com o dinheiro da cidade.

O defeito do dinheiro da cidade é que as pessoas ainda têm que ir a certos locais para trocar a moeda nacional pela local. Mas uma start-up já começa a oferecer um sistema de pagamento via celular. Sem o intermédio de bancos nem nada, dinheiro local é transferido do comprador para o vendedor. O serviço cobra uma taxa de 1%. Pouco, mas já gera reclamações. Afinal, as cidades onde o serviço está sendo implantado são britânicas. E a start-up, australiana. O que é irônico quando se pensa que a intenção é deixar o dinheiro na cidade.

Criando uma moeda local

O primeiro passo para criar uma moeda local é se reunir com outros pequenos empresários por meio de instituições como o Sebrae ou suas associações comerciais locais. Contratem um advogado e estabeleçam as regras. Quem pode participar? Vale quem tem franquia, ou não? E se é uma grande empresa, com filiais em várias cidades, mas a sede é na sua cidade?

Depois de acertarem todos esses aspectos e verificarem o que pode e o que não pode na legislação, é hora de montar um projeto de lei e apresentar na Câmara dos Vereadores.

Consiga um para apresentar o projeto, distribua o telefone e e-mails de todos os legisladores entre seus amigos e clientes, escreva para o jornal local, faça pressão para que seja aprovado. Depois disso, façam campanhas frequentes para que a moeda seja adotada pelos moradores. Você não pode esconder o fato de que a moeda local é um dinheiro que não pode ser usado na metade das lojas – algumas talvez sejam as favoritas, ou mais próximas daquele habitante. Foque nas vantagens que as pessoas vão ter: mais riqueza circulando na cidade significa, a médio prazo, uma menor necessidade de aumentar os impostos, e mais saúde, educação, segurança. E mais empregos para quem é da comunidade. E, quanto mais pessoas usarem, mais essas vantagens aparecerão.

É hora de aproveitar o fato de você ser um empreendedor local e usar sua força para mudar o destino de seu negócio, do negócio de seus amigos e da sua cidade!

Quem quer começar?

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Quer conhecer outras histórias que mostram, na prática, como macrotendências podem ser aproveitadas no dia a dia? Siga a revista Sebrae Trends aqui no Clube do Empreendedor clicando aqui. E aproveite que você está aqui para ler também:

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Clube Sebrae
Brasílio Andrade Neto
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Redator especialista em vendas e marketing

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